O leão voltou – ANÁLISE TÁTICA FORTALEZA 2 x 1 ATHLETICO

Por Gêra Lobo e Henrique Mathias

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Após a derrota e péssima atuação na estreia diante do Palmeiras, o Fortaleza necessitava dar uma resposta ao seu torcedor contra o atual campeão da Copa Sul-Americana, o Athletico-PR. Pensando nisso, Rogério Ceni mudou bastante o time, com, mais especificamente, quatro mudanças, sendo três delas por opção técnica: Tinga, Felipe (contundido), Osvaldo e Wellington Paulista deram lugar a, respectivamente, Gabriel Dias, Araruna, Marcinho e Kieza. A equipe manteve o 4-2-4.

Sem Felipe e com Araruna, o Fortaleza ficou um time mais marcador e intenso, com Araruna fazendo uma dupla de volantes com Paulo Roberto. Porém, a saída da equipe também foi comprometida, por Felipe ser o cara que faz a bola chegar ao ataque, seja com passes curtos, lançamentos ou progressões interiores. Ele fez falta nesse sentido, pois nem Paulo Roberto, nem Araruna são tão qualificados com a bola no pé. Com isso, a saída com Felipe Alves ficou ainda mais importante, com os zagueiros abrindo o campo para criar espaço contra o Athletico, que abusou da pressão.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.52.23Fortaleza teve certa dificuldade de criar desde a base sem o Felipe (Foto: Reprodução/Esporte Interativo).

Já que estava sem seu melhor jogador de meio, o Leão abusou de outra forma para chegar ao ataque, que também funciona bem: ligações diretas para os laterais escorarem, buscando desmarques do quarteto de frente em velocidade. Dito e feito. O primeiro gol dos donos da casa saiu desta forma, com o desvio de Carlinhos, Marcinho se desmarcando e ficando no 1 contra 1 em velocidade com Thiago Heleno e passando para a belíssima finalização de Edinho. Jogada característica do time de Ceni.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.52.30O desvio de Carlinhos e a perfeita movimentação de Marcinho que iniciaram a jogada do primeiro gol (Foto: Reprodução/Esporte Interativo).

Defensivamente, o Fortaleza tentou evitar ao máximo o erro que o Vasco cometeu na primeira rodada: adiantar demais suas linhas para marcar o Athleticoe acabar criando espaços atrás. Mesmo que, em alguns momentos, os comandados de Ceni tenham subido mais, a base da sua formatação defensiva foi esperar mais, marcando em blocos médios/baixos e com duas linhas de quatro muito bem montadas e compactadas. O time sofreu um pouco no primeiro tempo, mas no segundo foi praticamente impecável, impedindo completamente as ações dos paranaenses, anulando, principalmente, Renan Lodi, muito pela ótima atuação de Gabriel Dias improvisado de lateral direito, e Marco Ruben, apagado durante todo o jogo.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.52.40Obediência tática dos comandados de Ceni (Foto: Reprodução/Esporte Interativo).

Sem o camisa 10 que Ceni tanto quer para seu time, é verdade que o Fortaleza ainda depende bastante de individualidades de caras como Edinho e Osvaldo, tanto que, mesmo jogando em casa, não foi uma equipe que criou tanto assim, a ponto de acabar sufocando o adversário. Porém, isso não foi um problema tão grande assim para os donos da casa, que em mais uma bela jogada individual conseguiu o gol da vitória, quando Osvaldo pedalou para cima de Jonathan, em sua jogada característica, cortou para o fundo e cruzou para Wellington Paulista, livre, marcar o gol da vitória.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.52.46A bela jogada de Osvaldo e a movimentação perfeita de Wellington Paulista no gol da vitória (Foto: Reprodução/Esporte Interativo)

Ainda tem muita coisa a melhorar para um time que quer sobreviver, sem sufoco, na elite. Porém, a vitória e a atuação segura em termos táticos anima bastante o Leão, que se recupera do tropeço doloroso da estreia e vem com tudo em busca dos seus objetivos.

Tiago Nunes não pode contar com Camacho e Lucho Gonzalez para o duelo diante do campeão da Série B de 2018 no Castelão. Entraram no time Wellington e Tomas Andrade. De resto o treinador mandou sua equipe titular a campo.

O Athletico tem utilizado o 4-1-4-1 como base defensiva, com Camacho a frente da área e Bruno Guimarães e Lucho jogando em linha com Roni e Nikão. Com as trocas que foi obrigado a fazer no time, a base defensiva para o 4-4-2 com Tomas Andrade subindo para pressionar os zagueiros do Fortaleza junto com Marco Ruben.

No momento ofensivo a dinâmica também mudou, com Bruno Guimarães permanecendo próximo a Leo Pereira formando o lado esquerdo como lado forte, mas assim como fez contra o Vasco, Tiago Nunes utilizou por muito minutos Nikão e Roni ao pé natural. Mas a maior mudança foi que em boa parte do primeiro tempo o Furacão atacou no 4-2-3-1 e não no tradicional 3-4-3.

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Apesar de entregar a posse de bola para o Athletico, Rogério Ceni continuou trabalhando conceitos posicionais, principalmente na saída de bola, com uma saída 3+1 com Felipe Alves como jogador de linha e Paulo Roberto sendo opção de passe atrás dos atacantes do Furacão.Marco Ruben e Tomas Andrade foram os homens responsáveis por pressionar o goleiro do Fortaleza. Já Nikão e Roni eram vigias dos zagueiros do Tricolor, mesmo que aguardando em posicionamento mais afastado.

Com Bruno Guimarães tendo maior responsabilidade defensiva e sem poder contar com jogadores associativos, o jogo do Athletico ficou bem mais previsível e desta maneira Renan Lodi pouco conseguiu produzir seja em profundidade ou construindo por dentro.

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No segundo tempo Tiago Nunes tentou utilizar Wellington na base da saída de bola da equipe, ainda que arriscasse um passe errado em setor perigoso, buscou assim potencializar seu melhor jogador. Com esse mecanismo funcionando melhor, Bruno Guimarães cresceu no jogo, juntando melhor os setores do time e trabalhando os apoios de Marco Ruben.

Defensivamente o campeão brasileiro de 2001 encontrou muita dificuldade para marcar Marcinho e Edinho. A velocidade de Edinho, somada a sua inteligência para trocar de posição em espaço reduzido, foi um terror para Jonathan.E a situação ficou ainda pior quando Ceni colocou Osvaldo no lugar de Junior Santos. Osvaldo utilizou sua capacidade no 1×1 para infernizar Jonathan e dessa maneira o gol da vitória do Leão foi criado.

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Na mesma sequência, entre o minuto 30 e 31 do segundo tempo, o Athletico permitiu situação semelhante ao rival. Osvaldo no 1×1 contra Jonathan, primeiro Carlinhos e depois Edinho atraindo a atenção de Bruno Guimarães e Roni e o pior de tudo, Wellington Paulista tendo liberdade para atacar o espaço entre Thiago Heleno e Leo Pereira. Na primeira vez Jonathan conseguiu afastar, na segunda vez WP não perdoou.

Fica o aprendizado para o time de Tiago Nunes. A postura não foi ruim, mas faltou agressividade na defesa e uma variação maior no ataque, aproveitando pouco a qualidade Marco Ruben no pivô por exemplo.

@gerinhalobo_ e @RiqueMathias

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