O xeque-mate de Sampaoli – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 1 X 2 SANTOS

Por Rodrigo Costa e Maurício Wiklicky

O jogo foi espetacular. Do lado santista, Jorge Sampaoli promoveu mudanças que
foram cruciais para a vitória na Arena. O técnico argentino surpreendeu e escalou o
time num 3-4-1-2 (3-5-2, 5-3-2 em suas variações defensivas e ofensivas).

A estratégia do treinador santista deu muito certo. Com 35 minutos já estava 2×0
para o Santos. Apesar de ser um time propositivo, que gosta de ter a bola e criar
chances assim, o destaque desse jogo vai para a parte defensiva, com o Peixe
fazendo um jogo mais reativo e agressivo. A equipe se organizava num 5-3-2, com
uma marcação forte e intensa fechando bem os espaços, fazendo marcações por
encaixes e subindo a marcação na saída de bola adversária ocasionalmente. E por que isso ocorreu? Sampaoli e sua comissão técnica estudou o Grêmio esse ano, e viu que o time de Renato tem dificuldades na recomposição defensiva, e gosta de espaço no ataque.

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Organização defensiva do Santos. (Fonte: Premiere. Edição: Rodrigo Costa)

O que faltou de concentração e intensidade no último jogo contra o Vasco, vimos
nesse jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre (segundo gol). Quando subia suas
linhas para pressionar, o Santos conseguiu recuperar bolas próximas ao gol adversário, criando perigo. A pressão pós perda foi crucial para alcançar o resultado
fora de casa. Quando o time perdia a bola no ataque, os jogadores não recuavam,
em vez disso, tentavam roubar a bola em menor tempo possível. Essa intensidade surpreendeu o Grêmio, que é um time cujos adversários costumam dar o campo para jogar, marcando próximo ao seu gol, deixando espaços para o tricolor organizar o jogo na defesa e meio campo.

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Pressão pós perda santista. (Fonte: Premiere. Edição: Rodrigo Costa).

Os três meio-campistas fizeram uma marcação bem forte e intensa, destaque para
Jean Lucas. Os três conseguiram anular Matheus Henrique, jovem promessa do Grêmio, que faz o time jogar, com saída de bola qualificada. Eles faziam a flutuação (conceito explicado abaixo) de forma muito eficiente

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Flutuação se dá quando o time que não tem a bola se move, em conjunto, de um lado para o outro do campo tendo como base a circulação da bola. (Fonte: Premiere Edição: Rodrigo Costa).

Ofensivamente o Santos não abriu mão da posse de bola, mas nesse jogo, teve
menos tempo de posse, agredindo mais o tricolor em transições ofensivas rápidas e
intensas. Novamente vemos aqui o estudo de Sampaoli no time de Renato, pois no sistema 433, os extremas, nos casos pontas, não tem tantas funções defensivas. Com três jogadores no meio, sendo que dois deles, Jean Pyerre e Maicon, não tem intensidade e velocidade, Sampaoli viu a oportunidade da vitória. Quando tinha a bola se organizava num 3-1-4-2, que variava bastante. Os três zagueiros ficavam atrás, tendo Pituca mais à frente. Os alas (Felipe Jonatan e Ferraz) geravam amplitude, e tinha Jean Mota (esquerda) e Jean Lucas (direita) pelo meio. Soteldo e Sasha se movimentavam bastante na frente, caindo pelos lados e trocando de posições, assim confundindo a marcação de Geromel e Kannemann, que sem proteção do meio campo, ficavam no 1×1.

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Transições ofensivas do Peixe. (Fonte: Premiere. Edição: Rodrigo Costa)

O Santos voltou do intervalo com Alison no lugar de Jean Mota, com isso dando
mais liberdade para Jean Lucas, que fez boas escapadas pelo lado direito de
ataque. A proposta continuou a mesma, mas com as alterações de Renato, Tardelli no lugar de Alisson e Luan no lugar de Jean Pyerre, o Grêmio passou a dominar o jogo e ter chances claras (foram mais de 20 tentativas de gol), embora o Peixe
continuasse querendo o terceiro gol e não abdicando de atacar a contra-atacar.
No fim do jogo, com o tricolor pressionando bastante (inclusive com a entrada de Vizeu no lugar de Cortez, o que fez o tricolor gaúcho ter uma variação tática para o 3-5-2), a
equipe santista se fechava mais, recuando suas linhas de marcação e já não fazia
transições ofensivas tão rápidas quanto antes, mas sim cadenciava a bola,
controlando o jogo. Vanderlei, Veríssimo, Aguilar e Gustavo Henrique foram
importantíssimos para garantir o resultado. Enquanto o Grêmio perdia oportunidades de gol, uma em cima da outra, como essa de André:

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Peixe defendendo com mais jogadores próximos à meta de Vanderlei. (Fonte: Premiere. Edição: Rodrigo Costa)

Sampaoli mostrou que não existem apenas 11 titulares, mas sim um grupo de
jogadores para utilizá-los de acordo com a proposta de jogo necessária para
enfrentar cada adversário, inclusive com pequenas mudanças no modelo de jogo. A
torcida brasileira, em especial a santista, terá que se acostumar com essa “cultura europeia” que Sampaoli está trazendo para o Brasil e que irá fazer muito bem ao futebol brasileiro.

Já o Grêmio de Renato, que também fez um bom jogo, e vem em recuperação do seu melhor futebol precisa de algumas correções:

  • se for definido o 433 como esquema, Tardelli deve ser titular na direita, e no meio Maicon e Jean Pyerre não pode ser titulares
  • a mudança para o 433 sugere ser muito efetivo na frente, pois haverá muitos ataques no mano a mano com nossa zaga
  • Renato deverá manter o 4231, com Alisson na direita dando equilíbrio ao time, com Everton com maior liberdade para atacar
  • Luan deve retornar a sua vaga de titular naturalmente, pois faz abrir os espaçoes em defesas fechadas
  • Tardelli deverá ter lugar no time, talvez como atacante, se movimentando e trocando de posição com Luan
  • nossos laterias precisam melhorar: Leo Gomes defensivamente, e Cortez ofensivamente.

Um jogo que pode ser repetido mais vezes ao longo do campeonato brasileiro, pois os torcedores gostarão de ver dois times tentando o gol, em jogos muito estudados, um jogaço que pode ser resumido nos posts dos jornalistas André Gallindo, Gian Oddi, Rodrigo Mattos e Gabriel Carneiro:

@costa_rodrigo95

@mwgremio

4 comentários sobre “O xeque-mate de Sampaoli – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 1 X 2 SANTOS

  1. O ideal para o Grêmio seria usar o tardelli como meio central e preparar o jean pierre(evoluindo sua capacidade de marcação) para se tornar o
    Substituto do maicon (que cada vez mais sofre com a parte física) pois ambos tem características muito parecidas e definitivamente jean pierre não pode jogar de costas. Alisson deve ser mantido na direita

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