Messi é o verdadeiro caos – ANÁLISE TÁTICA BARCELONA 3 x 0 LIVERPOOL

Por Breno Barbosa e Daniel Klabunde

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Primeiro jogo das semifinais da Uefa Champions League entre Barcelona e Liverpool, pudemos ver uma exibição de gala de ambas as equipes, sempre buscando o ataque, com variadas movimentações, triangulações e marcação forte. Um jogo onde os detalhes foram preponderantes para o resultado, do lado dos Reds alguns erros no ataque e defesa, e pelo lado dos Blaugranas o desequilíbrio de um certo Argentino.

E foi assim que a partida transcorreu:

O técnico Ernesto Valverde surpreendeu e utilizou o meio-campista Arturo Vidal, na vaga do brasileiro Arthur, desta forma, o Barcelona foi a campo no tradicional 4-3-3-, porém com muitas variações e uma imensa atitude nas transições. No momento defensivo, os mandantes defendiam-se no 4-4-2, com Vidal fazendo a recomposição pelo lado direito, enquanto Coutinho tomava conta do canto esquerdo, Messi e Suárez tinham liberdade para pressionarem os zagueiros do Liverpool. Essa mudança, proporcionou que o Barça tivesse mais força e intensidade na marcação, pois o chileno Vidal ao lado de Sergi Roberto, neutralizaram às principais ações do lado esquerdo ofensivo dos visitantes.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.25.41Aplicação tática do Barcelona na marcação, com um 4-4-2 bem definido e intenso.

No momento de construção das jogadas, o time portou-se no 3-4-3, uma saída Lavolpiana (Busquets afundava na base), os laterais subindo e gerando amplitude, com Vidal e Rakitic preenchendo os espaços pelo meio, Coutinho pelo lado esquerdo, Messi e Suárez próximos, atuando nos buracos da entrelinha adversária. Coutinho era uma peça chave, o brasileiro atuou como extremo construtor, tinha liberdade para afunilar pelo meio, proporcionando espaços para Jordi Alba atacar o corredor esquerdo.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.25.49A ideia de Valverde era espaçar a defesa do Liverpool e criar buracos, buscando uma máxima amplitude com os laterais, além de basculações (movimentações) dos jogadores ofensivos e Messi com liberdade nas entrelinhas.

Na primeira etapa, os espanhóis tiveram 52% e apenas cinco finalizações, não conseguiram ter um controle sobre a partida e ditarem o ritmo das jogadas. Entretanto, os Culés aproveitam os espaços e foram eficazes para abrirem o placar. Jordi Alba apareceu no terço ofensivo, o espanhol deu um passe milimétrico e Suárez antecipou o defensor para marcar o primeiro no Camp Nou.

Com o Liverpool perdendo, os ingleses lançaram-se ao ataque e criaram boas chances, mas pararam em Ter Stergen, outra grande partida do goleiro alemão. A recomposição e a marcação pelos lados estavam frágeis, proporcionando espaços para o Liverpool e com os blocos um pouco distantes. Valverde percebeu e colocou Nelson Semedo na vaga de Coutinho, o português atuou como lateral-direito, enquanto Sergi Roberto ficou na segunda linha pelo lado direito e Vidal foi deslocado para o setor esquerdo, com o intuito de neutralizar às investidas do lado direito ofensivo dos ingleses.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.25.57Surpresa na escalação, Arturo Vidal foi muito importante na parte tática. O chileno atuou pelo lado direito e esquerdo, cumprindo a risca suas obrigações defensivas.

Aos poucos, a pressão do oponente foi diminuindo e o Barça voltou a criar boas oportunidades, numa delas, Lionel Messi fez ótima jogada e aumentou a vantagem dos Culés. O camisa 10 recebeu livre na entrelinha e não perdoou, um descuido que causou danos grandes para o Liverpool.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.26.05Momentos antes do segundo gol, Messi recebeu com muito espaço e tem tempo o suficiente para arrancar e gerar o lance do segundo gol, anotado pelo próprio capitão Culé.

Com o adversário desnorteado, coube a Messi definitiva a vitória dos mandantes, após linda cobrança de falta e deixando o Barcelona com uma vantagem interesse para a partida de volta. Os espanhóis ainda criaram em alguns contragolpes, mas não obtiveram êxito. Lionel Andrés Messi Cuccittini, foi novamente o personagem do confronto, “Lá Pulga” atuou mais centralizado, próximo de Suarez e foi fatal nas oportunidades que teve em campo, o argentino vem desempenhando um nível incrível de performance e muito inteligente em todas suas ações dentro do jogo. Com o placar, o Barcelona agora tentará a classificação para a final, na próxima terça-feira, no Anfield, e espera contar com outra exibição de gala do “Et”.

