Ajustes estratégicos: ANÁLISE TÁTICA –INTERNACIONAL 3×1 CRUZEIRO

Por Luiz Martins

Um jogo de duas equipes que iniciaram apostando na cautela. Essa frase é o que define o os primeiros minutos de jogo dentro do Beira-Rio, entre Inter e Cruzeiro. O adversário vem sendo um dos principais destaques do cenário nacional, dos últimos anos, além de ter um time cercado por bons jogadores em seu onze inicial.

O Inter iniciou o jogo com seu habitual sistema 4-3-3/4-1-4-1, tendo D´alessandro aberto pelo lado direito, em estratégia para aproveitar as fragilidades do lateral direito Dodô. O jogador ficou preso ao lado, sendo pouco efetivo na principal característica de seu jogo: distribuição e articulação. O Cruzeiro fazia uma forte marcação aos espaços, que poderiam dar a D´alessandro oportunidade de criação. Assim o Inter tentava jogadas de passes mais longos e aéreos, sempre bem interceptados pelos defensores rivais.

inter2Cruzeiro fazia muito bem a marcação ao time do inter, com bom balanço defensivo (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Cruzeiro marcava em um bloco médio (à partir do meio-campo), costumeiro nos times do técnico Mano Menezes. Quando tinha a bola, se colocava em uma plataforma 4-2-3-1, tendo Thiago Neves como principal jogador, buscando a entrelinha adversária. Ele teve grande movimentação e algumas oportunidades para marcar, mas sem sucesso. Neste quesito Rodrigo Lindoso sentia dificuldades de realizar as mesmas ações que o titular Dourado, mas em contrapartida, ele fora bastante efetivo na saída de bola e um complemento ao motorzinho do time, vestindo a camisa 33 e denominado Nonato, ao longo do tempo que estiveram em campo juntos.

inter0Thiago Neves era o jogador mais perigoso do Cruzeiro, aproveitando bem a entrelinha adversária (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Nonato era o elo entre meio e ataque, já que D´alessandro ainda parecia fora do jogo. Ele quem buscava conduzir o time, buscando combinações de jogadas com Lindoso, Edenilson e Iago, com muitos toques curtos e progressões através de triangulações. Nico e Guerrero buscavam movimentações à frente, muitas vezes trocando de posicionamento entre si, na tentativa de confundir a marcação adversária. Com estas movimentações surgiu a falta do gol marcado por Nonato, que abriu o placar, colocando o Inter à frente ainda na primeira etapa, mas o Cruzeiro respondeu na mesma moeda, após cobrança de falta, onde Dedé infiltrou na área e empurrou a bola pro fundo das redes, empatando a partida.

inter4Muita mobilidade entre atacantes e meias do Inter, ao progredir à frente da área (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Não satisfeito com o resultado obtido até o momento, Odair realiza uma boa alternativa variando o seu sistema de jogo, dentro de seu modelo. Coloca D´alessandro centralizado, atrás de Guerrero, buscando a entrelinha, retorna Nico para a direita, lado onde mais rende, avança Nonato e alinha Edenilson e Lindoso, configurando uma espécie de 2-3 no meio campo. Estas movimentações foram fundamentais pro crescimento de todos os jogadores, porque o time melhorou todas as suas ações defensivas e ofensivas, dificultando o adversário desde a saída de bola. Nonato e Lindoso cresceram bastante na partida, interceptando e desarmando os jogadores do Cruzeiro, conseguindo diversas viradas de jogo e se aliando aos homens de frente, com muita movimentação. D´alessandro, virou uma espécie de homem livre, alternando entre entrelinha e base, trocando de posicionamento com Nonato e Edenilson, causando dificuldades na marcação do Cruzeiro e conquistando maior volume ofensivo em comparação ao primeiro tempo, tendo Nico e Guerrero como os principais finalizadores. Assim o centroavante peruano, com toda classe ampliou o placar da partida.

inter5Variação tática que mudou o panorama da partida. Inter atacando em 2-3, no meio campo, com Guerrero à frente (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Após o gol tomado, Mano Menezes buscou alterar sua equipe, retirando Jadson, que fez uma boa partida, colocando David, além da saída de Pedro Rocha, cansado, entrando Rodriguinho. A intenção era deixar o time mais vertical e ofensivo, mas a defesa colorada se postou muito bem contra o ataque estrelado cruzeirense. Todo o sistema defensivo colorado está de parabéns, por conseguir parar o centroavante Fred, principalmente Rodrigo Modelo, que tinha a incumbência de marca-lo de forma mais individual. Zeca é outra grata surpresa nestes últimos jogos, por estar já assimilando as ações da linha defensiva do Inter, conseguindo conter muitos jogadores de boa velocidade que sempre caem pelo seu setor.

Odair ainda realizou trocas importantes no restante da partida, lançando a campo Sobis e Parede, nos lugares de Nonato e D´alessandro (perdeu um pênalti que não costuma perder), respectivamente, que saíram extenuados.

inter6Com Sobis em campo, time manteve o 2-3. Jogador buscou centralizar suas ações, na função de D´alessandro. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Com a entrada dos suplentes, o time não perdeu volume ofensivo. Parede jogou aberto pelo corredor esquerdo, buscando realizar recomposição e abrindo bastante o corredor para o lateral Iago, que fez uma partida muito segura e Rafael Sobis jogou um pouco mais centralizado, fazendo o papel que D´alessandro estava desempenhando anteriormente. Dos pés de Sobis ainda se originou uma cobrança de falta, que teve o rebote aproveitado por Moledo.

 Ainda participaram da partida Marin Sarrafiore pelo lado colorado, no lugar de Guerrero lesionado. Inter preencheu bastante o meio campo, tendo domínio da bola, colocando Sobis como referência e o Cruzeiro uma troca de Sassá por Fred, tendo mais físico para aguentar s embates com Rodrigo Modelo, mas sem grande efetividade até o final da partida.

@ojunomartins

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