Athletico perde para o Boca Jrs na Bombonera – ANÁLISE TÁTICA BOCA JUNIORS 2 x 1 ATHLETICO

Por Henrique Mathias

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Depois de uma partida espetacular entre Athletico e Boca na Arena da Baixada, que terminou com a vitória do Furacão por 3-0, a expectativa era muito alta para essa partida na Argentina valendo o primeiro lugar do grupo.

O Athletico já sabia que teria os desfalques de Thiago Heleno e Camacho e horas antes da partida, perdeu também Bruno Guimarães, que estava com muita febre devido a uma amigdalite.

Tiago Nunes escalou sua equipe no 4-1-4-1 de sempre, optando por Paulo André na zaga e Wellington-Léo Cittadini no meio campo. Desta maneira a equipe paranaense entrou em campo assim:

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Já Gustavo Alfaro não tinha desfalques consideráveis para a partida e decidiu escalar o time no 4-3-3 com Tevez e Pavon no banco, com Zarate e Almendra titulares.

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O Boca começou o jogo com muita intensidade, trabalhando bem a pressão-alta e sufocando a saída de bola do Furacão. Sem Bruno Guimarães, Tiago Nunes manteve a ideia da saída em 3, com Wellington entre os zagueiros e manteve também a esquerda como lado forte.

Leo Pereira pelo setor como habitual e Léo Cittadini emulando Bruno Guimarães. Alfaro teve a leitura correta dos problemas que a equipe brasileira deveria ter com a mudança das peças e trabalhou muito bem os encaixes, todos direcionados pelo seu lado direito.

Benedetto com Leo Pereira, Villa com Renan Lodi, Nandez com Leo Cittadini. Por 20 minutos o Boca mandou completamente no jogo, não deixando o rival somar saídas e criando chances de gol através de recuperações em campo ofensivo.

Com a bola o Boca realizava a saída Lavolpiana com Ivan Marcone sendo o homem responsável por retornar para organizar o jogo e Almendra-Nandez oferecendo o suporte por dentro com linhas de passe.

WhatsApp Image 2019-05-10 at 17.45.30 (1)(Fonte: Instat/Edição; Juno Martins).

No momento de maior dificuldade na partida, veio a resposta firme do time de Tiago Nunes. A saída de bola passou a ser feita em 2+3 com Wellington em linha com Jonathan e Renan Lodi. Com essa mudança o time conseguiu tirar a efetividade do pressing do Boca. Os encaixes de Alfaro foram por água abaixo e o jogo mudou.

WhatsApp Image 2019-05-10 at 17.45.30Tiago Nunes mudou o lado forte da saída de bola se sua equipe para a direita, trazendo uma dinâmica diferente aos encaixes de marcação do Boca. (Fonte: Instat/Edição; Juno Martins)

Com a mudança na saída de bola Cittadini teve maior liberdade de movimentação, Nikão cresceu muito trabalhando por dentro junto a Lucho no ataque a entre linha rival e Marco Ruben apareceu bem no pivô, deixando toques de classe.

WhatsApp Image 2019-05-10 at 17.45.29Jonathan bem avançado no campo, Nikão e Lucho na entre linha rival. (Fonte: Instat/Edição; Juno Martins)

O Boca sentiu a melhora do Athletico e demorou para voltar a pisar firme na partida. O que aconteceu quando Mas acabou virando um meio-campista aberto pela esquerda e Almendra foi utilizado como lateral esquerdo na saída de bola.

WhatsApp Image 2019-05-10 at 17.45.29 (1)Nandez em linha com Marcone, Almendrae Mas com liberdade de ataque pela esquerda. Assim o Boca voltou a crescer na partida. (Fonte: Instat/Edição; Juno Martins)

Com o jogo ficando bem parelho depois dos 35 do primeiro tempo, muito bem Roni sendo o jogador do desequilíbrio no ataque e Leo Pereira sendo o homem do equilíbrio na defesa. O zagueiro do Athletico é um dos melhores zagueiros do país e merece uma chance na seleção.

