Modelos de jogo diferentes – ANÁLISE TÁTICA DE CORINTHIANS 0 x 0 GRÊMIO

Por Jhonata Souza e Maurício Wiklicky

Você sabe o que é modelo de jogo? Não confunda com sistema tático! Ate porque no jogo entre Corinthians e Grêmio, em certo momento do jogo ambos tinham o mesmo sistema tatico, o 4231, porem modelos de jogo bem diferentes!

O MW Futebol já fez dois textos sobre o tema de modelo de jogo, que pode complementar seu aprendizado, e essa análise tática em si:

COMO PODEMOS IDENTIFICAR UM MODELO DE JOGO?

MODELO DE JOGO

Mas vamos a análise tática do jogo!

No Corinthians a semana livre de treinos serviu para a realização de pequenos ajustes e para recuperar alguns jogadores lesionados. As voltas de Henrique e Avelar deram mais segurança ao setor defensivo. O Corinthians atuou conforme seu modelo de jogo, ou seja, se postou muito bem na defesa com o time atuando com as suas linhas compactas e mais próximas do gol defendido por Cássio. A ideia era congestionar o meio e forçar o Grêmio a usar mais os lados do campo. No primeiro tempo a estratégia foi de se defender para recuperar a bola e sair no contra-ataque, algo bem parecido com o que a equipe fazia nos jogos fora de casa em 2017. Podemos identificar esse modelo de jogo como REATIVO, pois o maior trabalho é sem a bola, defendendo e sainda rápido para o ataque.

Corinthians congestionando o meio e forçando o Grêmio a usar os lados.

A chance mais perigosa do Corinthians no primeiro tempo surgiu conforme seu modelo de jogo, de um lance de contra-ataque, onde Clayson roubou a bola, saiu em velocidade e cruzou para Boselli que parou numa grande defesa de Paulo Victor. Foi à única vez que o Timão conseguiu realizar esse tipo de lance, pois o restante das tentativas de contra-ataque esbarrou em erros de passe e lançamentos, além de um primeiro tempo ruim de Boselli que não cometeu alguns erros que mataram jogadas promissoras.

O Corinthians teve problemas na construção das jogadas e dependeu muito das triangulações pela direita com Fagner, Vital e Ramiro para conseguir se estabelecer no campo de ataque. O lado esquerdo de ataque foi menos utilizado e a sentiu falta de Sornoza mais presente na construção das jogadas, porém em numeros foi um pouco mais efetivo.

Dados via Instat.

Já o Grêmio, praticamente repetiu o time que ganhou do Universidad Catolica. A principal manutenção foi a de Michel na cabeça da area, protegendo a defesa, que contra o Fluminese sofreu cinco gols. Com a entrada dele há sustentação, e marcação em contra ataques dos adversários com no mínimo quatro jogadores (os dois zagueiros, o lateral do lado oposto e o próprio Michel). Ao lado de Michel, o Grêmio escalou Matheus Henrique, que nao teve atuação destacada como os demais jogos, até mesmo pela readaptação na função, pois esse ano jogou mais como jogador de contenção.

Michel e Matheus Henrique foram o grande expoente do modelo de jogo de tricolor que se baseia na POSSE DE BOLA. Muito mais no primeiro tempo, onde teve o controle quase que total do jogo. Ao longo do jogo Michel e Matheus Henrique trocaram 33% passes entre si, o que correspondeu a 7% de toda equipe. Esse numero de passes reflete na marcação do Corinthians analisada acima, que fica com linhas próximas ao seu gol.

Dados via Footstats.

Outro jogador com importante que entrou no tricolor no 1° tempo foi Luan. Ainda se recuperando da sua melhor forma fisica e técnica, ele conseguiu se movimentar e dar opção de passe para seus colegas. Com a entrada de Luan o time fica mais móvel, característica não vista em Jean Pyerre, que prefere jogar com a bola no pé. Com Jean Pyerre, p centroavante André se tornou mais móvel, porém com Luan ele deverá ficar mais fixo na área para fazer pivôs e concluir a gol. Assim coml Matheus Henrique tem que se readaptar a ser o 2° volante, André terá que se reacostumar a nova função (não confunda a posição com a função, que é bem explicado nesse nosso texto)

Posicionamento médio do Grêmio antes das alterações. André mais recuado que Luan. Via SofaScore

No segundo tempo Vagner Love entrou bem dando mais trabalho a defesa gremista com a sua movimentação. O Corinthians passou a ter mais posse de bola no segundo tempo e foi à equipe que mais buscou o gol na segunda etapa. O problema é que essa posse se concentrou, tanto que duas das quatro maiores interações de passes entre jogadores do Timão se deu entre defensores.

• Henrique para Manoel (20)
• Fagner para Vital (15)
• Manoel para Henrique (13)
• Manoel para Fagner (13)

Essa estatística mostra a dependência que o time tem com Fagner. O lateral atuou bem aberto no segundo tempo dando amplitude ao ataque e em alguns momentos teve situações de 1×1 contra Juninho Capixaba.

Algumas das melhores jogadas do Corinthians no segundo tempo surgiram de triangulações pela direita com Fagner, Vital e Urso, o volante é um jogador muito importante para o time e entrou até que bem, mas mostrou estar um pouco sem ritmo de jogo. Com a entrada de Régis a equipe mudou a sua organização tática no meio, o time saiu do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1, já que Régis tinha a liberdade de se aproximar de Love no ataque. Lembrando aqui que apesar do mesmo sistema tático do Grêmio, o modelo de jogo continua diferente. Na defesa a equipe se postou bem no segundo tempo e Cássio acabou sendo pouco exigido, Destaque para mais uma partida muito segura de Manoel.

Régis postado á frente das duas linhas de quatro do Corinthians.

Na comparação com os últimos jogos a equipe do Corinthians se mostrou mais segura na defesa e uma pequena evolução no ataque, algo que pode ser visto no segundo tempo. O time ainda tem bastante a melhorar. Esse jogo marcou o inicio de uma sequência insana de jogos até a pausa para a Copa América, sequencia onde a equipe terá pouquíssimo tempo para treinar, resta saber se este desempenho atual do Corinthians será o suficiente para continuar vivo nas competições que disputa.

Já o Grêmio no segundo tempo mostrou-se menos ativo, talvez pela questão fisicade ter jogado na quarta-feira ou então pelas mudanças das peças que comentamos acima. Houve muita centralização das jogadas, o ponto forte da defesa coritnhiana é o “funil”, ou seja a entrada da área, onde Ralf é seu protetor. Na esquerda Juninho Capixaba não teve contribuição ofensiva, e Everton centralizou o jogo. Na direita Leo Gomes teve boa atuação, porém nem Montoya nem Thaciano contrubuíram.

Os lados de ataque do Grêmio e sua efetividade. Via Instat

Corinthians e Grêmio tem grandes resultados no Brasil nos ultimos anos. Ambos com modelos de jogo bem característicos. Cabe agora cada um melhorar para conseguirem mais algum titulo em 2019.

Resumo da partida. Via Instat

@jhonny14souza

@mwgremio

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