Qual a real importância do esquema tático?

Por: Davi Magalhães

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Uma reflexão sobre a importância do esquema tático e a sua relação com a tática e o modelo de jogo do treinador.

Nos últimos tempos, têm crescido o número de interessados sobre o mundo da tática. Nunca as análises táticas estiveram tanto na pauta como hoje. Claro que a parte tática não é único fator determinante no resultado de uma equipe. Há outros fatores como: físico, psicológico, técnico. Mas a parte tática é fundamental para o time obter o resultado desejado. Afinal, as ações individuais e coletivos dos jogadores no jogo de futebol denomina-se tática. Ou seja, a tática seria o norte dos jogadores em campo. Os indicando o melhor posicionamento, a melhor tomada de decisão, visando o melhor desempenho da equipe.

E o que seria esquema tático?

Esquema tático seria o modo como os jogadores se posicionam em campo. É a referência para a ocupação do espaço dos jogadores no campo de jogo.

Exemplos: 3-5-2, 4-3-3, 4-4-2, entre outros. O esquema tático é extremamente importante para o jogo. Com ele, os jogadores possuem uma referência do espaço também e não só da bola.

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Muitos consideram o goleiro como a primeira linha de marcação. Sendo assim, o time acima se defende no 1-4-1-4-1.

O esquema tático não define se uma equipe é defensiva ou ofensiva.

Por ser um conceito simples de entender, muitos acreditam que a tática só se baseia no esquema tático. Porém, isso não é verdade. É possível jogar de maneiras distintas adotando um mesmo esquema tático. Atualmente, por exemplo, vimos o Liverpool adotar o 4-3-3, apostando na marcação pressão alta, no campo de ataque.

Enquanto, Guardiola sempre usou o 4-3-3 para aplicar as suas ideias de um jogo baseado na construção ofensiva através de passes curtos.

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Pep Guardiola, treinador do Manchester City

Ou seja, o esquema tático não pode servir de parâmetro no momento da análise de desempenho. Pois, o que define isso é o plano de jogo (estratégia) da equipe.

O famoso “modelo de jogo” expressa as ideias do treinador. Indicando se uma equipe optará por sair jogando desde a defesa ou rifar a bola para o centro-avante na saída de bola, e assim também nos outros momentos do jogo.

Deve haver uma relação entre esquema tático e as ideias do treinador?

Como disse Guardiola, os esquemas táticos dizem pouco sobre a maneira como as equipes atuam. Pois o futebol não é igual pebolim, os jogadores se movimentam muito.

Principalmente, em fase ofensiva, onde é preciso movimentar-se para ocupar e criar espaços na defesa adversária. Porém, é preciso haver uma relação entre esquema tático e as ideias de jogo do treinador.

Relação entre esquema tático e plano de jogo

Sobre essa relação, tem um ótimo vídeo do Professor Rodrigo Leitão publicado na Universidade do Futebol. No vídeo, ele fala da relação das ideias no momento defensivo e do esquema tático. Não existe um melhor esquema tático para se defender, pois isso depende das ideias do treinador.

Por exemplo:

Um dos treinadores que melhor monta sistemas defensivos na atualidade é Diego Simeone. O seu Atlético de Madrid já chegou em duas finais de Champions League com uma defesa extremamente sólida. Para isso, Simeone adota o 4-4-2. Pois, a ideia do treinador argentino é negar espaço ao adversário.

Para isso, ele adota o sistema que entende que melhor preenche o campo horizontalmente, aproximando as linhas de marcação, pressionando o portador da bola, negando espaço para o adversário jogar e  criar as chances de gol.

WhatsApp Image 2019-04-27 at 20.42.35Atlético de Madrid se defende no 4-4-2. Com esse sistema, o time consegue preencher bem o campo de defesa horizontalmente.

Para se defender no seu próprio campo de forma compacta, Conte aderiu o 5-4-1 no Chelsea. No título brasileiro de 2015 do Corinthians, Tite usou o 4-1-4-1 para montar um sistema defensivo sólido, difícil de furar.

Mas se o plano de jogo for realizar uma marcação no campo de ataque?

Bom, aí esses sistemas não seriam tão eficientes. Afinal, tanto o 4-1-4-1, quanto o 4-4-2 ou até o 5-4-1 procura preencher bem o campo horizontalmente, e no momento de pressão alta – no campo do adversário – é preciso preencher bem o campo verticalmente para cortar as opções de passe do adversário e roubar a bola mais próximo do gol.

Nessa ideia, é preciso aumentar as linhas de marcação, distribuir melhor os jogadores verticalmente no campo de jogo. As duas linhas de 4 não serão mais tão úteis.

Uma vez que não se pretende se defender a partir do meio-campo, mas sim subir a marcação e apertar a saída de bola adversária. Para executar essa ideia de jogo, Maurício Pochettino, semifinalista da Champions League, aderiu ao 4-3-1-2 ou 4-4-2 losango.

WhatsApp Image 2019-04-27 at 20.42.43Imagem da vitória do Tottenham sobre o Chelsea por 3 a 1, onde os Spurs atuaram no 4-3-1-2 que distribui melhor o time verticalmente para encaixar nos jogadores adversários e roubar a bola no campo ofensivo.

Entretanto, tanto o 4-3-1-2 quanto o 4-2–2-2 não são muito indicados para marcar em bloco baixo – a partir da intermediária defensiva – por não ocupar muito bem os espaços horizontalmente. O analista de desempenho Eduardo Cecconi fez um ótimo trabalho mostrando como o 4-3-1-2 potencializa a pressão alta e a agressividade.

Os jogadores, sobretudo do meio-campo, precisariam cobrir uma área muito grande do campo, não exercendo assim muito pressão no portador da bola, dando liberdade para o adversário jogar.

Outro exemplo disso é na transição ofensiva – momento em que o time recupera a bola. Nesse momento do jogo, o esquema tático deve estar aliado às ideias do treinador. Exemplo: Mano Menezes gosta de realizar uma marcação próximo ao seu gol, por isso, deixava o centroavante mais a frente, enquanto os outros 9 jogadores voltavam para formar as linhas de marcação. No momento em que o Cruzeiro retomava a bola, procurava esticar a bola para o atacante à frente, que segurava a bola até o time chegar no campo de ataque. Com poucos passes, o Cruzeiro construía um contragolpe.

WhatsApp Image 2019-04-27 at 20.42.52No frame, os 9 jogadores próximos de linha do Cruzeiro no campo de defesa formando o sistema defensivo. Enquanto o centroavante, que não aparece na imagem, fica à frente. (TV Globo)

Pense bem, se o centroavante estivesse retornado para formar o sistema defensivo, o Cruzeiro não poderia esticar a bola no momento em que recuperasse a bola. Uma vez que não teria ninguém lá na frente para receber o passe. Nesse caso, seria preciso sair em bloco, ou seja, sair junto através da troca de passes curtas. Já que os jogadores estariam próximos uns dos outros.

Vimos como o esquema tático está relacionado com as ideias de jogo do treinador. Claro que o esquema tático não define como uma equipe atua, é preciso analisar como ela se comporta nos momentos do jogo e ainda, a função que os jogadores exercem em campo. Entretanto, não há um esquema tático melhor por si só. O treinador deve optar pelo esquema que potencialize suas ideias e o futebol de seus jogadores.

Referências: Universidade do futebol, Caio Gondo e Eduardo Cecconi.

@magalhaesDavi_

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