Como um caçador de dragões – ANÁLISE TÁTICA PORTO 1 x 4 LIVERPOOL

Por Lucas Mateus

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Finalista na temporada passada, os comandados de Jürgen Klopp derrotaram os soldados de Sergio Conceição e irão enfrentar o Barcelona nas semifinais da maior competição de clubes do mundo. Com um agregado de 6-1, os ingleses venceram os portugueses nos dois confrontos, com direito a goleada de 4-1 em pleno Dragão.

As equipes vieram a campo da seguinte forma:

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O time de Jürgen Klopp se postou no seu tradicional 4-3-3, mas, dessa vez, sem Roberto “Bobby” Firmino, que foi estrategicamente poupado, devido a vantagem previamente conquista em Anfield na vitória do Liverpool por 2-0. Tal plataforma de ataque já foi usada em outras situações, contra o Watford, por exemplo.

Origi, incialmente, postou-se como um ponta-esquerda, arrastando Sadio Mané para o centro, onde fazia uma função focada nos desmarques e trabalho em espaços curtos, não caracterizando totalmente um cenário de Falso 9, como ocorre com Firmino. Contudo, a equipe sofreu muito nos 30’ iniciais da partida, o Porto estruturou um bloco alto a partir de encaixes com uma intensidade altíssima, como consequência o Liverpool encontrava diversas dificuldades para sair de seu campo, já que Divock Origi, que era o atacante que mais se aproximava para receber e tentar ganhar metros, não teve sucesso algum em suas tentativas.

O Porto, comandado do Sergio Conceição, postou-se em um 4-2-2-2, potencializando os desmarques de Marega, suas vantagens nas disputas físicas, as movimentações e os dribles de Corona, e além de tudo permitindo uma estruturação de bloco alto segura e eficaz.

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Todos os jogadores do Porto exerciam esse momento com uma ótima excelência, porém há muito mérito de Hector Herrera no funcionamento da equipe nesse momento, sendo que mais perseguia e combatia os adversários, conseguindo dobrar a pressão e encurralar os apoios servidos pelos meio-campistas do Liverpool aos companheiros da linha defensiva.

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Destaca-se tais encaixes: Brahimi – Arnold; Militão – Origi; Otávio – Robertson; Marega – van Dijk; Corona – Matip; Danilo – Fabinho; Herrera – Wijnaldum/Milner. Conceição soube potencializar esse momento, muito pela intensidade física de seus jogadores, que encurralaram os visitantes e chegaram a finalizar 13 vezes, antes do Liverpool encontrar a sua primeira oportunidade de gol.

Do lado inglês, havia certa passividade quanto aas ações de Felipe e Pepe, permitindo que os centrais tivessem tempo e espaço para girarem o jogo e lançarem para Marega – inclusive, muito da coordenação ofensiva dos portugueses passava pelo físico de Marega e os desmarques de Corona, que fez um ótimo início de jogo -, contudo havia um gatilho para pressionar quando a bola fosse recuada para Casillas, na grande parte das vezes essa pressão foi exercida por Mané.

Uma constante da equipe mandante foi as associações de jogo externo para potencializar os ataques a área de Marega e Herrera, buscando diversos cruzamentos em vantagem, com muitos jogadores atacando a área, buscando no alto o caminho para o gol. Essas associações partiam de diversas aglomerações assimétricas no setor da posse, sempre buscando essa superioridade numérica, muito disso vinha das movimentações e desmarques de Jesus Corona.

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Logo aos 15 minutos do primeiro tempo, Klopp inverteu Mané e Origi, centralizando o belga e abrindo o senegalês pela esquerda, buscando dessa forma buscar um escape a pressão dos mandantes, porém tal mudança não surgiu o efeito esperado pelo alemão. O Porto merece destaque pelo ótimo bloco alto ofensivo, conseguindo fazer com que o time de Klopp provasse de seu próprio veneno.

O Liverpool iniciou o embate defendendo-se em 4-4-2, mantendo Salah e Mané avançados para possíveis contragolpes, sacrificando Origi nesse retorno a segunda linha defensiva, porém após essa troca entre o senegalês e o belga, o Liverpool passou a se defender em um 4-5-1.

O Porto é um time que potencializa muito do físico de seus jogadores, buscava um jogo direto para Marega, diversos cruzamentos e disputas físicas, onde levou certa vantagem durante um tempo, quase marcando por diversas oportunidades. Mas, logo em sua primeira finalização, antes disso o Porto havia finalizado 13 vezes, Liverpool abre o placar com Mané, em um ataque assimétrico, como é característica da equipe:

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Salah flutua da direita para a esquerda, aproximando-se do portador, Mané, Gini entende a movimentação do egípcio e busca dar profundidade por aquele lado ao atacar a área, Robertson acelera e gera uma linha de passe vertical ao atacar em amplitude.

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No desenrolar da jogada, vale destacar, além do ótimo passe de Mohamed Salah, a inteligência de Mané para achar e explorar o espaço nas constas dos defensores, marcando assim o primeiro gol do Liverpool no jogo.

A partir daí era nítida a queda emocional dos mandantes, afinal eles dominavam o jogo quando Mané mostrou a letalidade do Liverpool e colocar a equipe inglesa a frente. Nos primeiros minutos pós-gol, Militão avançou metros e atuou mais próximo do bloco ofensivo, gerando certas situações favoráveis para os portugueses.

Houve mudanças nas duas equipes para o segundo tempo:

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Para potencializar ainda mais seu jogo físico e direto, Conceição tira Otávio e coloca Soares em campo, deslocando Corona para a direita. Agora, Marega teria um companheiro como “target-man”, Felipe e Pepe teriam mais um alvo. Enquanto Klopp colocou seu camisa 9, Roberto Firmino, visando instalar-se em campo adversário com maior facilidade, sendo o brasileiro o coordenador das ações ofensivas do time de vermelho, houve diversos ataques de MIlner pela esquerda, visando liberar as flutuações de quem ali estava, na maior parte do tempo, Salah.

O 2-0 do Liverpool é uma aula de contragolpe, iniciada na roubada de bola de Roberto Firmino, passando por Wijnaldum, chegando a Alexander-Arnold que encontrou um passe magnifico, sem qualquer exagero, para Salah que entrava em diagonal. É necessário dizer, a finalização do camisa 11 é simplesmente espetacular. O Liverpool demorou 10 segundos apenas para finalizar, sendo realizados quatro passes nesse tempo.

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O Liverpool ainda sofreria um gol, este marcado por Éder Militão, e faria mais 2, com Bobby Firmino e van Dijk, mas o grande destaque fica para a ótima entrada do capitão Jordan Henderson, que mais uma vez atuou muito bem pelo corredor interior direita-centro. O camisa 14 tem uma ótima leitura da situação, sabendo gerar superioridade para seus companheiros no setor e atacar os espaços.

Apesar da derrota, Sergio Conceição demonstra um potencial elite da elite, ótimo estrategista potencializando o físico de seus atletas, estruturando seus blocos altos e sufocando o time de Klopp. Todos os leigos são poucos para a estratégia do português.

O Liverpool pode não ter nascido na Capadócia e nem ter sido um soldado de Diocleciano, mas definitivamente lutou como um verdadeiro caçador de dragões. E muito desse mérito é de Jürgen Klopp.

@LucaM008

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