Classificação no sufoco – Análise tática de Vasco 2 x 1 Santos

Por Ricardo leite e Rodrigo Souza

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Com 2×0 contra e uma cara nova no banco, o Vasco recebeu a equipe santista em São Januário pela Copa do Brasil. A “novidade” era Marcos Valadares, jovem e promissor treinador do sub-20 vascaíno, conhecido por ser ofensivo e intenso. Mas na véspera, se noticiou que o comandante interino havia testado Cáceres como zagueiro para compor a zaga ao lado de Werley e Castán. Seria então uma “hipocrisia” um treinador que se diz ofensivo optar por três zagueiros precisando tirar uma grande desvantagem. Primeiro é importante salientar que não existe esquema ofensivo ou defensivo. É o modo da equipe se portar e a forma de executar as estratégias que dirão o rumo da equipe. E esse foi exatamente o ponto. Valadares traçou uma estratégia para superar o Santos, que era buscar se proteger das infiltrações dos homens de meio e também “diminuir o campo” dos extremos habilidosos do Peixe.

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Sem a bola, os agora alas Pikachu e Barcelos, voltavam para compor a linha de 5 ao lado de Cáceres, Werley e Castán. E todos os jogadores de meio se mesclavam para construir uma linha de 4 à frente deles, deixando assim, apenas Máxi Lopez à frente. Lucas Santos voltava pela direita, Marrony pela esquerda e os volantes faziam a contenção da faixa central. Algumas mudanças práticas também foram vistas na equipe sem a bola: As linhas se posicionavam bem mais próximas uma da outra, dando compactação essencial para melhorar o sistema defensivo e os jogadores começaram a pressionar o portador da bola, tirando assim o conforto do adversário. Por várias vezes (inclusive no primeiro gol), foi possível ver o Vasco subir sua linha de marcação e realizar encaixes nas opções de passe do Santos.

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Com a bola notamos uma melhora na saída de bola com 3 jogadores, e um aumento do apoio dos volantes neste momento inicial, com os alas bem adiantados para serem opções ofensivos juntos com os demais atletas de frente. Os alas aliás, jogaram abertos, em amplitude enquanto Marrony e Lucas Santos buscavam mais o centro, se aproximando dos volantes e também de Máxi Lopez. A equipe atacava praticamente num 1-3-2-5.

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Foi possível ver aproximação maior entre os jogadores e a criação de triângulos pelo campo, sinal de associação entre os jogadores, o que facilita a troca de passes e progressão pelo campo. Mas o Vasco também demonstrou por vezes muita precipitação na decisão, o que gerava perda rápida da posse. E até por “falta de costume”, a equipe cruzmaltina saiu em diversos momentos apostando no chutão para Maxi Lopez, o que não gerou muito resultado.

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Com pressão na saída e depois em bola parada, o Gigante da Colina conseguiu os dois gols que precisava ainda no primeiro tempo, e só não teve ainda mais volume, porque alguns jogadores não renderam individualmente o esperado como Lucas Santos, Pikachu e Marrony. O menino responsável pela criação, prendeu e perdeu muitas bolas, Pikachu também demorava a tomar decisões e era pouco incisivo, enquanto Marrony teve alguns erros técnicos. Os volantes por sua vez tiveram boas atuações, Lucas Mineiro se destacando mais no momento de construção e Raul se destacando tanto no momento ofensivo como no defensivo. O trabalho de Valadares ficou comprometido porque com menos de 25 minutos precisou tirar Castán e Fernando Miguel que se lesionaram, e entraram Ricardo Graça e Alexander respectivamente. Apesar da boa atuação de ambos, o treinador se viu limitado a colocar o time ainda mais para frente, pois só tinha uma substituição tática para fazer.

Na segunda etapa, o Gigante da Colina continuou se defendendo bem e os sustos por parte do Santos vinham fora das características deles, sempre no “abafa”. Num desses lances, num bate rebate, a bola sobrou pro Jorge na entrada da área, e Lucas Mineiro, demorou para pressionar o jogador que finalizou e conseguiu diminuir e dificultar a missão vascaína. Pós isso, o Vasco foi ainda mais pro ataque, transformando o jogo num verdadeiro com Kamikaze, com muitos espaços e chances para ambos os lados. O cruzmaltino ainda teve pelo menos duas chances claras e um gol (bem) anulado. Valadares optou por colocar Yan Sasse no lugar de Raul para aumentar a ofensividade, mas sem perder o poder de fogo de Pikachu e a proteção contra Soteldo, que vinha dando muito trabalho à defesa vascaína. Se por um lado a desclassificação foi doída, por outro a esperança que o treinador e a nova postura trouxeram, foram animadores.

