Furacão feroz – ANÁLISE TÁTICA ATHLETICO 4 x 1 VASCO

Por Ricardo Leite e Henrique Mathias

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Depois de ser derrotado pelo Jorge Wilstermann em Cochabamba e ter adiado sua classificação para as oitavas-de-final da Copa Libertadores para o duelo contra o Boca na Argentina, Tiago Nunes mandou força máxima a campo na Arena da Baixada para a estreia no Campeonato Brasileiro contra o Vasco. Com Lucho Gonzalez ainda lesionado, Tomas Andrade continua sendo o primeiro substituto.

Com esperança renovada pela vitória diante do Santos, e a novidade com Marcos Valadares no banco de reservas, o Vasco foi ao Paraná, enfrentar o Athletico. Como Peixe e o Furacão possuem algumas semelhanças em seu modelo de jogo, o comandante vascaíno escolheu manter o esquema com 3 zagueiros, mas fez algumas mudanças (todas forçadas por lesões). Fernando Miguel, Castán, Rossi e Lucas Santos não estavam fisicamente aptos para serem relacionados e com isso, Valadares preferiu utilizar o jovem Miranda na zaga, adiantando Cáceres para jogar de ala e Pikachu foi responsável pela criação.

Antes da partida, alguns equívocos ou riscos já eram comentados por nós, como a manutenção de Danilo Barcelos na esquerda, mesmo em má fase e sendo o principal alvo de ataques no sistema defensivo, e a utilização de Pikachu pelo meio, mesmo já tendo demonstrado dificuldades enormes, quando utilizado nesta função anteriormente. Tiago Nunes respondeu ao sistema de Valadares, invertendo Nikão e Roni de lado. Nas partidas anteriores do time A do Athletico no ano, lembrando que foram apenas 8 jogos e que o time foi campeão estadual com uma equipe B, Roni sempre jogou pelo lado esquerdo e Nikão pelo lado direito.

Desta maneira, a dinâmica sempre foi trabalhar com os pontas tendo a diagonal para o centro, cortando e finalizando, já que Roni é dentro e Nikão é canhoto. Nesta partida o trabalho foi diferente, com os dois trabalhando ao pé natural e aproveitando as costas dos dois alas do Vasco.

O Vasco manteve a linha de 5, marcando no 5-4-1, e tentando sempre subir a marcação, assim como contra o Santos, e esta talvez tenha sido a única estratégia que tenha dado certo durante a partida, gerando algumas dificuldades e erros por parte do adversário. Mas também é verdade, que apesar de alguns sustos, o Athletico conseguiu superar esta marcação na maioria das jogadas com muito êxito, aproximação e entrosamento.

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E aí surgiu um dos maiores problemas vascaínos na partida: A ocupação de jogadores rubro negros nas entrelinhas, dificultando a vida do sistema defensivo, quando era vencido ainda no campo de ataque. Camacho (Wellington), Bruno Guimarães, Tomás Andrade abusaram de jogar e controlar o setor de meio campo, e no último terço, buscava na maioria das vezes jogadas pelo lado de Danilo Barcelos e Ricardo Graça.

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Assim, o Furacão começou com volume, atacando os espaços e com alto número de atletas, e contava com a participação de seus “volantes” para serem seus diferenciais no campo de ataque. Outra diferença gritante foi a concentração: Os dois primeiros gols athleticanos saíram de jogadas rebatidas e “titubeadas” dos defensores vascaínos na hora de afastar o perigo. Sem excluir é claro, os erros de posicionamento ou falta de leitura das jogadas, pelos flancos o Athletico sempre conseguia gerar superioridade, pois a equipe vascaína se preocupava em ocupar a área, visando impedir as infiltrações dos adversários. E apesar da marcação por vezes ser alta, no campo de defesa, a linha de 4 (segunda linha de marcação) foi pouco agressiva, e deu conforto para a equipe mandante. O gol logo no primeiro minuto, além de desestabilizar, jogou por terra a estratégia vascaína.

