INVICTUS – Avaliação do título Gaúcho do Grêmio

Por Maurício Wiklicky

Para começarmos, temos que falar da importância desse Gauchão. Abaixo listo alguns pontos para considerá-lo historico:

  • era o centenário do campeonato
  • primeiro título invicto do Grêmio após 54 anos.
  • 17 jogos
  • 11 vitórias
  • 6 empates
  • 38 gols marcados
  • 1 gol sofrido (melhor defesa da história do Gauchão)
  • 76% de aproveitamento

Os campeões invictos de 1965…

… e os de 2019

Análise Tática

A principal mudança do Grêmio nesse Gauchão foi a troca do seu esquema tático. O tradicional 4231 foi substituído pelo 4213/433. Essa mudança se deu com o avanço dos dois extremas, que se tornaram pontas. Everton ou Pepê na esquerda e Marinho na direita (essa a maior mudança, com a saída de um volante de origem, Ramiro, por um atacante).

Talvez essa mudança nem tenha sido planejada por Renato, que iniciou a temporada com Alisson, que sofreu grave lesão no primeiro jogo. Com Marinho e contra adversários ruins, a estratégia funcionou, porém o campeonato estadual deve servir como laboratório, e parece que Renato viu isso, com Montoya e principalmente Alisson como titulares.

Sobre essas mudanças para o 4213/433 e as suas consequências, eu analisei nesses dois textos:

O 4213 do Grêmio que não deu certo – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 0 X 1 LIBERTAD

A evolução do 433 de Renato – ANÁLISES TÁTICAS DE GRÊMIO 3 x 1 ROSARIO e INTER 0 x 0 GRÊMIO

Análise dos jogadores

Gauchão serve de laboratório, e isso que Renato fez. Foram mais de 30 jogadores em campo, ao qual abaixo analisarei a grande maioria:

GOLEIROS:

Paulo Victor: a dúvida que virou afirmação. Pouco exigido, mas quando foi não teve problemas. Consagração nos dois jogos das finais e o herói do título nos pênaltis. Ressalva importantíssima para o preparador de goleiros Rogerião e para o departamento de análise de desempenho do Grêmio, que informou com perfeição onde os batedores do rival iriam bater.

Júlio Cesar: contratado esse ano, na opinião do autor deveria ser o titular para a temporada. Com as boas atuações de PV, terá que lutar muito para um espaço.

Brenno: jovem revelação do gol gremista, para manter a tradição, quando jogou foi bem. Tem futuro junto com Phelipe Megiolaro, que estava na seleção sub-20 e foi um dos poucos que se salvaram da fraca campanha brasileira.

LATERAIS:

Leonardo: ou Leo Gomes, como preferirem. Desde o ano passado titular, foi quem mais jogou. Vem numa crescente, com boa força física e o mais efetivo finalizador de fora da área, mas também mostrou qualidade de dentro da área como no gol do Grenal da primeira fase. Ainda sou crítico do seu futebol, pois taticamente tem muitos defeitos. Tanto na defesa quanto no ataque afunila para dentro da área, deixando espaços ou não dando opção de passe.

Léo Moura: se tivesse menos 5 anos seria o melhor lateral direito do Brasil. Porém se lesionou no início do campeonato e aguenta somente 45 minutos de jogo. Além disso nao consegue mais ir ao ataque e voltar. Uma pena para um dos jogadores mais técnicos do elenco.

Galhardo: contratado em meio ao campeonato, é mais uma Fênix a ser resgatada por Renato. Saiu do Grêmio muito bem, porém depois nunca mais se firmou em clube algum. Reserva no lugar de Leo Moura e que talvez pode disputar posição com o hoje titular Leo Gomes, caso volte ao seu melhor futebol.

Cortez: talvez tenha tido o pior momento do Grêmio desde que chegou. Mesmo com adversários fracos não conseguiu se impor ofensivamente.

Juninho Capixaba: mais ponta/extrema do que lateral. Teve oportunidades e marcou seus gols. Porém quando é exigido defensivamente deixa muito a desejar e é um risco para jogos maiores.

