História à frente de nossos olhos – ANÁLISE TÁTICA JUVENTUS 1 x 2 AJAX

Por Pedro Galante e Luiz Martins

Em contra-ponto ao primeiro tempo do jogo de ida, quando o Ajax tomou a iniciativa, a Juventus realizou desde o início uma marcação alta na saída de bola holandesa, na tentativa de roubar a bola o mais próximo da área advesária. Claramente Emre Can se postava atrás dos atacantes (Cristiano e Dybala), tendo a principal incumbência de subir as linhas em pressão, obrigando o time de Amsterdã apostar em lançamentos longos (termo técnico para o famoso chutão), obrigando a disputa da segunda bola, que era na maioria das vezes vencida pelos anfitriões. Com a bola recuperada, Pjanic (que fez grande partida), a recebia e tomava a decisão de buscar o ataque, hora pausando o jogo e aguardando o time se posicionar em campo ofensivo, hora entregando esta bola para Matuidi e Bernardeschi. Os dois meias eram responsáveis por abrir linhas de passe com suas movimentações ou com conduções, buscando sempre Cristiano e Dybala, que levavam certa vantagem no 1×1, mas parando sempre em De Ligt, que foi soberbo defendendo sua meta. O Ajax mantinha a estratégia de marcações individuais setorizadas, alternando perseguições, na tentativa de conter o ímpeto italiano.

WhatsApp Image 2019-04-17 at 22.25.15Pressão alta da Juventus. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

O 4-4-2 pensado por Allegri, com muita pressão causou dificuldades ao Ajax, que sentia dificuldades de trocar 3 passes, sem que algum jogador da Juve estivesse pressionando. Mas aos poucos a próximo dos quinze minutos, já entendendo melhor a partida, o time começou a demonstrar uma intensidade maior que o adversário na movimentação e encontrar falhas na marcação italiana. Esta movimentação, que terminava com finalizações perigosas ao gol de Szczesny (que fez grandes defesas na partida e demonstra ter melhorado desde os tempos de Arsenal), iniciava desde Danny Blind, que era o responsável por uma saída limpa, porque seu companheiro De Ligt tinha uma incumbência maior na partida: conter Cristiano Ronaldo. Blind buscava em muitas situações inverter a bola para o lateral do lado oposto, Veltman, que estando em zonas mais altas do campo, assim como o lateral esquerdo, recebia essa bola sempre conduzindo pelo corredor direito e já acionava De Jong e Schone, próximos da entrelinha. Eles eram os responsáveis por dar continuidade as ações ofensivas. Schone se destacou muito mais do que o companheiro holandês, que recebia uma forte marcação por toda sua já demonstrada qualidade. Seu companheiro dinamarquês não deixou a qualidade do setor abaixo, até porque ele é um jogador de qualidade ímpar e se aproveitou bastante das movimentações de seus companheiros de ataque, tendo maior destaque para Van de Beek.

WhatsApp Image 2019-04-17 at 22.25.34Trocas de posicionamentono ataque do Ajax. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

Van de Beek, foi o responsável por organizar todas as trocas de posição entre os homens de ataque, porque era ele que fazia o papel de alternar o ritmo destas trocas posicionais. Ele partia de um posicionamento próximo aos volantes, ora conduzindo, ora apenas dando um toque na bola para alterar corredores e partia abrindo caminhos entre as linhas italianas, que eram aproveitadas por De Jong e Schone, por meio de passes encontrando companheiros atrás das linhas de marcação, ou ocupações dos espaços vagos por David Neres, que parecia se multiplicar pelo setor ofensivo como o companheiro, Ziyech que busca quase sempre movimentações da esquerda para o meio, mas neste jogo também alternava setores, sendo visto muitas vezes pela direita, com muita qualidade e agressividade, além de Tádic que alternava bastante entre o comando de ataque e a entrelinha buscando toques de bola e abrindo espaços principalmente para Van de Beek se posicionar as costas da primeira linha de marcação em infiltrações. Toda essa liberdade posicional imposta pelo Ajax, algo que não vinha sendo costume, mas neste final de temporada tem se configurado como uma forte característica de ataque dos holandeses, confundia demais os zagueiros da Juve, que claramente sentiam falta de Chiellini, jogador indispensável em todos os mecanismos do setor defensivos da Juventus, por questões qualitativas e de liderança. Mas todo esse volume e domínio holandês não foi sentido por Cristiano, que em cobrança de escanteio, realizou um belo desmarque dos defensores e apareceu livre para marcar de cabeça, abrindo o placar em Turim, contando com uma ajuda de DeLigt, que empurrou um companheiro em lance deflagrado através do VAR.

Com o placar adverso, o Ajax parece não ter sentido o golpe, demonstrando muita maturidade dos jovens jogadores do time holandês e buscaram o empate após cinco minutos do revés sofrido, pelos pés de Van de Beek, que marcou após bela jogada do Ajax que havia transformado o lado esquerdo em forte e contou com um erro de saída dos defensores que lhe deram condições de finalizar.

Na segundo etapa o Ajax mostrou novamente o seu espirito corajoso e destemido. Mesmo em Turim partiu em busca de um gol que praticamente garantiria a classificação. O gol veio aos 21 minutos. De Ligt cabeceou após cobrança de escanteio para marcar. Mesmo depois do gol, os holandeses mantiveram o ritmo e a ofensividade.

A Juventus foi sufocada mais uma vez. O time não conseguia se organizar para quebrar a pressão e criar ações ofensivas. A VieccaSignora sentia falta da fisicalidade de Mandzukic no ataque. Dybala e Kean – que entrou no lugar do argentino no intervalo – não conseguiram suprir essa ausência. Allegri tentou dar argumentos ao time com as entradas de Cancelo e Bentancur, mas a pressão pós-perda do Ajax continuava muito efetiva.

WhatsApp Image 2019-04-17 at 22.25.58Pressão pós-perda e a Juve com inferioridade na transição. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

Depois de eliminar o Real Madrid, atual tricampeão da Europa, o Ajax elimina a competente Juventus de MassimilianoAllegri e tira o craque Cristiano Ronaldo da disputa das semis depois de nove anos consecutivos.

Erik TenHag montou um time muito valente e competitivo. Os conceitos amplamente conhecidos do jogo de posição sempre presentes no Ajax foram adaptados ao futebol moderno na medida certa. Sem a bola, muita pressão. Com a bola, velocidade e mobilidade. Apesar da baixa média de idade, não falta coragem a esse time do Ajax que já eliminou dos gigantes fora de casa e segue fazendo história.

@pedro17galante e @ojunomartins

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