Efetividade Alvinegra – ANÁLISE TÁTICA BOTAFOGO 1 x 0 FORTALEZA

Por: Guilherme Monteiro e Gêra Lobo

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Neste domingo (5), Botafogo e Fortaleza se enfrentaram no Nilton Santos pela 3° rodada do Brasileirão. Uma partida marcada pelo desejo de protagonismo das duas equipes. Assim como na quinta-feira, o Botafogo foi mais efetivo que seu adversário e levou os 3 pontos.

As equipes:

WhatsApp Image 2019-05-06 at 20.19.04Via: TacticalPad.

Os 11 iniciais em relação ao último jogo, foi praticamente o mesmo. Tirando Marcinho que foi substituído por Fernando.

Já o Leão do Pici veio a campo com 6 alterações em relação ao jogo contra o Furacão. Entraram: Tinga, Nathan Ribeiro, Juninho, Romarinho, Osvaldo e Wellington Paulista. Saíram: Gabriel Dias, Roger Carvalho, Paulo Roberto, Edinho, Marcinho e Kieza.

O Botafogo sofreu no início com a boa marcação que os cearenses faziam, marcando num 4-4-2 em bloco médio, que poderia se transformar num 4-3-3 com Romarinho avançando um pouco mais. O Leão usou muito o lado esquerdo de ataque da equipe, pois se aproveitava da lenta recomposição de Pimpão e alguns erros em jogadas de escanteio e de passe dos cariocas. Tanto que a 1° boa chance da partida foi do Leão, com Wellington Paulista cabeceando na trave.

Após aos 15’ o jogo do alvinegro começou a fluir. Fazendo uma saída 3-2 com, os laterais que contribuíam muito na base da jogada, no entanto colocou-se em detrimento uma participação maior no campo de ataque. Com os laterais indo pouquíssimo a linha de fundo. A saída era lenta e a equipe criava pouco, contudo realizava uma pressão intensa ao portador da bola, incomodou bastante a saída do Fortaleza que aos poucos foi se desfazendo da ideia de sair por baixo e apelava pelas bolas longas.

WhatsApp Image 2019-05-06 at 20.19.11Saída do Botafogo no 3-2. Foto e Edição: Guilherme Monteiro.
WhatsApp Image 2019-05-06 at 20.19.16Encaixes e pressão constante ao portador da bola e suas opções de passe. Para sufocar a saída do Fortaleza. O Botafogo subia suas linhas e posicionava 4 jogadores para apertar a saída.

Com uma saída lenta e criação complicada, o Botafogo fez as bolas longas para Diego Souza um álibi e forma de tentar provocar alguma instabilidade no setor defensivo do leão. Diego posicionava-se caindo mais pela direita e arrastando os zagueiros do Fortaleza até a linha lateral. E usando sua força física, protegia e retinha muito bem a bola e com as aproximações de Erik e finalizações do mesmo o Botafogo criava as suas melhores oportunidades.

WhatsApp Image 2019-05-06 at 20.19.22Encaixes do Fortaleza, que conseguiram dificultar a saída do Alvinegro. E que teve com o recuo dos extremos e saída da referência de Diego Souza como válvula de escape. Foto e edição: Guilherme Monteiro. Via: TacticalPad.

Os laterais foram um grande trunfo de Barroca na última partida, mas desta vez foram bem vigiados e pouco profundos, por conseguinte o Botafogo não tinha um jogo externo forte e poderoso.

WhatsApp Image 2019-05-06 at 20.36.08Encaixes que o Fortaleza fazia, dificultando a ação dos laterais. Foto e Edição: Guilherme Monteiro. Via; TacticalPad.

No 2° tempo o Botafogo preferiu “entregar” a bola mais para o Fortaleza, e buscando se organizar melhor na defesa e acelerar com as transições e ser assertivo com as bolas longas. Resultado melhor não houve aos 25’ após boa jogada de Pimpão, Diego Souza girou, foi até o fundo, cruzou, Erik cabeceou, o goleiro espalmou e Alex Santana marcou no rebote.

As ideias de valorização da posse, uma boa circulação, verticalização e pressão constante se manteve, mas também os problemas com a criação se mantinham. João Paulo, Bochecha e Cícero foi muito bem marcados e sofreram com os bons encaixes que a equipe de Rogério Ceni promove.

