Os gringos decisivos: ANÁLISE TÁTICA – INTERNACIONAL 2×1 FLAMENGO

por Luiz Martins e Felipe Henriques

Em uma das melhores partidas da segunda rodada (se não a melhor), Paolo Guerrero reencontrou seu ex-clube. O peruano levou a melhor e ajudou o Inter a vencer a partida pelo placar de 2×1. Ainda tivemos gols de Arrascaeta, pelo Flamengo e Sarrafiore, pelo Inter, desempatando o jogo e selando a vitória colorada na segunda rodada do Brasileirão.

Mas como se desenvolveu este jogo ?

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Inversão do tripé de meio-campo e troca de posicionamento de Patrick e Nico. Variação proposta pelo Técnico Odair Hellmann, na partida (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Com algumas desconfianças da torcida, perante as últimas atuações do time, o técnico Odair Hellmann realizou uma pequena variação tática na equipe, somente alternando posicionamento de quatro jogadores do time considerado titular. Trouxe D´alessandro para um posicionamento mais centralizado, abriu Patrick o deslocando mais próximo do corredor, Nico López saindo do lado direito e buscando o centro do campo, para associar com os demais companheiros e Edenilson mais próximo a base da jogada, quase alinhado a Rodrigo Dourado.

inter02Aqui a inversão do tripé de meio, com D´alessandro subindo posicionamento, configurando a formação 4-2-3-1. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Com estas modificações, Edenilson mais recuado atuava muito como elemento surpresa, quando o Inter tinha a bola e em momento defensivo, subia pressão aos adversários, com algumas perseguições individuais setorizadas. Também era ele quem realizava a saída de bola da equipe colorada, sempre buscando um dos meias mais a frente. D´alessandro alternava bastante entre base e entrelinha, fazendo com que o sistema tático se alterasse entre um 4-2-3-1 e 4-3-3, variação está que já ocorria desde o ano passado, mas pouco perceptível. Com a inversão do tripé de meio-campo, tendo o argentino com total liberdade de movimentações (atuando como homem livre), ocorriam muitas alternâncias de posicionamento com Guerrero, Patrick e Nico, aproveitando bastante a falta de maior pressão do Flamengo (algo que já vem ocorrendo a tempos na equipe de Abel Braga), assim confundindo a marcação da linha defensiva de laterais e zagueiros. Outra questão muito bem aproveitada, eram as costas dos meias adversários, principalmente retirando Cuellar do seu setor, pra buscar agredir a meta do goleiro César.

inter03Edenilson ativo na saída de bola. Uma das situações corriqueiras na partida (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Era corriqueiro ver Patrick alternando com Iago, que atacava bastante por dentro, deixando o corredor para o meio-campista. Numa destas inversões, o camisa 88 sofreu a falta, que fora rapidamente cobrada por D´alessandro, que encontrou Guerrero em infiltração, para abrir o placar da partida para os mandante.

O Inter chegava com muita facilidade na área adversária, desperdiçando muitas chances de ampliar o placar. Nico López foi um dos destaques em finalizações, tendo perdido grande chance.

inter04Troca de posicionamento entre jogadores colorados, dificultava a marcação flamenguista. Na imagem, D´alessandro atuando mais na base, tendo Patrick e Nico mais por dentro, configurando um 4-3-3 (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Na parte defensiva o time colorado demonstrava sua já conhecida consistência, realizando pressões na saída de bola adversária, mas desta vez mais coordenadas e sem tanta intensidade, como ocorrerá nos jogos contra Palestino e River Plate ainda nesta temporada. O time realizava uma marcação com a linha gerada entre Guerrero e D´alessandro no círculo central (bloco médio). Assim brecava as ações ofensivas adversárias, tendo Rodrigo Moledo como principal destaque neste quesito, liderando desarmes e interceptações ao estrelado ataque flamenguista, dificultando as ações do principalmente de Bruno Henrique, jogador mais destacado neste início de temporada. Outra questão que chamou muita atenção, foi a atuação do lateral direito Zeca, que parece já sentir-se mais confortável e entendendo o funcionamento da ações da linha defensiva, propostas por Odair. O jogador fora muito bem, dentro de seu setor, sabendo os momentos corretos de sustentar a linha, sair para tentar desarmes e intercepções, sem comprometer o sistema defensivo. Além disso, conseguiu chegar ao ataque, realizando algumas ultrapassagens, quando Nico lópez deixava o corredor aberto, recebendo a bola para tentar cruzamento ou buscar passes encontrando companheiros à frente, dando melhor acabamento a continuidade das jogadas.

inter05Pressão realizada pela equipe colorada na primeira etapa, alternando com uma marcação em bloco médio (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Todas estas questões demonstraram um grande primeiro tempo do time colorado, dentro de seus domínios.

Para segunda etapa, Abel Braga concertou o erro cometido na escalação ao tornar o Flamengo mais organizado em campo. Começando pelo sistema defensivo, fez com que a linha defensiva atuasse mais recuada para dar mais tranqüilidade nos espaços cedidos nas infiltrações do ataque colorado. Na saída de bola, Renê recuava para auxiliar Léo Duarte e Rhodolfo, com Arrascaeta e Everton Ribeiro como interiores auxiliando Cuéllar na região central e com Bruno Henrique e Pará gerando amplitude pelos flancos.

inter06Léo Duarte, Rhodolpho e Renê realizando a saída de bola, com Everton Ribeiro e Arrascaeta dando suporte como interiores. (Fonte: Instat/Edição: Felipe Henriques)

Na fase ofensiva, Arrascaeta foi o organizador pela região central do campo, com Everton Ribeiro e Bruno Henrique abertos pelos lados e Gabigol como nove. Isso propiciou uma qualidade maior no ataque pelos lados e esse foi o foco para conseguir criar as principais chances do Flamengo no segundo tempo, principalmente com a movimentação de Everton Ribeiro buscando sempre associar-se com o camisa 14 uruguaio.

