Reorganização defensiva – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 2 x 0 UNIVERSIDAD CATÓLICA

Por Maurício Wiklicky

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O ataque é a melhor defesa, já dizia a clássica frase. Eu diria que o EQUILÍBRIO, é a melhor defesa! E esse equilíbrio que faltava no Grêmio em 2019 começou a reaparecer no jogo contra o Universidad Católica. Nessa análise focarei mais na parte defensiva, pois como já escrevi em outros textos do site, esse era o nosso grande problema. Mas não se preocupem, também comentarei um pouco da parte ofensiva, com foco no meio campo e como podemos ver o Grêmio daqui para frente.

Era notório que o Grêmio esse ano atuava com 3 atacantes. A diferença dos demais anos é que os extremas, jogadores do lado, no meio campo, se tornaram pontas. Algumas explicações fiz nessas análises abaixo, que se tu não leu, seria importante para compreender melhor a análise que vem a seguir:

O 4213 do Grêmio que não deu certo – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 0 X 1 LIBERTAD

A evolução do 433 de Renato – ANÁLISES TÁTICAS DE GRÊMIO 3 x 1 ROSARIO e INTER 0 x 0 GRÊMIO

O que vimos contra o Católica foi um Grêmio mais organizado! Um time de futebol, independente do número de jogadores de qualidade, do tempo que jogam juntos, necessita entrar em todos jogos ORGANIZADO! No caso do Grêmio essa organização se deu por dois fatores:

1 – Recomposição de Alisson e Everton

O Grêmio desde 2016 joga no sistema 4231. Esse “3” significa os dois extremas e o meio campo central. Na direita tínhamos Ramiro, hoje Alisson é o titular. Já seria o titular desde o início do ano se não fosse a lesão no primeiro jogo do Gauchão. Apesar de ter características muito mais ofensivas que Ramiro, é o jogador que está mais adaptado a organização do time. Outros já foram testados e na ausência de Alisson podem assumir a posição, como Thaciano (que quando entra sempre dá intensidade e seria minha segunda opção), Montoya (que não rendeu muito bem, por ser mais volante),  e Marinho (que é atacante, e não sabe fazer recomposição).

WhatsApp Image 2019-05-10 at 14.33.17Alisson e Maicon marcando. Leo Gomes na sobra. Geromel e Kannemman marcando apenas um jogador. Um Grêmio mais organizado.

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A torcida viu a importância de Alisson no jogo.

Com esse lado direito mais forte na marcação, Leo Gomes fica mais protegido, e a exposição de Geromel é menor, mesmo que isso tenha ocorrido no jogo e deve ser melhorado. Também potencializa os avanços de Leonardo, que muitas vezes não recompõe de imediato e tenta uma marcação pressão no campo do adversário, e as vezes deixa um suas costas livres. Alisson em muitas vezes fez isso ao longo do jogo.

Na esquerda Renato faz certo em deixar Everton livre para atacar, como fez no início do ano, mas contra adversários mais fracos. Nosso melhor jogador tem que decidir na frente, e decide, mas deve também recompor, pois o futebol exige isso hoje. Infelizmente terei que discordar com meu ídolo de juventude, Paulo Nunes, que comentou durante a transmissão que a recomposição faz com que o futebol seja “feio”.

Dois frames da organização defensiva do Grêmio. Marcaçãono 4 4 2, com linhas próximas.

2 – fixação de Michel, como volante (sua posição) postado na frente da zaga

Michel é volante. Como volante foi titular do Grêmio campeão da América e escolhido o melhor volante do Brasileiro 2017. Ano passado conviveu com lesões, e esse ano também. Além disso foi deslocado da sua posição, como zagueiro. Michel é volante. Como volante ele fica fixado na frente da zaga, é o “cão de guarda”, não expõe para o confronto direto Geromel e Kannemann.  Por isso, vejo que Michel é titular do Grêmio.

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Michel e Thaciano na frente da zaga.

Outro exemplo de Michel mais fixo, com o lateral oposto não partindo para o ataque. Assim já temos 4 jogadores preparados para um eventual contra ataque. Maior organização não?

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Claro que existem problemas, que o Universidad Católica, mesmo não tendo tanta qualidade.  E aqui vai um ponto que observei junto com o amigo Rique Mathias, analista do MW Futebol, que é o ataque diagonal nas costas dos laterais do Grêmio. Matheus Henriquee e Maicon não tem como característica a ocupação territorial para defender,  são focados em ter a bola, desenvolver jogadas. Já Michel ocupa mais os espaços, marca o território, o que melhora o sistema defensivo.

Como Alisson e Everton são pontas com pouca resistência física, mesmo que realizem o trabalho defensivo, voltando para fechar o setor, acaba ficando tudo nas costas de Geromel e Kannemann, por isso a importância de Michel para maior consistência. Existe a compensação de subir um lateral de cada vez, como vimos no frame acima, mas não é raro vermos o Renato utilizando os dois em campo ofensivo ao mesmo tempo.

Claro que o Grêmio se defende com a bola, tirando o ritmo do rival e trazendo o jogo para sua zona de conforto, mas quando o cenário fica desfavorável, somente através de uma organização, que se perdeu e está em evolução, que o Grêmio conseguirá marca. Um jogador adversário de velocidade precisa de uma leitura simples para cortar da ponta pro centro e pegar Leo Gomes/Cortez de calça curta, ai cabe aos zagueiros o embate e eles são excelentes, porém se dez confrontos perdem um, esse resulta invariavelmente em gol.

Um ponto de melhoria seria Jean Pyerre usando o físico dele em certos momentos para fechar o lado fraco quando o Grêmio ataca. Sabemos da qualidade imensa de JP, com uma grande técnica e chutes de fora da área, porém precisa ser mais participativo. Talvez aí temos uma nova dúvida do meio para frente, que foi um pouco estático conta o Católica, onde os gosl surgiram de um excelente lançamento feito por Michel, e treinado por Renato, e uma pressão alta, como falamos acima, de Leo Gomes. Jean Pyere se movimentou pouco e aguardou muito a bola no pé para buscar o jogo. Não há dúvidas que Luan, em sua melhor forma é titular absoluto, mas enquanto não vemos isso, a boa entrada de Thaciano faz pensar algumas possibilidades.

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Os dois frames que mostram Thaciano pelo meio e depois “pisando na área”. Em um lance desse surgiu o gol.

Com essa inconstância, natural pela idade, de Jean Pyerre e a espera do velho e ótimo Luan, será que não há possibilidade de Maicon ou Thaciano assumirem esse posto no meio? Assim teríamos Michel e Matheus Henrique de volantes, com Maicon e Thaciano pelo meio. Maicon com a qualidade do passe e controle da bola (um Douglas com mais vitalidade). Thaciano com intensidade, movimentação e chegada na área. Será???? Veremos…

@mwgremio

 

 

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2 comentários sobre “Reorganização defensiva – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 2 x 0 UNIVERSIDAD CATÓLICA

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