A primeira de duas finais – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 0 x 0 CORINTHIANS

Por Jhonata Souza e Pedro Galante

Nesse domingo (14) São Paulo e Corinthians fizeram a primeira partida da final do Paulistão.

Depois do péssimo desempenho no jogo de volta contra o Santos, o técnico Fábio Carille promoveu mudanças na equipe e na organização tática da equipe, o time que vinha atuando no 4-1-4-1 jogou num 4-2-3-1 e sem a bola passou a se defender no 4-4-2 com a seguinte escalação: Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Carlos Augusto; Ralf e Urso; Ramiro, Jadson e Clayson; Gustavo. A estratégia adotada para a partida foi de em primeiro lugar se defender e não tomar gol para depois buscar o ataque, a entrada de Jadson na equipe titular se deu com a intenção de ter mais a posse de bola, porém o camisa 10 fez uma partida bem apagada e a estratégia não deu muito certo.

WhatsApp Image 2019-04-15 at 20.20.19 (1)Corinthians postado no 4-4-2 com Jadson se juntando a Gustavo na frente da linha de 4 do meio campo. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

Depois de 13 anos, o São Paulo voltou a disputar a final do Campeonato Paulista. A torcida lotou o Morumbi para acompanhar o seu time. Depois de se reencontrar com a ascensão dos garotos da base, de passar pelo atual campeão nacional, era preciso enfrentar o atual bicampeão paulista. No entanto, essa história que se desenhava de forma época esbarrou em um obstáculo.

Antes do jogo, Igor Liziero sentiu um desconforto na coxa e não pode jogar. Ele que havia voltado a campo na partida que marcou esse “renascimento” – contra o Ituano – e era o grande responsável por dar dinâmica a posse de bola da equipe. A escolha de Cuca foi organizar o time em um 4-1-4-1, com Luan de primeiro volante e Everton e Igor Gomes a frente. Sem Pablo, Carneiro foi o centroavante.

E o resultado em campo foi um time com muito ímpeto, mas pouca organização. O Corinthians, como visitante, se propôs a atuar de forma mais defensiva; naturalmente o São Paulo ocuparia mais o campo de ataque, no entanto esse movimento aconteceu de maneira desorganizada. Com a bola, apenas Luan tinha características de se posicionar e mover a bola com velocidade e qualidade para abrir espaços. Everton e Igor são jogadores mais terminais, que preferem a infiltração ou a condução. A dupla de zaga também não agregava nesse sentido de organização.

WhatsApp Image 2019-04-15 at 20.20.28Igor e Everton muito “enfiados” dificultando a criação. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

Quando conseguia progredir com a bola, o tricolor paulista tinha muita dificuldade em desenvolver as jogadas. Everton Felipe e Antony – o segundo atuando fora de suas melhores condições – não conseguiram oferecer jogadas criativas. Gonzalo Carneiro ofereceu muito pouco, sem movimentos de pivô o ataque ao espaço e com baixo aproveitamento nos duelos em bolas diretas.

No começo do jogo o Timão até conseguiu ter mais a posse, porém esse cenário mudou com a lesão de Júnior Urso e a entrada de Richard no seu lugar. Richard fez uma boa partida na parte defensiva, porém sem Urso a equipe perdeu na saída de bola e na chegada como homem surpresa dentro da área. Com isso, as válvulas de escape do Corinthians se resumiram em bolas para Gustavo segurar até os companheiros chegarem e em jogadas individuais de Clayson, novamente o ponta foi bem, os poucos momentos em que o Corinthians conseguiu trabalhar melhor a posse foram quando o ponta saia da esquerda para o meio sendo uma opção de passe e o responsável por armar o time.

No momento defensivo a equipe alvinegra mostrou uma melhora em relação a partida contra o Santos. A equipe se defendeu bem melhor, mais organizado e com as linhas mais compactas. O São Paulo pouco levou perigo com a bola rolando no primeiro tempo. Em alguns momentos o Corinthians até ensaiou subir as linhas para pressionar a saída de bola adversária, porém na maior parte do tempo se postou num bloco médio com duas linhas de 4 próximas e com a dupla Jadson e Gustavo a frente dela. Um movimento que foi realizado em vários momentos foi a subida dos pontas para se juntar aos dois da frente formando uma espécie de 4-2-4. Essa movimentação tinha o intuito de dificultar a saída de bola do tricolor, por várias vezes o São Paulo teve de recuar a bola para Tiago Volpi pois não conseguia passar da primeira linha de marcação do Timão.

WhatsApp Image 2019-04-15 at 20.20.57Os pontas do Corinthians subindo para se juntar a Jadson e Gustavo com a intenção de dificultar a saída de bola do São Paulo. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

Defensivamente, foi possível ver de forma extremamente clara a organização por encaixes do São Paulo. É uma abordagem que possibilita muita pressão ao portador da bola e nas linhas de passe, mas vale ressaltar que é preciso muito tato por parte dos jogadores para não deixar zonas perigosas descobertas.

WhatsApp Image 2019-04-15 at 20.21.07Marcação do São Paulo usando os encaixes. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

No segundo tempo, Cuca fez mudanças a fim de buscar um pouco mais de cadencia e qualidade com a bola dominada. Nenê e Hernanes entraram para dar criatividade ao ataque. No entanto, a criação das jogadas precisa ser qualificada desde o princípio. A bola chegava até os jogadores de frente, mas nunca em condições de gerar desequilíbrio.

Liziero fez muita falta nesse sentido. Cuca não fez nenhuma alteração para tentar corrigir essa saída de bola, pois não tinha nenhuma opção coerente no banco. Jucilei ou Willian Farias mais piorariam a dinâmica do que agregariam ritmo. A chegada de Tchêtchê é crucial para dar mais uma opção com características de dinamismo e velocidade ao meio campo. Depender de Liziero é inviável.

O Corinthians foi ao Morumbi com o objetivo de não perder e conseguiu cumprir o objetivo. Mostrou uma pequena melhora em relação a partida contra o Santos, porém ainda é pouco. Se quiser sair campeão na Arena Corinthians será preciso mostrar mais do que vem mostrando nas últimas partidas e para isso será necessário mudanças na equipe.

O empate após pouco mais de noventa minutos de um jogo fraco é interessante para o Corinthians que chega com tudo igual para decidir o título na sua casa. Para o São Paulo fica o gosto amargo de não ter construído uma vantagem na frente de seu torcedor. De qualquer forma o panorama é de uma final bem aberta. Esperamos, apenas, que o segundo jogo seja melhor.

@pedro17galante e @Jhonny14Souza

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