Segundo jogo da final mineira – ANÁLISE TÁTICA ATLÉTICO-MG 1 x 1 CRUZEIRO

Por: Pedro Morais

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Em mais uma final repleta de polemicas antes e durante os jogos, Mano Menezes enfrentou um técnico interino na final do campeonato Mineiro pelo segundo ano seguido. O Atlético que vinha de uma semana conturbada, com demissão do Levir, perdeu a vantagem no primeiro jogo, e desfalques importantes, o desafio para Rodrigo Santana só se tornava cada vez maior. Mesmo com esses problemas o ex-URTmostrou muitas mudanças positivas, mesmo com pouco tempo de preparação, o torcedor atleticano foi para o segundo jogo com uma dose a mais de confiança.

Atlético fazia uma saída de três sustentada, mas que muitas vezes tentava ligações diretas ao ataque. Quando tentava uma saída mais trabalhada. Elias e Luan, principalmente o 27, ficavam responsáveis por fazerem a ligação entre a defesa e o ataque do time. Quando Zé Welison recebia a bola tentava encontrar o menino maluquinho para fazer a bola progredir no ataque.

Montado no 4-1-4-1, a ideia era avançar a partir das laterais na criação, principalmente pelo lado esquerdo. Segundo o FootStats, os três jogadores que mais se interagiram durante o jogo por parte do Atlético foram Luan, Chará e Fabio Santos. Dessa maneira que saiu o gol, por uma boa jogada do colombiano achando um passe para o pastor entre três marcadores. Era por aquele lado que o Atlético tentava grande parte de seus ataques. Luan e Chará se revezavam para quem abria e quem centralizava, afim de confundir a defesa do adversário e dar dinâmica no ataque. Entretanto, do lado direito, com associações formadas por Guga, Elias e Geuvânio, foram bem efetivas quando ocorriam, principalmente pelos mecanismos de centralização do camisa 49 no último terço, para as ultrapassagens do lateral alvinegro, que tem essa característica como ponto forte.

Pelos HeatMaps é possível notar a centralização de Geuvânio ao chegar no último terço e a o dinamismo que envolvia Chará e Luan entre centralizar e abrir o campo (Dados SofaScore).

A princípio o Galo mostrava faíscas de uma marcação com um bloco mais alto, Luan muitas vezes subia para pressionar os zagueiros. Não durou muito tempo já que sobrava um espaço na frente da zaga. A partir dos 15 minutos, o time priorizou esperar o Cruzeiro em blocos médios e baixos com os 10 homens atrás da linha da bola. Depois do gol de Elias, o time do Atlético se fechou mais e tentou jogar no erro do adversário. Também se defendendo no 4-1-4-1 o galo se defendia priorizando proteger os espações com duas linhas de 4. Zé Welison como primeiro volante protegia o espaço entre essas linhas. Porém a defesa não era agressiva, apenas balançava de acordo com a bola sem o intuito de pressionar o portador.

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O Galo foi bem efetivo nessa fase do jogo, conseguindo anular bem as ações ofensivas do adversário e protegendo bem a parte central do seu campo de defesa. Foram raros os momentos que a equipe celeste conseguiu entrar na área de Victor. No mapa abaixo, vemos como o Cruzeiro teve dificuldade na criação, sendo obrigado a rematar de longe pois não conseguia furar a defesa do Galo.

WhatsApp Image 2019-04-23 at 18.09.50Mapa FootStats.

Por se fechar após o gol, a estratégia principal era tentar ser vertical quando recuperava a bola e aproveitar dos contra-ataques para pegar o time do Cruzeiro desprevenido. Foi nesse ponto a grande dificuldade do Atlético. Talvez por estar jogando contra um adversário que sabia muito bem se defender, e ter tido pouco tempo de preparação com o novo treinador. O Atletico não conseguia ser rápido nas transições e a estratégia não se concluía com eficiência. O Cruzeiro pressionava bem as laterais do campo sempre colocando 3×3 nas triangulações laterais dos alvinegros para nunca haver superioridade numérica. Após a saída de Gêuvanio, que foi a principal válvula de escape ofensiva do time, o Galo perdeu mais ainda seu poderio de ataque, sendo pouco efetivo nessa fase do jogo.

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A ausência de Cazares nesses momentos também fez muita falta. O equatoriano é o jogador mais “desequilibrante” do time do Atlético e tem o passe refinado, o que seria importante na construção dos contra-ataques. Elias, Zé Welison e Luan não tem essa característica mesmo que tenham se esforçado para isso.

Três pontos a se destacar no Atlético:

  • A atuação de Zé Welison,que perseguia o meia Rodriguinho entre as linhas de defesa e ganhou todas as disputas contra o camisa 23. Foram 5 desarmes tentados, com 5 eficientes durante o jogo, além de 11 duelos e 8 ganhos durante toda a partida (Dados SofaScore).
  • A partida que fez os dois laterais do Atlético. Guga e Fábio Santos, que vinham sendo bastante criticados na fase defensiva, fizeram uma partida bastante segura. Os dois foram bem confiantes nas disputas de 1×1, desarmando bem, nas interceptações e nos retornos rápidos após perder a bola, sem dar tempo e espaço para que o Cruzeiro pudesse progredir no campo.
  • Geuvânio mostrou que pode ser uma peça muito importante na temporada. Foi muito bem nas ações ofensivas, fazendo boas escolhas, partindo para cima e agressivo nos dribles. Além disso, ajudou muito Guga na marcação no segundo tempo, muitas vezes até descia na altura da primeira linha, permitindo o lateral sustenta a defesa e ele dava o combate pelo lado. Muito por isso sofreu fisicamente e teve que deixar o jogo mais cedo.

Depois de uma semana conturbada, o Galo jogou de igual para igual contra um dos times mais fortes do país, e fez um dos seus melhores jogos no estádio Independência esse sábado. Atlético de Rodrigo Santana não venceu, mas convenceu, principalmente comparando com os últimos desempenhos. Clássico se vence nos detalhes, e o improviso e a qualidade de Pedro Rocha, em um único momento do jogo, foi o detalhe que decidiu dessa vez, claro que estoufalando de futebol em si, e não de assuntos externos que não são o foco do texto. Mesmo não sendo campeão o time certamente saiu forte dessa final, e tem um caminho a seguir independente de quem seja o comandante.

@CruyffTeam

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