Modelo de Jogo

Muito se fala sobre o modelo de jogo, nas análises e debates sobre a forma de jogar de diferentes equipes, algumas análises são limitadas a destacar desenhos táticos dentro da partida, mas será que um modelo se resumo a isso?

O modelo de jogo é um conjunto de interações que estão constantemente se relacionando, são elas:

  • As ideias do treinador.
  • O grupo de atletas.
  • O Contexto.
  • Os princípios de jogo.
  • O Clube.

Podemos dizer que é o norteador dos trabalhos, o ponto de partida para os treinadores iniciarem suas tarefas nos clubes. É basicamente a organização de todo um processo de preparação com base nas ideias e conceitos estabelecidos anteriormente.

O processo para a definição de um modelo de jogo se divide em:

  • Modelo (conjunto de ideias).
  • Modelação (julgamento afim de saber se as ideias são adequadas ao contexto).
  • Modelo de jogo (processo final após a criação das ideias confrontados com as variáveis dentro do contexto).

Para entender melhor esse tema é necessário identificar o que é o sistema de jogo. O sistema ele é:

  • Vivo.
  • Dinâmico.
  • Imprevisível.
  • Caótico.
  • Ambíguo.
  • Complexo.

Diante disso fica a pergunta:

Como podemos identificar um sistema dentro de uma partida de futebol?

Resposta: Através da busca por interações entre todos os elementos que compõem o jogo. Que são:

  • Os torcedores.
  • Os jogadores.
  • Os árbitros.
  • A torcida.
  • A distribuição tática.

É necessário saber que todas essas interações tem influência em uma partida, a forma com que a torcida se comporta perante o jogo, a influência disso para os jogadores, a forma como isso pode afetar os árbitros, e a forma com que os árbitros podem reagir para com os atletas.

Imagem de jogo que contém todas as características de um sistema.

O campo pode ser dividido em 3 setores:

  • Defesa.
  • Meio.
  • Ataque.
Distribuição de setores dentro do campo de jogo.

Já o posicionamento da equipe dentro do campo pode ser dividido da seguinte forma:

  • Posicionamento/bloco baixo.
  • Posicionamento/bloco intermediário baixo.
  • Posicionamento/bloco intermediário alto.
  • Posicionamento/bloco alto.
Distribuição de posicionamentos dentro do campo de jogo.

Também é necessário observar e identificar o que são os corredores dentro do campo de jogo:

  • Corredor Esquerdo.
  • Corredor central.
  • Corredor direito.
Distribuição dos corredores dentro do campo de jogo.

Torna-se imprescindível destacar que o modelo de jogo tem a característica de tentar prever a maior quantidade de situações que uma equipe pode encontrar durante as partidas, mas isso não significa que ele será a representação exata da realidade.

O modelo quando criado divide as situações de jogo em:

  • Organização ofensiva.
  • Transição Ofensiva.
  • Organização defensiva.
  • Transição Defensiva.
  • Bola parada ofensiva.
  • Bola Parada defensiva.

Antes de tudo é necessário distinguir a diferença de organização ofensiva da transição ofensiva.

  • Organização Ofensiva: momento em que a equipe se posta em condições de criar situações de gol.
  • Transição Ofensiva: projeção da equipe do campo de defesa para o ataque.

Sobre diferença das situações na tipologia de defesa é necessário diferenciar transição e organização defensiva:

  • Transição defensiva: momento em que a equipe perde a bola e se projeta do campo de ataque para defesa a fim de impedir a progressão adversária no campo de jogo.
  • Organização Defensiva: momento após o deslocamento dos jogadores do ataque para a defesa para assim assumir um posicionamento a fim de oferecer resistência ao adversário.

