Monterrey termina em vantagem os primeiros 90 minutos – ANÁLISE TÁTICA

Por Rique Mathias e Matheus Marques

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Diante de um El Volcan, estádio do Tigres, lotado e pulsante, os primeiros 90 minutos da decisão da Liga dos Campeões da Concacaf foram intensos, muito truncados e marcados por diferentes posturas do Monterrey entre os tempos.

Tuca Ferretti escalou o Tigres no 5-3-2, com Vargas e Valencia no comando de ataque e Gignac como opção no banco de reservas.

Já Diego Alonso optou pelo 4-3-3 como base inicial, mas na pratica o que tivemos durante o primeiro tempo foi um 4-4-2 que mudava para 4-2-4 com a alternância entre bloco médio e alto.

Durante os 20 primeiros minutos, o Tigres controlou totalmente a posse de bola, tendo a saída quase sempre em 3+1, mas alternando as peças que realizavam a La Volpiana. Muitas vezes foi Pizarro que esteve entre Meza e Ayala, como é mais habitual, com Salcedo passando para a ala esquerda e Rafael Carioca a frente da zaga. Outras vezes o mecanismo foi executado com Salcedo-Meza-Ayala e Pizarro a frente da zaga.

WhatsApp Image 2019-04-25 at 15.15.46Saída de bola do Tigres em 3+1.

O que não mudou entretanto foi o modo como os Rayados anularam transição rápida do Tigres.

Diego Alonso foi Diego Alonso até a alma, usando o seu pragmatismo parar armar o Monterrey de forma mais reativa e vertical no 4-4-2, utilizando encaixes curtos/médios na marcação, sempre com muita pressão e intensidade pra tirar toda a fluidez da saída de bola doTigres, fazendo o seu rival ter uma posse de bola estéreo.

Quando estave em bloco alto, o time de Alonso trabalhou em 4-2-4 com Pizarro saindo da zona central e avançando para ajudar Funes Mori a limitar as ações defensivas do time do Tigres.

WhatsApp Image 2019-04-25 at 15.19.57Exemplo do bloco médio intenso que o Monterrey fez para impedir os avanços do Tigres.
WhatsApp Image 2019-04-25 at 15.22.10.jpegAgora em bloco mais alto com o mesmo objetivo, dificultar a saída de bola limpa.

O Tigres sabia que seria um jogo onde seria condicionado ao total controle da posse de bola, mas também sabia de como o Monterrey pode ser efetivo com seu pressing e por isso sentiu muita a falta do Gignac no primeiro tempo. Vargas e Valencia ficavam “presos” as entrelinhas e pouco agregavam na construção do jogo.

As tentativas de jogo direto também não surtiram efeito, até por que acredito que a ideia não era essa. Quiñones e Aquino foram bem marcados e pouco desequilibraram as linhas rivais.

Ofensivamente o Monterrey foi crescendo no decorrer do 1° tempo. Bem reativo, usou bem a parede que Funes Mori oferecia e com as investidas de Pablon nas costas do zagueiro Salcedo, tirou totalmente a concentração do rival, que nos 10 minutos finais nem o controle da posse de bola conseguiu ter. Somado a isso a grande força da equipe na bola parada ofensiva, o Monterrey levou perigo ao gol de Guzman seguidas vezes até o escanteio onde Pabon colocou a bola na cabeça de Nicolás Sánchez, que marcou o 1×0 aos 44 do primeiro tempo.

O Monterrey mudou completamente a postura no segundo tempo. Com a vantagem no placar os visitantes se sentiram confortáveis para abandonar o bloco médio-alto de pressão e jogar com linhas bastante recuadas, marcando em 4-5-1 e deixando que o Tigres estabelecesse o seu jogo em campo ofensivo.

Tuca Ferratti fez alterações no segundo tempo afim de melhorar o desempenho ofensivo de sua equipe. As entradas de Gignac e Damm deram uma oxigenada ofensiva ao Tigres que pode finalmente ter um atacante de maior presença física no ataque, com isso Tuca fixou o lado direito como lado forte para tentar conseguir desequilíbrio por ali e espetou o Damm bem aberto pela esquerda.

WhatsApp Image 2019-04-25 at 15.24.05Organização ofensiva do Tigres durante segundo tempo, tendo lado direito “forte” afim de conseguir vantagem posicional e numérica.

Com as descidas do Duenas sendo mais constantes e com o pivô do Gignac sendo efetivo, o Tigres conseguiu aumentar seu fluxo ofensivo. Com isso Layun sofreu bastante no segundo tempo, sendo bastante visado pelos donos da casa perdeu muitos duelos individuais.

Contudo, Medina e Sanchez fizeram uma partida impecável. Defenderam sua área como defensores de elite e permitiram poucas chances reais de gol aos rivais. Quando elas chegaram, Barovero parou a finalização de Gignac e Pizarro cabeceou a melhor chance do empate para fora.

O jogo de volta no El Gigante de Acero promete pegar fogo, com a torcida do Monterrey ansiosa para vencer o maior rival na decisão da competição continental, vingando o vice-campeonato de 2018 pela liga local, no mesmo estádio.

Os primeiros 90 minutos já foram.

@RiqueMathias@MatheusM633

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