Dois lados de uma final sem surpresas – ANÁLISE TÁTICA DE FLAMENGO 2 X 0 VASCO

Por Felipe Henriques e Ricardo Leite

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O Vasco vinha de uma semana trágica, apos duas derrotas por 2×0 para Flamengo e Santos. Valentim ameaçado no cargo e sem paciencia e confiança da torcida. O treinador buscou um time mais leve, e assim manteve Bruno Cesar e Maxi Lopez no banco. Mas algumas opçoes não surtiram efeito. Pikachu centralizado, como ja era esperado, nao rendeu. Ate buscou entrelinhas, aproximar dos extremos, mas simplesmente não demonstra nenhuma característica para atuar nesta posição. Sasse pelo lado direito também foi improdutivo. Os outros dois do quarteto ofensivo, Lucas Santos e Marrony, foram os que tiveram melhores desempenho, mas ainda muito abaixo do necessário para mudar um panorama tão desfavorável.

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Defensivamente a equipe marcava no 4-4-2, variando pro 4-1-4-1, mas demonstrou muitas dificuldades na marcação entrelinhas, onde principalmente Everton Ribeiro se posicionava, e tambem com as infiltrações entre lateral e zagueiro, feita principalmente por Gabriel, que saía bastante da área e via outros jogadores infiltrarem. A distancia entre as linhas de marcação e o pouco combate a Diego e Arão, foram as principais razões para as dificuldades.

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Com a bola, Valentim optou por mais liberdade pros volantes, e extremos inversos para ocupar melhor o centro, isso até aconteceu, mas a equipe esbarrava na incompetência técnica e peso psicológico da partida. O Vasco mudou a postura, mas ainda assim foi pouco para enfrentar um adversário tão qualificado, mesmo sem estar em um grande dia. Com um pouco de organização, e poder de fogo, o Flamengo gerou perigo de forma natural e conseguiu construor o placar com tranquilidade. As chances criadas pelo Vasco também foram boas, tiveram pelo menos 4 oportunidades claras, mas não as converteu, esbarrando nos erros técnicos e nas intervenções cirurgicas de Diego Alves, Renê e o travessão, piorando assim o cenário da partida.

A derrota e o vice campeonato ainda culminaram na demissão de Alberto Valentim, e as vésperas do campeonato mais importante do ano, vive clima de incerteza.

Pelo lado rubro-negro houve uma visível e “compreensível” cautela no que se refere a intensidade da partida, já que a partida contra a LDU, na altitude de Quito e no temido estádio Casablanca, ganhou proporções de partida mais importante da temporada. A vantagem de dois gols contra um rival que vinha em crise, mesmo em uma final, deu tranqüilidade para não se expor tanto e buscar uma atuação mais segura.

Entregando a bola para o adversário e marcando com linhas baixas em um já experimentado 4-1-4-1, novamente a equipe cedeu muitas finalizações até mesmo dentro de sua grande área, o que potencializa a grande atuação de Rodrigo Caio e Renê na missão de liderar o setor defensivo, perfeito nas interceptações e desarmes contra os atacantes vascaínos.

Outro detalhe que pode e deve ser observado é como há espaços às costas dos meias rubro-negros no esquema com Arrascaeta, Diego e Everton Ribeiro juntos,principalmente quando Cuellar precisa cobrir os espaços nas laterais, fazendo com que haja espaço interior para o adversário trabalhar. Qual a idéia? Baixar os blocos e se posicionar de forma estratégica para recuperar a posse e acelerar com Everton Ribeiro e principalmente Gabriel.

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Aliás, Gabriel foi indubitavelmente o principal argumento ofensivo ao buscar os espaços pelos flancos para abrir a possibilidade de infiltração para Diego e Arrascaeta pisarem na área e buscar a finalização, com mais ênfase na desmarcação para o lado esquerdo às costas de Cáceres. Quando o camisa 9 saiu, Vitinho entrou também na posição de centroavante mostrando muito mais confiança para finalizar e fechar o placar.

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De qualquer forma, fica nítido que Abel busca ter um time que potencialize seus homens de velocidade e isso vem sendo repetido durante todo o primeiro semestre. Porém, dizer que foi uma vitória tranqüila nesses 90 minutos não é verdade, já que o próprio goleiro Diego Alves fez boas defesas impedindo o empate vascaíno. O título veio, de forma merecida a um time superior tecnicamente que soube se impor graças aos seus valores individuais.

Não houve surpresas no confronto entre os rivais que estão em situações completamente diferentes, dentro e fora de campo. Porém, sabemos bem que ainda é preciso evoluir para render o esperado na liga nacional que começa no próximo fim de semana, que exige infinitamente mais do que o torneio estadual. Surpresas podem surgir…

@lipe_henry e @analisevasco

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