A movimentação dos dois jogadores mais talentosos na criação rubro-negra, somada ao jogo mais vertical da estratégia de Abel, fez com que o time buscasse chegar mais rápido à área adversária. Um exemplo disso foi como os dois, em poucos toques no contra-ataque puxado pela direita, conseguiram fazer a transição necessária para acionar Gabigol na área, no gol bem anulado pelo árbitro assistente.

O susto fez o Inter pressionar mais a saída de bola rubro-negra ainda no início do segundo-tempo, colocando mais homens para pressionar o usual lado direito com Pará, Arão e Everton Ribeiro. Contra o Cruzeiro, Abel tornou esse o lado mais forte de criação e investida, porém abusando de cruzamentos sem nenhum sentido. Quando a jogada foi criada pela esquerda, saiu o gol de empate fundamental na tentativa de conseguir a virada no segundo tempo.

inter07Espaço de avanço bloqueado pelo Inter pela direita. Arão é marcado por dois jogadores e suas opções estão neutralizadas pelo bom posicionamento da defesa colorada. Moledo e Cuesta tiveram grande atuação. (Fonte: Instat/Edição: Felipe Henriques)

A jogada do gol, aos 14’, nasceu de um lançamento lateral pela direita cobrado rapidamente por Gabigol, que buscou o passe curto com Pará e Willian Arão, onde o volante encontrou Arrascaeta, bastante participativo até então e ganhando duelos também na fase defensiva, na entrada da área. O passe visando Everton Ribeiro que se deslocava às costas de Rodrigo Dourado e Edenílson morreu no fundo do gol com a saída errada de Marcelo Lomba, enganado pelo movimento esperto de Everton.

Logo após o gol, o Flamengo até conseguiu ter um breve momento de mais intensidade no jogo sem bola para pressionar e forçar o erro na saída de bola do Inter, mas a postura reativa não teve nenhum resultado, ora pela ótima partida de Rodrigo Moledo na marcação à Gabigol, sem esquecer da atenção de Zeca aos movimentos de um discreto e pouco efetivo Bruno Henrique, ora pelo controle colorado no meio-campo principalmente após as boas substituições de Odair Hellmann.

Guilherme Parede e Martin Sarrafiore entraram nos lugares de D’Alessandro e Patrick para gerar mais amplitude ao ataque colorado. O 4-3-3 converteu-se em 4-2-3-1 com o jovem argentino livre para se movimentar pelo último terço e com Parede aberto pela direita. O Flamengo foi recuando suas linhas e, com uma marcação extremamente espaçada, passiva e sem atitudes para impedir um passe ou remate, o cenário da primeira etapa novamente foi repetido.

Foi então quando Guerrero teve boas chances e ganhou duelos importantes contra Léo Duarte, em lance que sua marcação individual facilmente batida, abriu um espaço imenso às costas do jovem defensor, também contra Rhodolfo, em lance que quase marcou seu segundo gol ao vencer o duelo aéreo.

A falta de compactação no sistema defensivo rubro-negro permitiu que um ataque simples do Inter fosse determinante para conseguir o segundo gol, quando Edenílson puxou o ataque e acionou Sarrafiore, que venceu o mal desarme de Renê e, mesmo cercado por quatro jogadores, conseguiu finalizar da entrada da área, no cantinho esquerdo de César.

Chama a atenção como o lance se parece com o gol de Pedro Rocha, no último sábado. Fred atraiu a marcação e com um passe fez com que o seu companheiro de ataque entrasse livre na área rubro-negra. Dessa vez, Sarrafiore tinha Renê, Cuéllar e Arão na marcação, Pará e Rhodolfo olhando a jogada e ninguém conseguiu parar o argentino. Como se não bastasse, Nico López avançava livre pela esquerda.

Falhas que custam caro e que vem sendo repetidas ao longo da temporada rubro-negra. Méritos do Inter que conseguiu avançar suas linhas e novamente dominar o setor ofensivo, além de não passar sustos nos contra-ataques pela eficiência de seu sistema defensivo, principalmente a dupla Rodrigo Moledo e Victor Cuesta.

Para conseguir o empate, Abel Braga sacou Arrascaeta e colocou Diego Ribas visando um controle maior da posse de bola. Não deu certo. Logo após o gol sofrido, sacou Willian Arão e colocou Lucas Silva para dar mais opções de velocidade pelos lados para apostar em cruzamentos, assim como a entrada de Lincoln no lugar de Everton Ribeiro em uma espécie de 4-2-4.

Não deu certo porque o treinador tirou seus dois jogadores mais criativos do setor ofensivo que tentavam fazer algo de produtivo no segundo tempo e, mesmo com uma atuação ruim, conseguiram contar com a sorte para correr atrás do empate. Arrascaeta foi decisivo de um lado, D’Alessandro, Guerrero e Sarrafiore foram do outro.

Vitória justa do organizado time do Inter contra um estrategicamente frágil Flamengo.

@lipe_henry

@ojunomartins

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