Um mosh para a final – ANÁLISE TÁTICA LIVERPOOL 4 x 0 BARCELONA

Por Daniel Klabunde

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Um mosh, para os apreciadores de Rock’nRoll, significa se lançar na multidão, nos braços dos fãs, literalmente. Um ato de coragem e orgulho para aqueles que o fazem sem pestanejar. E foi assim que os comandados de JürgeKlopp foram à campo nesta terça-feira, pelo jogo de volta das semifinais da Uefa ChampionsLeague, com coragem e levando com sigo o orgulho de seus fãs para conseguir uma virada histórica sobre um dos maiores e melhores times do mundo, o qual ainda contava com um jogador fora de série que havia decidido a primeira partida.

Tudo começa a se desenhar na escalação de Klopp, onde o alemão não improvisou, mas sim, efetuou as substituições como deveriam de ser, cada jogador no lugar que deveriam estar e como deveriam se comportar.

WhatsApp Image 2019-05-08 at 11.59.17Imagem feita pelo autor, com o APP TacticalPad.

Por motivos de lesão, Klopp teve que efetuar três substituições, colocando Origi no lugar de Firmino, Shaqiri no lugar de Salah e Milner no lugar de Keïta, e os três deram conta do recado, com Shaqiri não aparecendo tanto na partida como seus companheiros, mas desempenhando ótima função tática, a qual era responsável por puxar Jordi Alba para a parte central enquanto Arnold se movimentava pelo corredor, e assim ganhando espaços para efetuar os cruzamentos.

WhatsApp Image 2019-05-08 at 11.59.25Posicionamento médio do Liverpool mostra Shaqiri (23) mais por dentro puxando a marcação e deixando o corredor livre para Arnold (66).

Essa movimentação fazia com que o lateral espanhol se preocupasse mais com o jovem lateral inglês e o atacante suiço, e consequentemente suas subidas ao ataque não eram tão rotineiras como da primeira partida, onde efetuou a assistência para o primeiro gol. A entrada de Arnold deu mais profundidade ao ataque do time inglês pelo lado direito, diferente do primeiro jogo onde Gomez, com características mais defensivas, se resguardava mais para tentar bloquear Jordi Alba, e assim sofrendo muito por este lado.

No gol, Alisson mais uma vez se destacou positivamente, como tem sido durante a temporada, efetuou 5 defesas difíceis durante a partida, terminando mais uma vez sem levar gol. Matip, que vem se destacando neste final de temporada, cresceu muito de produção ao lado de Virgil, sendo um dos melhores em campo, com inteligência e sem afobação, fez boas interceptações e propiciou bons lançamentos na iniciação das jogadas quando o meio estava congestionado, e com isso pegava os seus companheiros posicionados nas costas dos defensores espanhóis.

WhatsApp Image 2019-05-08 at 11.59.32Lançamento que iniciou a jogada do primeiro gol.

Esta foi a proposta de jogo de Klopp para a partida, com Origi como atacante, o técnico alemão sabia que novamente não teria o poder ofensivo que Firmino da ao time com sua movimentação de recuo para armar o ataque ou gerar espaços aos companheiros, então a saída foram as bolas longas, tanto os lançamentos quanto as viradas de jogo com muita velocidade, sempre se utilizando preferencialmente de Fabinho, Matip ou Virgil, pois eram os responsáveis para efetuar o desafogo do time, e visando Origi ou Mané no ataque, ambos com muita velocidade e força física, podendo facilmente brigar com os defensores.

Fabinho nesta partida podemos dizer que foi beneficiado pela fraca marcação recebida de Rakitic, diferente da primeira, o croata acompanhava de longe o brasileiro, deixando que ele recebesse a bola na base e trabalhasse com certa tranquilidade. Mas isso também foi possível pois Henderson e Milner se juntavam ao brasileiro na saída de bola, caracterizando um 2-3, onde os laterais se posicionavam a frente da linha de 3 homens de meio abrindo o meio campo Blaugrana e assim gerando superioridade numérica para organização e não sofrendo com as perseguições de Rakitic e Vidal.

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O grande ponto da partida sem dúvidas nenhuma foi a intensidade do jogo proporcionada pelos Reds, como Klopp gosta que seja, desde o primeiro minuto exercendo o pressing (pressão no campo de ataque, perto da área adversária), esmagando os defensores contra alinha de fundo, alinhada a pressão pós-perda, e assim conseguindo recuperar o mais rápido possível a posse de bola. E foram assim os 90 minutos de partida em Anfield, correria, aplicação na marcação e sendo vertical na hora do ataque, sem trocar muitos passes nos homens de defesa, caso não conseguissem sair jogando pelo chão, aordem era efetuar as bolas longas.

Na organização defensiva, Klopp conseguiu fazer com que Messi ficasse um pouco fora da partida, isso foi possível, pois o alemão reduziu o espaço entrelinhas que o argentino atua normalmente, fazendo com que o jogador do Barcelona tivesse que recuar mais que o normal para receber as bolas, e assim tendo muito campo para percorrer até chegar à área inglesa e consequentemente sendo obrigado a trocar pelo menos um ou dois passes com os seus companheiros. E era neste momento que os Reds se beneficiavam, com sua pressão e também aproveitando o baixo rendimento de Coutinho, conseguiam efetuar várias roubadas de bola.

WhatsApp Image 2019-05-08 at 12.08.11Messi com pouco espaço entrelinhas, tendo que se posicionar como atacante ou voltando a frente da penúltima linha de defesa para receber a bola.

A intensidade dos Reds era tão alta que desestabilizou o jogo de posse de bola do Barcelona, tirando a calma do time em tocar a bola até encontrar o melhor momento para finalizar, tendo que ser ágeis nas decisões ou aderir ao jogo direto, tamanho era o caos proporcionado pelo time inglês, foram 67 bolas longas dos Blaugranas contra 54 do Liverpool, e este jogo direto não propicia o futebol de Messi, que pouco apareceu e ficou a mercê e sozinho a frente da zaga inglesa. Essa pressão constante tirava a comodidade do time espanhol, tanto que o jogo terminou com apenas 58% de posse para os Blaugranas.

Em uma partida desta magnitude é necessário que os jogadores estejam sempre bem atentos, concentrados, e que sejam inteligentes o suficiente para encontrar alternativas de defesa ou ataque. E foi o que Trent Alexander-Arnold mais exerceu durante o embate, o destaque da partida foi quase perfeito na sua atuação, foi muito seguro na defesa, mas mais seguro ainda no ataque, onde usou de sua inteligência para encontrar Origi livre dentro da área em cobrança de escanteio, enquanto a defesa ainda se posicionava.

WhatsApp Image 2019-05-08 at 12.08.31Imagem: SofaScore.

E como um mosh de um fã se lançando de um palco onde está tocando a sua banda de Rock predileta, Klopp e seus comandados se lançaram a mais uma final de Uefa ChampionsLeague, a segunda consecutiva.

@dktricolor

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