Vitória natural – ANÁLISE TÁTICA SANTOS 2 x 0 VASCO

Por Rodrigo Costa e Ricardo Leite

Após sofrer uma derrota dolorida e justa para o Flamengo no fim de semana, o Vasco de Valentim foi a Vila Belmiro, enfrentar o Santos, de Sampaoli pela Copa do Brasil. Além da parte psicológica e as limitações do sistema, o cruzmaltino tinha ainda mais problemas, com as ausências por lesão de Fernando Miguel, Castán e Rossi. Mesmo com essas substituições forçadas, Valentim optou por deixar Bruno César e Maxi Lopez no banco, em busca de mais intensidade, verticalidade e velocidade no setor ofensivo. Yan Sasse e Willian Maranhão (passando a usar um esquema com três volantes) foram os escolhidos.

Na parte defensiva, o Vasco variava entre o 4-1-4-1 com Maranhão a frente da primeira linha de marcação e o 4-5-1, com pontas e volantes compondo a mesma linha e apenas Marrony (centroavante na partida) à frente. O Santos tinha paciência e conseguia controlar o ritmo. Trabalhava a posse, circulava a bola, buscava sempre ocupar as entrelinhas e tinha muita facilidade para chegar nas pontas, mas sem conseguir converter o controle em volume e chances reais.

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Mesmo com três volantes, o Vasco não conseguiu evoluir sua inferioridade numérica pelos flancos e continuou dando muito espaço na entrada da área para finalizações (vide o segundo gol santista, exposto no VÍDEO ABAIXO).

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A saída de bola também continuou deficiente, muito pela dificuldade de Willian Maranhão. Com intuito de tentar melhorar a construção inicial, Valentim começou a partida com Mineiro mais recuado e Maranhão pela esquerda, mas isso “engessou” a criação, aos poucos eles inverteram e o Vasco teve uma breve melhora.Mas este problema persistiu e também pode ser creditada a pouca movimentação de Raul e Lucas Mineiro, que até tiveram bons momentos e conseguiram levar a equipe ao último terço com qualidade, mas o Vasco acabou pecando no penúltimo passe e impedindo que esses potenciais ataques se transformassem em chances reais (como no VÍDEO).

No ataque a equipe teve pontas inversos (canhoto na direita e destro na esquerda) e Marrony centralizado, e viu a distância entre eles ser a maior vilã na criação de jogadas. Sasse até tentou pela direita, mas sem associação de seus companheiros se viu limitado. Marrony, lutou, mas pouco participou da partida e Pikachu ficou mais preocupado em socorrer Danilo Barcelos, que quase infartou diante da missão de marcar Rodrygo. E ofensivamente, o “Pokémon” mais uma vez demonstrou grande dificuldade na puxada de contra ataque. Com 3 volantes e três atacantes, o Vasco jogou sem o clássico armador, e a criação ficava a cargo da aproximação de Raul e Lucas Mineiro, ou de Yan Sasse, quando fazia o movimento de fora pra dentro, e buscava articular as jogadas pelo setor central.

A grande preocupação é que mesmo sem criar tantas chances reais, o Santos conseguiu construir uma vitória tranquila e por boa margem do Vasco, que nem com as substituições conseguiu mudar o panorama do jogo. O Vasco volta a mostrar uma fragilidade que demonstrou no Brasileiro de 2018. A boa fase defensiva vista no início desta temporada, vem se desfazendo, muito pela falta de opções ofensivas e pela oscilação da postura da equipe.

A impressão que dá, é que mesmo com ideias, o trabalho de Valentim vai chegando ao fim, pois falta ao Vasco capacidade de solucionar os problemas dentro de uma partida. Não consegue criar alternativas para as vezes em que os adversários buscam inibir suas forças e aproveitar suas fraquezas. O Vasco mostra ideias, mas não evolução. E isso preocupa. Aliado a isso, a ausência de resultados e falta de paciência da torcida batem na porta do treinador.

Jorge Sampaoli apresentou mais uma variação tática no primeiro jogo da quarta fase da Copa do Brasil, contra o Vasco, na Vila Belmiro. O treinador escalou o Peixe num 4-2-4 com Éverson; Ferraz, Aguilar, Gustavo Henrique e Pituca; Alison e Sánchez; Rodrygo, Derlis, Jean Mota e Soteldo.

O Santos mais uma vez dominou a partida, mesmo tendo um volume de jogo um pouco menor que os últimos jogos, talvez por causa do cansaço (inclusive no fim, o time marcava em bloco médio). Na construção, a saída geralmente aconteceu de forma sustentada, tendo os dois zagueiros + Ferraz, Alison e Pituca. A criação e finalização se manteve da mesma forma que as últimas partidas, com Ferraz e Pituca como laterais interiores. Jean Mota e Sánchez importantíssimos entrelinhas e buscando infiltrações.

WhatsApp Image 2019-04-18 at 19.09.31                                                            (Fonte: SporTV Edição: Rodrigo Costa)

Defensivamente, o Vasco não assustou Santos, que mais uma vez se defendeu no 4-1-4-1, que variava para um 4-2-3-1 por causa de encaixes de marcação que eram feitos principalmente pelos pontas (Rodrygo e Soteldo). Destaque para Felipe Aguilar. Um monstro. Técnico, inteligente, ótimo posicionamento e perfeito nos desarmes e interceptações.

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Mais uma partida absurda do zagueiro colombiano. (Fonte: SofaScore).

O primeiro gol aconteceu por causa das mudanças de Sampaoli, com Ferraz construtor e quebrando linhas de marcação com passes. Soteldo – venezuelano jogou muito, vem crescendo cada vez mais na temporada – e Rodrygo na amplitude sendo incisivos e agudos.

Com a entrada de Jorge na vaga de Derlis, o Santos passou a atuar no 4-3-3, com Pituca retornando para o meio, com isso na fase ofensiva o time se postava no 2-4-4, com Jorge aberto mas tendo liberdade para afunilar. Destaque também pelo fato do Santos tem diminuído a intensidade, marcando em blocos médios e até baixos no fim do segundo tempo.

WhatsApp Image 2019-04-18 at 19.09.52Fase defensiva continuava no 4-1-4-1. (Fonte: SporTV Edição: Rodrigo Costa)
WhatsApp Image 2019-04-18 at 19.09.58(Fonte: SporTV e Instat. Edição: Rodrigo Costa)

As transições defensivas continuam gerando problemas. Parecem lentas, o time dá muito espaço após o adversário superar a pressão santista. Nesse jogo, Sánchez foi o responsável por tentar minimizar esse problema, cobrindo muitos lances que em jogos anteriores não tinha ninguém. As ofensivas são rápidas e buscam os pontas, tendo vários jogadores se lançando ao ataque.

WhatsApp Image 2019-04-18 at 19.10.05(Fonte: SporTV Edição: Rodrigo Costa)

Destaque também para a bola parada ofensiva. Apesar de não ter saído nenhum gol ainda, Sampaoli promove várias jogadas ensaiadas, principalmente em escanteios. O duelo não está decidido, mas a vantagem é considerável para o jogo de volta, em São Januário. Conhecendo Jorge Sampaoli, o Santos deve, mais uma vez, jogar para ganhar, e a torcida ama esse DNA santista.

@costa_rodrigo95 e @analisevasco

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