Diante disso, inicia-se o processo para a elaboração de uma série de comportamentos para cada momento do jogo, onde são estabelecidos os princípios de jogo, que são responsáveis pela execução das ações dentro da partida com base nas características estabelecidas anteriormente. Nesta etapa os princípios são divididos em:

  • Princípios Gerais.
  • Princípios Operacionais.
  • Princípios Fundamentais.
  • Princípios Específicos.

Esses princípios são responsáveis por nortear as ideias que são levadas aos treinamentos com a intenção de gerar estímulos de ações coletivas e individuais a fim de provocar sinergias dentro do processo.

É necessário destacar e exemplificar a qual situação se refere cada um desses, abaixo trago alguns exemplos:

  • Gerais – Relação da quantidade de jogadores próximos a bola.
  • Operacionais – Comportamento/atitude dos jogadores dentro da partida.
  • Fundamentais – Organização funcional da equipe no campo de jogo.
  • Específicos – Identidade/característica do jogo praticado.

Um dos princípios táticos gerais de mais relevância para ser bem sucedido dentro de uma organização é:

  • Criar superioridade numérica.
  • Evitar igualdade numérica.
  • Não permitir inferioridade numérica.

Isso serve tanto para as ações ofensivas quanto para as ações defensivas.

Segue uma ilustração das situações colocadas acima:

Situações de inferioridade, igualdade e superioridade numérica.

A inferioridade, igualdade ou superioridade numérica podem ser:

  • Quantitativa.
  • Qualitativa.

Na superioridade quantitativa podemos identificar através da quantidade de jogadores próximo a bola, quantidade de jogadores dentro do espaço efetivo de jogo distribuindo numericamente com base em quem porta a bola e quem deseja recuperar.

Na partida qualitativa é necessário analisar a qualidade dos jogadores para resolver aquela determinada situação dentro da partida, observar se o marcador tem mais capacidade de se portar perante o combate ou o atacante de levar vantagem diante da resistência defensiva.

Seguindo essa linha de princípios, é necessário destacar que alguns deles independem do esquema, mas são extremamente necessários para as equipes que desejam ser bem sucedidas em suas ações, sejam elas defensivas ou ofensivas, como:

  1. Comportamentos ofensivos:
  • Aumentar o espaço efetivo de jogo.
  • Gerar amplitude.
  • Gerar profundidade.
  • Levar o máximo de jogadores para as ações ofensivas.
  • Obter compactação.
Posicionamento dos laterais para gerar amplitude.

2. Comportamentos defensivos:

  • Diminuir o espaço efetivo de jogo.
  • Bascular as linhas transversais (balanço defensivo).
  • Ajustar o balanço conforme a progressão da bola no campo de jogo (para frente, para trás e para os lados).
  • Pressionar o portador da bola. 
Imagem que destaca o espaço efetivo de jogo.

Movimentações para diminuir o espaço efetivo de jogo.

Diante disso é necessário estabelecer as abordagens (forma com que a sua equipe vai reagir após a perda), que podem ser chamadas de “tipos de marcação”. São elas:

  • Zonal: prioriza fechar os espaços.
  • Individual: pressionar um jogador em específico.
  • Mista: fechar os espaços e pressionar um jogador em específico.

Após esse processo vem as ações para executar esses comportamentos, que são:

  • Pressão: pressionar a bola e fechar as linhas de passe.
  • Indução: induzir o adversário para combater em algum setor/zona.
  • Reação: esperar a equipe adversária definir a ação ofensiva pra contra-golpear.

Com todos esse conceitos alinhados é imprescindível destacar que o modelo de jogo nunca é uma obra acabada, ele sempre está em constante mutação, sofrendo vários questionamentos ao seu respeito, muito porque depende de outras variáveis para funcionar. Vale destacar que o portador do modelo deve ter a sensibilidade e flexibilidade para saber a hora certa de analisar e mudar algo dentro do processo, ou rever seus próprios conceitos e ideias para ajustar a tudo que está ao seu redor.

@SampaioKleyton1

7 comentários sobre “Modelo de Jogo

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