Com a entrada de Marcinho o lado direito, que havia sido destaque no 1° tempo, foi o ponto chave para o Fortaleza criar. Usando muito o ponta Marcinho e por vezes o atacante Júnior Santos, ambos com boa capacidade de cortar para dentro e finalizar, foram um dos principais meios de o Fortaleza oferecer perigo.

Se na fase ofensiva não foram tão efetivos, João Paulo e Cícero, realizavam alguns encaixes importantes, para tornar a transição do Fortaleza complicada.

WhatsApp Image 2019-05-06 at 20.19.36Encaixes de Cícero e João Paulo que dificultaram as ações do Fortaleza. Foto e edição: Guilherme Monteiro. Via: TacticalPad.

Com a entrada de Alex Santana, o Botafogo teve um atleta com maior vigor físico e que acelerava as transições, no entanto perdia mais em circulação. Se perdia em circulação, ganhou em infiltrações, sendo que numa dessas infiltrações sai o gol do alvinegro que dá números finais ao placar.

Ainda houve a entrada de Yuri no lugar de Erik, que serviu mais como descanso para o extremo alvinegro, que já penava fisicamente.

O resultado foi adverso, mas o Fortaleza demonstrou evolução e uma boa solidez durante todo o confronto. Ceni manteve o 4-2-4, (como mostra a imagem no começo da análise.) Mas com o estreante Juninho fazendo a dupla de homens no meio com Araruna, e como funcionou. Contra o Athletico-PR, a saída de bola ficou meio complicada, com Paulo Roberto e Araruna alternando na sustentação ao goleiro Felipe Alves e aos zagueiros, dois jogadores que não tem como grande qualidade esse apoio para auxiliar a saída. Ainda sem Felipe, Ceni optou por Juninho mais recuado e auxiliando na saída, fazendo a função que Felipe faz muito bem, e deu extremamente certo, com o ex-Ceará acertando excelente lançamentos e ditando o ritmo do time. Foi uma estreia muito boa.

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Na frente, muita movimentação entre os quatro homens. Júnior Santos e Wellington Paulista trocando de posição, com, em vários momentos, um vindo buscar a bola para abrir espaço, atrair a defesa e deixar o companheiro no mano a mano. Mas uma coisa que não funcionou foram as jogadas pelos lados com as associações e até investidas de mano a mano com os pontas e laterais, esbarrando na boa compactação defensiva do Botafogo. Por dentro, pouquíssimas investidas, exatamente pela falta de um camisa 10.

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Além disso tudo, o Leão demonstrou dificuldade em finalizar a jogada no último terço. O time chegou e rondou bem a área dos cariocas muitas vezes, mas sempre pecando no último passe e tomando decisões erradas, como um chute mais arriscado, que poderia gerar algo mais perigoso se a bola rodasse mais e mais. Como já dito, o time de Ceni ainda sente falta desse camisa 10 que fará a bola chegar com mais qualidade aos atacantes e tirará o peso dos homens de lado, além de deixar o jogo do Fortaleza mais imprevisível.

Defensivamente, Ceni optou por Nathan no lugar de Rogar Carvalho. O jogador emprestado pelo Fluminense ajuda bastante na saída de bola, sendo um cara de ótimo passe, mas se mostrou estar sem o melhor ritmo de jogo. Essas trocas sem parar de Ceni são totalmente por conta da maratona de jogos do time cearense até a Copa América, com, praticamente, jogos a cada três dias.

O Botafogo agora encara o seu 1° clássico no Brasileirão, um jogo cercado de certa expectativa, pois, as equipes vêm desempenhando um futebol muito vistoso e alegre de se ver. Enfim, a atuação do Fortaleza foi boa sim no Nilton Santos. A equipe soube tanto se fechar quando o Botafogo, ficou bem mais com a bola, rodando, como quando teve a redonda, com Juninho, como já dito, liderando a circulação qualificada da bola e conseguindo abrir espaços. Porém, o Leão realmente não achou formas de furar a defesa e o goleiro Gatito. Mas não há nada a lamentar, já que a evolução desde a péssima estreia contra o Palmeiras é evidente.

@Guizaomb19 e @gerinhalobo_

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