Profeta decide – ANÁLISE TÁTICA FORTALEZA 0 x 1 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

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Pela quarta rodada do Brasileirão, Fortaleza e São Paulo se enfrentaram em jogo marcado pelo reencontro de Rogério Ceni com o tricolor paulista.

Sem Alexandre Pato e com a volta de Igor Vinicius, Cuca escalou o time em um 4-1-4-1 com Hudson TchêTchê e Liziero na trinca de meio e Toró de centroavante.

O Fortaleza por sua vez, entrou com um 4-4-2 e apostava em sua organização tática para, sem a bola impedir as ações adversária e com a bola progredir e se impor no campo rival.

O jogo teve seus momentos muito bem definidos. Nenhuma das equipes pressionou a saída de bola, optando por uma marcação em bloco baixo. O resultado eram as duas equipes ocupando quase que em sua totalidade apenas uma metade do campo. Nesse contexto, os zagueiros têm importante influência na criação de jogadas.

O São Paulo não consegui criar. Rogério armou um 4-4-2 em fase defensiva que diminuía muito os espaços entre as linhas e dificultava a criação. Por outro lado, faltaram também as participações de TchêTchê e Liziero, que seriam os responsáveis pela circulação de bola; mas que pouco contribuíram. O tricolor paulista sentiu a falta de Pato. O camisa 7 vinha atuando como segundo atacante e contribuindo para a dinâmica do time, ao recuar e acelerar as jogadas, seja passando, seja conduzindo. Sem movimentações na entrelinha e sem um centroavante que oferecesse pivôs – Toró é ponta de origem – a criação agonizou. Nenhuma finalização no gol na primeira etapa.

WhatsApp Image 2019-05-13 at 15.39.09Liziero e TchêTchê com dificuldades para criar linhas de passe e dar ritmo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O Fortaleza fazia sua saída de bola com seus dois zagueiros, o goleiro Felipe Alves e um dos volantes (Felipe ou Juninho) mais a frente. O Leão atacava com muitos jogadores no campo rival, e o sistema de marcação por encaixes de Cuca permitia ao São Paulo neutralizar todos esses jogadores. Além disso, faltava um jogador mais cerebral, para ocupar entrelinhas e articular jogadas. Edinho, Marcinho e Romarinho se revezavam em movimentações pelo centro, mas sem grande êxito.

WhatsApp Image 2019-05-13 at 15.39.20Marcação por encaixes tornava a posse do Fortaleza inútil. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Com esses momentos bem definidos, e com as defesas em bloco baixo, sobrava espaço para contra-ataques. O Fortaleza conseguiu acionar seus jogadores na transição em alguns momentos, quando criou suas melhores chances. O São Paulo não conseguia fazer o mesmo, pois seus pontas estavam sempre muito recuados, quase formando uma linha de seis, para marcar os laterais. E mesmo assim, a defesa estava sempre pronta para cortar os contra-ataques na raiz.

WhatsApp Image 2019-05-13 at 15.39.26Subida dos laterais do Fortaleza, recuava pontas do São Paulo. Movimento retardava a transição do tricolor paulista. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Na volta do intervalo, Cuca trocou Igor Vinicius por Hernanes, afim de dar uma opção de articulação para sua equipe. O Fortaleza buscando atacar com mais imposição para vencer os encaixes, e com menos preocupações no balanço defensivo.

O São Paulo continuava sem jogo entre as linhas, mas tinha a hierarquia de Hernanes. Afim de dar ainda mais fluidez no meio campo, Vitor Bueno entrou na vaga de Liziero – que teve atuação decepcionante. Ceni também mexeu. Trocou Kieza e Romarinho por Wellington Paulista e Júnior Santos. A essa altura o São Paulo já conseguia encaixar contra-ataques.

Aos 32, em lance de contra-ataque, que contou com o escorregão do zagueiro Roger Carvalho, Hernanes foi decisivo. O São Paulo ainda poderia ter ampliado também no contra-ataque, mas Antony desperdiçou a chance. Dodô entrou para tentar trazer o poder de articulação que faltava ao Fortaleza, mas pouco contribuiu.

Apesar de um desempenho fraco – que é compreensível pela ausência de jogadores importantes – o São Paulo conquistou três pontos importantes fora de casa. Além disso, se destaca a atuação de Hernanes, que entrou bem e decidiu o jogo. O Profeta ainda recupera sua melhor forma física e passos como esse são muitos importantes.

Para o Leão, fica um gosto amargo. O time teve boas ideias e as executou bem, faltou refino técnico para balançar as redes. Aliás, essa deve ser a tônica da temporada para o time de Rogério Ceni: muita organização e conteúdo, mas com o aspecto técnico sem muito destaque.

@pedro17galante 

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