SANTOS

Pelo lado do Santos, Jorge Sampaoli decidiu escalar o Santos com Jorge como titular na lateral esquerda, retornando assim Pituca para o meio campo. Portanto, o Peixe atuou dessa vez no 4-3-3 com Éverson; Ferraz, Aguilar, Gustavo Henrique e Jorge; Alison, Sánchez e Pituca; Derlis, Jean Mota e Rodrygo (enfim pela esquerda).

Quando tinha a bola, o Santos utilizava mais uma vez a saída sustentada, com cinco jogadores (os dois zagueiros, Alison e os dois laterais mais à frente). Na criação, Ferraz e Pituca mais uma vez atuaram como interiores ao lado de Alison. Já mais à frente, Derlis atuou aberto pela direita, Sánchez entrelinhas, Jean Mota como falso 9 e Rodrygo pela esquerda. Mas, diferente dos últimos jogos, poucas chances reais foram criadas, a marcação do Vasco estava bem encaixada.

Como destacado acima, Jorge foi a novidade na equipe. O lateral teve certa liberdade na fase ofensiva do time. Em alguns lances ele jogava alinhado com os três meio-campistas e em outros momentos, buscava atuar entrelinhas pelo lado esquerdo. Jorge e Rodrygo, teoricamente, qualificam bastante o lado esquerdo ofensivo santista, mas o lado mais usado pelo Santos foi o direito, com isso, Jorge e Rodrygo foram muito apagados na primeira etapa.

WhatsApp Image 2019-04-25 at 21.52.49Liberdade de Jorge no jogo. (Fonte: SporTV e InStat. Edição: Rodrigo Costa)

Defensivamente, o Peixe variava sua marcação de acordo com a posição da bola. Na marcação feita na saída de bola do adversário o time se postava no 4-3-3 inicial. Já na marcação no próprio campo de defesa o time se postava no 4-1-4-1, esquema base da organização defensiva santista. Essas mudanças se davam por conta dos encaixes de marcação que eram feitos pelos jogadores santistas nos vascaínos.

WhatsApp Image 2019-04-25 at 21.52.57WhatsApp Image 2019-04-25 at 21.53.06Organização defensiva santista baseada no 4-1-4-1 fazendo encaixes de marcação. (Fonte: SporTV e InStat. Edição: Rodrigo Costa)

Com a entrada de Soteldo (talvez o melhor jogador santista da partida) na vaga de Alison, no intervalo, alguns jogadores trocaram de posições e funções (além de fazerem isso durante o jogo). O time ficou mais ofensivo, mas manteve o mesmo esquema tático (4-3-3), agora com Pituca como primeiro volante e Jean Mota recuado para a linha dos meio-campistas (mas tendo liberdade de infiltração). No ataque, Soteldo atuou bem pela esquerda, com Derlis de falso 9 e Rodrygo na direita. Defensivamente o detalhe que chamou a atenção foi Sánchez recompondo pelo lado direito (em alguns momentos) para formar uma linha defensiva com 5 jogadores.

WhatsApp Image 2019-04-25 at 21.55.29Os jogadores santistas tiveram mais liberdade posicional nessa partida. (Fonte: SporTV e InStat. Edição: Rodrigo Costa)

Um ponto a se destacar são as transições ofensivas santistas (momento quando a equipe recupera a bola). Apesar de ter como característica propor o jogo, o Peixe também tem como ponto forte contra-ataques rápidos, com vários jogadores chegando na área. Com o Vasco buscando mais gols e cedendo mais espaço, a equipe da Vila encaixou alguns contra-ataques perigosos, que poderiam ser melhores aproveitados (talvez o nível de concentração abaixo tenha atrapalhado nesse sentido).

WhatsApp Image 2019-04-25 at 21.57.22WhatsApp Image 2019-04-25 at 21.57.29Ponto forte do Santos: transições ofensivas. (Fonte: SporTV e InStat. Edição: Rodrigo Costa)

No fim do jogo o Santos acabou sofrendo sufoco da equipe vascaína, apesar de que as melhores chances do Vasco terem surgido de erros individuais santistas, inclusive os gols, expondo mais uma vez a defesa de bolas paradas do sistema defensivo como um todo.

De maneira geral, a atuação santista foi fraca e abaixo dos últimos jogos (apesar de ter começado bem o jogo e ter tido bons lampejos no segundo tempo). O time parecia satisfeito, e não entregava a intensidade que nos acostumamos a ver do time na temporada. Parecia que a vaga já estava decidida. E isso não pode acontecer, o nível de concentração tem que ser alto em todos os jogos, do início ao fim, se quiser conquistar algum título na temporada.

@costa_rodrigo95 e @analisevasco

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