Bruno Henrique iluminado em uma final esvaziada de idéias – ANÁLISE TÁTICA VASCO 0 x 2 FLAMENGO

Por Felipe Henry

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Em uma final de Campeonato Carioca esvaziada no Estádio Nilton Santos, o Flamengo venceu o Vasco por 2-0 com um destaque para a variação tática na parte ofensiva, a troca de posição de alguns jogadores no último terço e um grande domínio territorial e nas ações de ataque principalmente em um 2T que a vitória poderia ter sido ainda mais larga para garantir uma vantagem praticamente irreversível no jogo de volta no Maracanã.

Mesmo na primeira etapa onde houve uma baixa produção ofensiva apesar da variedade de esquemas ofensivos, alguns pontos foram interessantes no ataque rubro-negro, como a variação de Everton Ribeiro, que atuou como capitão já que Diego Ribas foi sacado do time titular pelo técnico Abel Braga para que o uruguaio Giorgian De Arrascaeta iniciasse entre os titulares, com o próprio meia uruguaio entre a função de armador recuado e um ponta construtor  desde o lado esquerdo, deixando o lado direito para a movimentação de Gabigol e Willian Arão.

WhatsApp Image 2019-04-16 at 22.52.07Everton Ribeiro como armador recuado na base da jogada, com Renê aberto pela esquerda e Gabigol na direita como segundo atacante, atrás da referência Bruno Henrique.

Um exemplo dessa movimentação do camisa 7 foi o primeiro lance de perigo do jogo, onde De Arrascaeta está na base da jogada que termina com o passe de Ribeiro desde a ponta esquerda para a entrada da pequena área, onde Bruno Henrique acaba furando e desperdiçando a chance de finalização. Entre esses dois, o interessante foi perceber como ambos flutuavam nas entrelinhas e dividiam a responsabilidade de serem os organizadores da equipe.

Ainda assim, houve momentos em que os dois habitavam nas entrelinhas com os dois laterais gerando amplitude pelos lados, abertos próximos da linha lateral. Além da capacidade criativa dos dois para explorar e potencializar a movimentação de Bruno Henrique e Gabriel que até mesmo no jogo sem bola, eram os homens mais avançados da equipe e davam a impressão de formar uma dupla de ataque, mesmo que o camisa 9 começasse a partida atuando aberto pela ponta direita.

Falando de Gabigol e Bruno Henrique, assim como na partida da semifinal contra o Fluminense, os dois alternavam entre atuar na referência ofensiva ou atuarem mais soltos pelos flancos no posicionamento 2-3-3-2 do ataque do Flamengo, onde Gabigol por vezes afunilava o jogo, abrindo o corredor da ponta direita com Pará e atuando como uma espécie de segundo atacante.

Porém, as desmarcações de Gabigol não surtiram efeito no 1T já que estava sendo acompanhado de perto pela defesa vascaína e teve poucos espaços para finalizar com qualidade.

Ofensivamente, o Flamengo produziu muito pouco apesar desses dois detalhes destacados acima. Porém, houve domínio territorial porque o Vasco recuou suas linhas defensivas, com destaque para a boa atuação do zagueiro Leandro Castán nas marcações a Bruno e Gabriel na área, onde houve apenas uma finalização rubro-negra no alvo, de Everton Ribeiro após cobrança de escanteio no último lance do 1T.

Defensivamente, alguns pontos precisam ser destacados. Primeiro, os encaixes individuais na pressão pós-perda para dar sequência ao domínio territorial no campo ofensivo, como as coberturas de Rodrigo Caio e Léo Duarte nas interceptações que ocorriam na altura do círculo central. Por vezes, Arão subia até a última linha ofensiva para acompanhar Lucas Mineiro, que recuava para auxiliar na saída de bola cruzmaltina.

WhatsApp Image 2019-04-16 at 22.52.14Willian Arão subindo até a última linha para acompanhar Lucas Mineiro, formando um trio com Gabigol e Bruno Henrique no último terço.

Outro ponto a se destacar é a fragilidade de Pará nos duelos defensivos, sendo batido por Bruno César, em lance que resultou em finalização sem tanto perigo de Yago Pikachu e por Marrony, principal alternativa ofensiva do Vasco para conseguir algo no ataque baseado em sua velocidade e habilidade nas jogadas individuais e, no final do primeiro tempo, sendo vencido pelo jovem atacante em um toque de cabeça que deixou Maxi López no mano a mano com Léo Duarte que conseguiu travar o remate do argentino.

Se lembrarmos como o lateral direito foi facilmente driblado por Dudu no empate entre Flamengo x Palmeiras no Brasileirão/18, podemos constatar que existe uma irregularidade defensiva tão real quanto o seu fraco desempenho ofensivo. Mesmo que seja um jogador experiente, sua limitação pode custar caro durante jogos contra adversários mais organizados taticamente e melhores tecnicamente.

Na segunda etapa foi nítido como o Flamengo se impôs tecnicamente e asfixiou o Vasco em seu próprio campo, dominando o setor ofensivo a partir do controle do meio-campo a partir da intermediária ofensiva. Logo nos primeiros cinco minutos, Gabigol e Rodrigo Caio tiveram chances na bola área de abrir o placar, mas erraram o alvo. Também apostando no jogo aéreo, saiu o gol de Bruno Henrique após uma trapalhada de Werley ao tentar afastar a bola da área.

O oportunismo de Bruno Henrique apareceu por mais duas vezes. A primeira com mais uma falha de Werley e a segunda, após desarme e cruzamento de Arrascaeta e rebote do goleiro vascaíno. O Vasco fez um péssimo 2T por simplesmente não conseguir segurar a bola por muito tempo, onde a má forma física de Maxi López contribuiu muito para perder duelos no ataque para Léo Duarte, sem contar a inércia de Yago Pikachu no lado direito.

Quando Marrony foi substituído por Valentim, os argumentos ofensivos se encerraram mesmo com as presenças dos jovens Lucas Santos e Tiago Reis, muito pouco para um time que precisava fazer bem mais do que acelelrar pelos lados e tentar cavar uma falta para cruzar a bola na área. O time não foi páreo tecnicamente e a estratégia sucumbiu perante um Flamengo que está longe de ter um modelo de jogo sólido e eficaz.

Em alguns momentos, Pará recuava para formar uma linha de três com Rodrigo Caio e Léo Duarte, deixando Renê atuar mais a frente e aberto pela ponta esquerda para dar mais liberdade de movimentação para De Arrascaeta e Everton Ribeiro (Ou Diego) se movimentarem pelo último terço. Aliás, Vitinho entrou no lugar de Gabigol e procurou atuar como interior em um 4-2-3-1 nos minutos finais da partida.

WhatsApp Image 2019-04-16 at 22.52.22Vitinho como interior, com Arrascaeta aberto e Diego com liberdade no último terço.

Houve variedade de movimentação, muito embora as idéias fossem baseadas em não ter posição fixa para alguns jogadores para priorizar suas individualidades perante um esquema tático. É verdade que a cabeçada de Willian Arão por cima no último lance do jogo poderia ser o terceiro (ou quarto) gol que criaria uma vantagem gigantesca para a partida de volta no Maracanã.

O Flamengo venceu e fez um segundo tempo muito superior ao adversário, mas ainda falta algo para que esse time realmente convença. Talvez, um desafio de verdade contra adversários mais duros.

Ah, só para lembrar: O Brasileirão já está chegando…

@Lipe_Henry

 

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