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Com a bola, o Vasco tinha dificuldade em criar, manter a posse e atacar em bloco. Marrony tentou bastante, mas distante de seus companheiros e sendo sempre muito vertical, o máximo que conseguia era sofrer uma falta após tentar 1 ou 2 dribles. Pikachu, na maior parte das vezes de costas, estava pouco à vontade, como sempre fica nesta posição. Os alas simplesmente foram passivos na organização ofensiva, Maxi pouco participou. E para completar: a dupla de volantes que era pouco agressiva e estava perdida na marcação do Furacão, esteve em tarde pouquíssimo inspirada, tendo feito péssima partida em todas as fases do jogo.

Bruno Guimarães foi destaque mais uma vez, fez uma partida que beirou a perfeição em termos de circulação ofensiva. Sem Lucho e tendo perdido Camacho machucado ainda no primeiro tempo, o modo de atacar do time fica diferente, ainda que a ideia não mude. Tomas Andrade é um jogador mais ofensivo do que Lucho e Wellington é bem mais limitado do que Camacho como passador, sendo mais efetivo conduzindo. Desta forma coube a Bruno Guimarães, mais do que trabalhar acompanhando o lado da bola, ocupar toda a faixa central, carimbando cada início de jogada da equipe e oferecendo maior liberdade para que seus companheiros atacassem o espaço.

O Vasco demonstrou por vezes uma distância muito grande entre seus dois volantes (que são praticamente os armadores nesse esquema) e seus (5) homens de frente. Assim variava sua organização ofensiva entre o 3-4-3 com alas na linha dos volantes, e o 3-2-5, com alas dando amplitude no último terço, junto com homens de ataque. O Vasco até ensaiou uma pressão, aumentando o volume e a agressividade, mas o Athletico assimilou bem este momento e ainda conseguiu aumentar a vantagem quando era pressionado.

Com 2 a 0 ainda no primeiro tempo, e a equipe da casa totalmente à vontade, Valadares tentou algumas substituições, mas elas geraram pouco resultado. A primeira delas foi tática, adiantando Miranda para jogar no meio campo, buscando melhorar o controle e a proteção daquele setor. A equipe cruzmaltina sentiu falta de um armador (Bruno César foi entrar por volta dos 30 da segunda etapa) e também de alas participativos. E para piorar ainda demonstrou a fragilidade perigosa que foi regra no Campeonato Brasileiro de 2018.

O Athletico se recuperou da derrota sofrida na Libertadores e mostrou mais uma vez estar pronto, taticamente, fisicamente e tecnicamente, para ser uma das equipes que irão buscar grandes feitos na temporada do futebol brasileiro.

Para a próxima rodada, no meio da semana, a equipe recebe o Galo em São Januário, vale lembrar que a equipe mineira, que já foi eliminada da Libertadores, estrou com vitória no Brasileiro diante do Avaí. Valadares pode receber alguns reforços do Departamento Médico, mas é preciso saber ler as dificuldades que o Vasco vem apresentando e buscar soluções para esses problemas.

Já o Furacão viaja até o Ceará para enfrentar o Fortaleza, campeão da Série B em 2018 e que estreou perdendo para o Palmeiras em São Paulo.

Uma notinha final sobre algo que Tiago Nunes executou nesse jogo e que é bem interessante. No final de março a InternationalBoard (IFAB) decidiu fazer algumas alterações nas regras do Futebol. Foram realizadas mudanças relativas à marcação de mão na bola, ao local para substituição dos jogadores, cobranças de tiro de meta e bola ao chão.

Falando especificamente sobre a mudança em relação às cobranças de tiro de meta. A IFAB apontou que, agora, não haverá mais obrigação de que a bola deixe a grande área na saída de bola em tiros de meta ou cobranças de falta dentro da área.

Essas regras começaram a ser utilizadas no futebol brasileiro nesta primeira rodada do campeonato nacional e Tiago Nunes já tirou proveito delas para melhorar o desempenho de sua equipe, como veremos abaixo.

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Jogando com a nova regra, o Athletico buscou em vários momentos da partida, ter dois jogadores dentro da sua área, atraindo a marcação do Vasco, criando um espaçamento entre as linhas do Vasco e facilitando sua circulação ofensiva. Além disso, com essa mudança a equipe tem maior tranquilidade para realizar os passes e minimiza os erros que poderiam acontecer com Santos como passador.

@riquemathias@analisevasco

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