ZAGUEIROS:

Kanmemann: hoje o melhor zagueiro do Grêmio. Como explicado na parte tática, a zaga fica muito exposta e argentino é quase imbatível no 1×1, seja contra atacantes desconhecidos ou grande estrelas de adversários, que após longo tempo sem atuar parece ter esquecido que futebol tem contato.

Geromel: continua soberano. Por vezes em dificuldade por não ter proteção ao seu lado.

Paulo Miranda: o reserva imediato da zaga demonstrou boa participação quando jogou. Preocupa a série de lesões, como no fim do campeonato.

Marcelo Oliveira: contra adversários inferiores tecnicamente “deu para o gasto”, mas não tem condições de enfrentar um brasileirão. Infelizmente sua gravíssima lesão deve interromper sua carreira ao meu ver.

Rodrigues: o antigo Tonhão, junto com Darlan foram os dois únicos jogadores do grupo de transição que subiram para o profissional. Porém Rodrigues retornou para o grupo de transição para a excursão na Europa, e foi um dos destaques. Porém se tivesse ficado teria oportunidades com as inúmeras lesões dos nossos zagueiros.

VOLANTES:

Matheus Henrique: eleito como o melhor do Gauchão pelos seguidores do Twitter, com análise mais completa no fim desse post.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Maicon: o jogo continua passando sempre por ele, que é importantíssimo para a manutenção do nosso modelo de jogo, mas o capitão não está mais com as mesmas condições físicas dos outros anos. A recomposição é lenta, e sempre sai entre os 15min e 20min do segundo tempo.

Michel: outro que está longe de sua forma física ideal, comprometendo o sistema defensivo. Teve que ser improvisado como zagueiro, pela falta de jogadores da posição no elenco, e foi bem quando atuou na zaga.

Darlan: teve menos oportunidades que deveria, mas quando entrou foi muito bem, sendo o responsável pela transição ofensiva. Será mais um da fantástica fábrica de volantes do Grêmio?

Rômulo: mais um contratado para ser recuperado. Não mostrou ao que veio, sendo burocrático nos passes, posicionado na frente da defesa, mas sem grande intensidade. Damos o desconto pela adaptação.

Thaciano: outro que que poderia ter mais oportunidades. Quando entrou, seja no meio campo ou na extrema direita foi bem.

PONTAS/EXTREMAS ESQUERDA:

Marinho: uma montanha russa. De quase excluído do grupo por declarações na pré temporada, para entrar e no primeiro toque na bola fazer gol, assumir a titularidade e ser destaque do time, e o retorno ao banco, sem mais ser lembrado na reta final. Minja definição de Marinho é: peladeiro. Para mim a alteração da forma de jogar do Grêmio, para pior, passar muito por suas características.

Alisson: o titular do início da temporada, mas que no primeiro jogo se lesionou. Se recuperou e na reta final assumiu novamente a titularidade, sendo muito importante nas finais (para mim junto com Matheus Henrique os melhores do Grêmio). Alisson trás vitalidade, recomposição, drible, aparece para jogar e tem capacidade de inverter com Everton. Se não se lesionar é titular absoluto.

Montoya: jogador que está se adaptando ao país e ao clube. Quando jogou foi regular. Nunca teve destaque, mas também nunca foi mal. Tende a crescer.

Vico: NA.

PONTAS/EXTREMAS DIREITA:

Everton: o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro. Renato tem trabalhado muito sua potencialidade, dando opção de ficar no ataque, sem recompor, para ser decisivo no terço final do campo. No 1×1 ninguém o para. Por.essa super confiança, em alguns momentos tem pecado na decisão do lance (tenta o chute ou drible ao invés de passar a bola).

Pepê: grata surpresa, ou confirmação. Sempre que entrou jogou bem, com dribles, assistências e gols. Está na linha sucessória de Everton.

MEIAS

Luan: o artilheiro do time no Gauchão, com 5 gols. Além disso foram 4 assistências, e através do índice do Footstats, o melhor do Grêmio no campeonato. Porém de um craque sempre se espera mais, e o Grêmio depende dele.

