Recomeço Caseiro – Marcos Valadares no Vasco

Por Ricardo Leite

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Marcos Valadares, treinador com passagens pelas bases de Cruzeiro, Fluminense, chegou ao Vasco em fevereiro de 2018, e rapidamente foi dando sua cara à equipe alterando drasticamente o modelo de jogo e as estratégias para atingir suas ideias. Com a demissão de Valentim, o jovem professor será o interino e comandará a equipe diante do Santos, tendo que reverter 2×0 no placar. E se precisa de gols, Valadares tem a seu favor a veia extremamente ofensiva. Na Copa SP, competição de base com mais cobertura do país, em que o Vasco foi vice campeão, o time jogava prioritariamente num 1-4-2-3-1. E por quê esse “1” antes da disposição tática que estamos acostumados? Porque os goleiros, participam ativamente do jogo. Isso acontece para que seja um desafogo, gerando superioridade numérica em relação ao adversário para fazer a saída pelo chão (chamada de saída apoiada).

Para isso também, é necessário que os zagueiros tenham essa habilidade. Até por isso, não é incomum ver Valadares utilizar volantes na posição de zagueiros. Aconteceu com Ritter e Rodrigo (promovidos aos profissionais) e, durante a Copa SP, com Bruno Gomes. Mas o primordial para esse funcionamento é o que chamamos de apoio e associação, que nada mais é do que a movimentação e aproximação dos companheiros, dando opção de passe. Em relação aos volantes, o (ex?) comandante do sub-20 geralmente opta por leveza e forte capacidade construtiva – onde esses jogadores tenham participações ativas desde a defesa até as áreas mais avançadas do campo. Bruno Gomes, Linnick e Caio Lopes foram os destaques vascaínos da posição ao longo do campeonato e exerceram diferentes funções dentro das partidas.

Bruno Gomes era o responsável por criar na base da jogada. A equipe fazia uma “linha” de 3 jogadores (os dois zagueiros abertos + Bruno Gomes recuado), e adiantava seus laterais. Bruno fez uma competição irretocável e foi um dos atletas mais elogiados. Volante inteligente, que controla o jogo, valoriza a posse, mas que tem muita qualidade no passe de ruptura (quando o passe ultrapassa a linha de marcação adversária e faz a equipe progredir no campo de jogo. Sem a bola, jogador intenso, de boa marcação, vai bem no duelo 1×1 e possui ótima leitura e posicionamento. Jogador pronto em termos técnicos e táticos, podendo ainda evoluir nos aspectos físicos e psicológicos.

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Ao seu lado tivemos, na maioria das partidas Caio Lopes, um jogador que pode ser descrito em uma palavra: INTENSIDADE. Caio subiu há pouco tempo, mas orienta seus companheiros o jogo inteiro e participa de todos os momentos do jogo: marcação, transição defensiva, transição ofensiva e ataque propriamente dito. É um autêntico box-to-box (jogador que tem facilidade aparecer nas duas áreas durante a partida). Caio deu assistência, fez gol, finalizou de fora da área, desarmou, orientou, deu carrinho. Ele era o termômetro para a equipe sair de uma marcação em bloco médio para uma marcação alta. Além de “2° volante”, Caio também jogou de 1° volante, meia centralizado e até aberto, extremamente versátil.

O Vasco marcava, normalmente, num 4-1-4-1 e quando ele se tornava mais agressivo e exercia perseguições, a equipe mudava sua forma de marcar, algo totalmente diferente da passividade sem a bola tão criticada por nós na equipe do antigo treinador Alberto Valentim. Por muitas vezes, era possível ver a equipe marcando com 5 ou 6 jogadores no campo de ataque, subindo suas linhas e mantendo a compactação.

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Outra questão muito importante do modelo de Valadares são os extremos (pontas). Ele gosta de jogar com pontas invertidos (destro na esquerda e canhoto na direita), para dividir a responsabilidade da criação com o meia, são os chamados pontas construtores. Eles se posicionam bem abertos, para dar amplitude – que é uma ferramenta para abrir os sitemas defensivos e gerar espaços para infiltração. Mas, ao receberem, quase sempre optam pela jogada por dentro. E nas equipes de Valadares, esses jogadores normalmente precisam ser habilidosos, incisivos, com bom passe. Os que mais se destacaram nessas posições na Copinha foram Lucas Santos (que também jogou de meia, e hoje está nos profissionais) e João Pedro. Aliás, a forma de atacar do Vasco era bem peculiar, começava de forma cadenciada, com paciência e, ao chegar no ultimo terço do campo, ganhava intensidade  e verticalidade, para buscar potencializar o ataque através do talento individual desses jogadores.

https://www.youtube.com/watch?v=_9Jw3vWtdto&feature=youtu.be

Apesar de ter terminado a competição com a melhor defesa, o Vasco era um time que se arriscava demais, pois escolhia ser extremamente ofensivo, mesmo sabendo que poderia ceder espaços para os adversários. E essa era uma das razões para Valadares utilizar outro aspecto de jogo muito presente nas grandes e ofensivas equipes do mundo: a pressão pós-perda. Explico: ao perder a bola no campo de ataque (ou qualquer outro local do campo), os jogadores do setor exercem grande pressão imediata no local a fim de recuperar a posse, ou parar o lance. Tendo, inclusive, marcado alguns gols dessa forma na competição.

Alguns jogadores antes criticados por nós, como, fizeram uma Copa São Paulo acima do seu nível individual e merecem reconhecimento. Isso se deve muito ao fato do coletivo ser forte e organizado. Os reservas também foram muito bem utilizados por Valadares, que demonstrou sabedoria e conhecimento do seu grupo, utilizando diferentes jogadores, em diferentes funções, como Werick (Centroavante e meia), Laranjeira (volante e meia), Riquelme (LE e ponta) e Talles (centroavante e ponta).

Como nem tudo é perfeito, vimos, na competição, a possibilidade do treinador vascaíno buscar potencializar as participações ofensivas dos laterais do Vasco, a fim de gerar mais jogadas de superioridade numérica pelos flancos e também as ultrapassagens e cruzamentos da linha de fundo, assim como melhorar a transição defensiva, que era um risco comum que a equipe sofria, até por atacar com alto número de jogadores.

Após o vice campeonato na Copinha (nos pênaltis diante do São Paulo), Valadares perdeu alguns atletas e os recém chegados do sub-17 adquiriram mais espaços, mas os resultados e a filosofia de jogo tem sido mantidas, o que é facilitada pela presença de Celso Martins no sub-17 que possui jogo com modelagem pela similar, até pela filosofia de jogo que já está implementada na base do Vasco, desde as categorias mais novas até o sub-20.

Para esta partida diante do Santos, divulgou-se que o jovem treinador buscará segurar mais o lateral direito Cáceres, a fim de melhorar o balanço defensivo e explorar as forças ofensivas de Danilo Barcellos, que em suas passagens por outras equipes, chegou a jogar no meio e até no ataque. Não foi algo muito comum de ser visto, durante sua passagem na base vascaína, mas pode ter a ver com enxergar um modelo diferente para aproveitar as peculiaridades e características dos jogadores que tem nas mãos. Falta por exemplo, um jogador (volante) com característica de fazer a saída lavolpiana (saída de 3), o que pode levar Valadares a pensar em outras alternativas para iniciar as jogadas. Outra dúvida é o posicionamento dos alas, se ele será por dentro para preencher o meio, ou dando amplitude, assim como na fase defensiva, se iremos nos defender com linhas de 5 ou continuar defendendo com duas linhas de 4.

 

@analisevasco

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