WhatsApp Image 2019-05-10 at 17.52.35.jpegDesempenho de Leo Pereira na Libertadores 2019. (Fonte: Sofascore)

Benedetto saiu lesionado no final da primeira etapa e entrada de Abila condicionou o direcionamento de Alfaro para o segundo tempo. Abila não vai bem quando precisa ajudar na marcação.

Segundo tempo começou mais nervoso que a primeira etapa, com um jogo mais pausado por parte do Boca nos minutos iniciais.

O Boca não voltou marcando alto como no começo do primeiro tempo, preferiu manter um ritmo mais cadenciado e trabalhar bastante com Marcone entre os zagueiros. O Athletico se portou bem, com Roni bastante efetivo nas costas de Buffarini em cada recuperação em campo ofensivo.

Muito positiva a entrada de Erick no lugar de Lucho Gonzalez aos 60 minutos de jogo. Sua presença ofereceu maior mobilidade e intensidade ao time, que conseguiu manter a posse de bola e não sofrer com as subidas do Boca.

Aos 66 minutos o jogo começou a ser decidido e as cruzamentos laterais tiveram um peso muito grande. Nikão cobrou falta em direção a área e uma falha coletiva de toda a defesa do Boca permitiu que a bola chegasse ao lado contrário da falta onde Marco Ruben completou de peixinho. O jogo parecia ficar com um cenário positivo para o Athletico, que tinha a possibilidade de atacar as costas do Boca a cada recuperação, contudo o time de Tiago Nunes cometeu o erro de defender com muita gente dentro da grande área e desta maneira acabou permitindo que Zarate e Tevez que entrou aos 69, tivessem liberdade para ativar os laterais rivais.

WhatsApp Image 2019-05-10 at 17.45.30 (2)Athletico marcando com 7 jogadores dentro da área. (Fonte: Instat/Edição; Juno Martins)

Aos 72 minutos de jogo veio o empate do Boca. Mauro Zarate levantou a bola na área, Leo Pereira ficou sozinho com a dupla de zagueiros do Boca e o gol saiu. Izquierdoz tocou na bola no alto e Lisandro Lopez ficou na boa para completar para o fundo da rede. O goleiro Santos deveria ter saído do gol, ter sido mais ativo. Contudo é importante comentar que o zagueiro Xeneize estava impedido quando marcou o gol.

A entrada de Tevez mudou completamente o ritmo ofensivo de sua equipe. Mesmo que cada vez mais lento e com problemas para atacar a entre linha rival, continua sendo muito diferente no aspecto técnico. Com sua entrada o Boca conseguiu trabalhar melhor a profundidade que Buffarini oferece e trouxe Villa para produzir por dentro.

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Além da melhora da equipe em si, Tevez foi decisivo também por expulsar Wellington. O volante do Furacão foi expulso aos 79 minutos de jogodepois de cometer falta violenta. Com um jogador a menos em campo e sem conseguir somar saídas para contra-ataque, o Athletico se fechou e conseguia defender bem a enxurrada de cruzamentos laterais do Boca.

Quando faltavam 3 minutos por jogar, mais os acréscimos, Tiago Nunes colocou Marcio Azevedo no lugar de Marco Ruben, para oferecer uma opção de saída por dentro, contudo o lateral esquerdo foi bem mal no lance que decidiria a partida. Desconcentrado, não percebeu o movimento de Tevez e deixou Carlitos livre para realizar o chute de fora da área e garantir o primeiro lugar do grupo para sua equipe.  Nos 21 minutos que ficou em campo o camisa 10 do Boca acertou todos os passes que tentou (foram 13 passes) e deu 4 passes para finalização.

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O Athletico avança para as oitavas com a segunda colocação, um nível de jogo excelente e mostrando que consegue realizar boas partidas mesmo quando não pode contar com seu principal jogador. Léo Cittadini fez um bom jogo substituindo Bruno Guimarães. Contudo precisa aprender com o que acabou sofrendo na Bombonera e carregar estes aprendizados para a próxima fase.

@RiqueMathias

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