Jean Pyerre: outro jovem que junto com Matheus Henrique mudou a cara do time. Não comparem JP com Luan, pois são estilos completamente diferentes. Luan é movimentação pura, jogador de espaços (descobrir e propiciar). Já JP é o clássico camisa 10. Jogador que precisa da bola no pé, que gosta de olhar o jogo de frente, que dá o passe que rompe as linhas do adversário. Por ter origem de segundo volante, muitas vezes volta para organizar o jogo. Por solicitação de Renato, precisa entrar mais na área para tentar o gol.

Diego Tardelli: o coloquei como meia, pois aí ele pode ir para esquerda, direita, ataque… A principal contratação do Grêmio ainda está no início de sua readaptação ao futebol brasileiro, após 3 anos de sucesso na China. Ele diz que prefere jogar atrás do centroavante ou pela esquerda, mas já atuou nas quatro posições do meio para frente pelo Grêmio. É um quebra cabeça para Renato. Minha opiniao: será o substituto de Everton em uma possível venda no meio do ano.

Lincoln: ficaremos na eterna duvida: o Grêmio errou em ter lançado ele muito novo, ou ele nunca foi um grande jogador?

CENTROAVANTES:

André: e não é que o tão criticado André virou titular do Grêmio? Isso se deve ao Gauchão! Quando entrou oscilou no início, porém depois teve excelentes atuações, as melhores com a camisa tricolor. Tabelas, velocidade, trabalho em equipe, visão de jogo, são algumas características mostradas em alguns jogos. Que a oscilação, presente também na final, termine, e que André possa ser o “fazedor de gols” do Grêmio, o que não temos desde Barrios.

Foto de Junior César Weiss

Vizeu: minha maior aposta para esse ano do Grêmio. Achei uma super contratação. Pensei que ia encaixar muito bem no ataque, já no Gauchão. Mas futebol é complexo. O modelo do jogo do Grêmio é complexo, por isso tão vencedor. Ainda espero ver o artilheiro Vizeu pelo Grêmio.

Jael: só temos que agradecer uma das melhores relações custo-benefício do Grêmio.

Thonny Anderson: ele é meia como se destacou na base do Cruzeiro, ou centroavante como Renato o escala? Acho que qua do soubermos a resposta teremos um bom jogador, que poderá agregar muito no futuro.

Análise de desempenho – Matheus Henrique

Escolhido pelos meus seguidores como o melhor jogador do Grêmio no Gauchão.

Realmente Matheus Henrique foi o melhor jogador do Grêmio. Se destacou no time reserva, quando entrava nos titulares mudava o jogo e conquistou seu espaço na reta final.

Alguns números do jogador nesse Gauchão:

  • 12 jogos
  • 1 gol
  • 1 assistência
  • 10 passes para finalização
  • 23 desarmes
  • 8 viradas de jogo certas
  • 813 passes certos (92%)

Dados do Footstats.

Foto de Max Rodrigues

Mais do que números, Matheus Henrique teve papel fundamental na mudança, ou retomada, da dinâmica do time. Três pontos em destaque: saída de bola; intensidade; marcação.

Saída de bola: MH tem a capacidade de encontrar o espaço vazio e ser opção de saída de bola para seus companheiros. Reparem que ele sempre retorna entre os zagueiros, assim fazendo a chamada saída de 3 ou Lavolpiana (homenagem ao técnico Ricardo Lavolpe que desenvolveu). Com isso, consegue fazer com que Maicon se desgaste menos, não tendo que recuar para começar as jogadas.

Intensidade: também podemos considerar velocidade, dinamismo, ritmo de jogo e juventude. Algo que com Michel e Maicon não temos, postura resgatada dos tempos com Arthur e Jailson, fundamental para o modelo de jogo do Grêmio.

Marcação: apesar de ser um meia de origem, ele sabe marcar. Hoje muito mais pela sua velocidade do que força física (algo que deve ser melhorado ao longo dos anos). Matheus tem uma característica diferente de Arthur, pois por ter menos força física não pratica o perde-pressiona, ou seja, quando perde a bola não tenta recuperá-la imediatamente, e sim espera o momento certo para dar o bote.

@mwgremio

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