E pelo lado do Liverpool, Klopp levou à campo uma escalação diferente que o habitual, e estranha também, colocando Wijnaldum como atacante no lugar de Firmino que foi poupado por causa de uma lesão. Wijnaldum é um volante com muita qualidade na hora de desarmar o adversário, mas sem conhecimento de como se portar no ataque, ainda mais tendo de fazer a movimentação que Firmino executa no time, que é o melhor neste quesito muito por ter características de armador. O holandês além de conseguir criar, também não conseguiu liberar espaços para os seus companheiros, sendo suas movimentações por muitas vezes de encontro a Mané ou Salah.

Se fosse para escalar Gini, que o colocasse no meio e deslocasse Keïta para a frente, esse sim poderia levar algum perigo à defesa do Barcelona por ter característica, conhecimento e habilidade para servir de armador, algo já executado nos seus tempos de RB Leipzig. Wijnaldum não conseguia jogar de costas para o ataque, receber, girar e distribuir a bola.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.26.12Escalação inicial. Imagem: TacticalPad.

Com a partida iniciando com muita intensidade, ambas as equipes muito fortes executando a pressão e dificultando a saída de bola adversária. Os Reds sofreram no início com a marcação individual exercida por Rakitic em Fabinho, tirando de ação o homem responsável por dar início ao jogo do Liverpool, e perdendo a base, foi necessário sair jogando com lançamentos ou forçando o passe quebrando as linhas, e assim dando mais condições para que o Barcelona recuperasse a bola.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.26.23Fabinho sofrendo marcação individual de Rakitic.

A saída encontrada por Klopp, Keïta começa a se deslocar para a base das jogadas enquanto Fabinho puxa Rakitic para os lados, e assim liberando espaço para o camisa 8 organizar a saída de bola. Com essa mudança o lado esquerdo ficava mais desprotegido com apenas Robertson na defesa em caso de contra-ataque do Barcelona, algo que ocorreu por algumas vezes, sempre puxados por Messi.

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Os Reds conseguiam produzir mais volume de jogo, dominando as ações de ataque e praticamente não deixando a bola chegar no Messi, isso era possível pois conseguiam executar a pressão na defesa Blaugrana, tanto na organização defensiva quanto na pressão pós perda. Mas era um volume de jogo sem muita efetividade, pois não conseguiam finalizar à gol, errando muitos passes no último terço do campo. Enquanto a defesa e meio rodavam a bola e trabalhavam bem, o ataque produzia, mas não efetivava o último passe, a famosa assistência. Tanto que foram 6 finalizações do Liverpool e nenhuma à gol.

Até que aos 24 minutos do primeiro tempo Naby Keïta se lesiona e é obrigado a deixar o campo, dando lugar para Henderson. Neste momento os Reds começam a perder a partida, pois já não tem mais a saída de bola qualificada e a pressão exercida na defesa Blaugrana, sendo um ótimo ladrão de bolas e tendo muita qualidade no passe e capacidade de drible.

A partir deste momento o Liverpool começa a adotar o posicionamento defensivo no 4-4-2 quando está em bloco baixo, ou seja, quando está com todos os homens antes da linha de meio campo, e não exercem pressão perto da área adversária, não somente pela saída de Keïta, mas também porque o Liverpool estava dando muitos espaços pelos lados, já que Alba e Roberto propiciam muita amplitude para o time de Barcelona e assim espaçando bem a defesa dos Reds, enquanto os três homens de meio se concentravam mais no meio tentando se resguardar das investidas de Rakitic e Messi. Um dos motivos da entrada de Gomez pela direita foi tentar bloquear as subidas de Alba e Coutinho, mas com esse movimento mais pelo meio, a lateral ficava mais exposta, e foi assim que saiu o primeiro gol da partida.

WhatsApp Image 2019-05-03 at 10.26.36 (1)Marcação do Liverpool no 4-3-3 no início da partida.

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Pela esquerda Robertson estava liberado para atacar, em parceria com Mané, aproveitou bem alguns momentos da partida e avançou à linha de fundo criando algumas boas situações de ataque.

Mas as melhores chances na partida para o Liverpool saíram dos pés de Salah, com boas arrancadas e dribles, envolveu a defesa do Barcelona e levando perigo a meta de Stegen, mas sempre com aquele problema do último passe. Os Reds só conseguem criar chances reais de gol no segundo tempo a partir da entrada de Firmino, que no primeiro toque na bola já demonstra a falta que fazia ao time, colocando Mané na cara de Ter Stegen, que acaba sendo bloqueado pela defesa, a bola sobra para o brasileiro que chuta entre as pernas do goleiro alemão com a bola sendo salva em cima da linha, na sequencia Salah chuta na trave.

Este foi o melhor momento, e o de mais perigo que o Liverpool conseguiu exercer sobre a defesa do Barcelona, levando para Anfield uma desvantagem de 3×0 na mala.

@brenobmarketing e @dktricolor

 

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