A evolução do 433 de Renato – ANÁLISES TÁTICAS DE GRÊMIO 3 x 1 ROSARIO e INTER 0 x 0 GRÊMIO

Por Maurício Wiklicky

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Foto de Lucas Uebel/Grêmio.

Ei, você aí mais desavisado, que acha que Renato Portaluppi é somente folclórico, que não entende nada de futebol e que só conquistou os títulos pelo legado do Roger, esse texto e para você!

Você sabia que o Renato é o treinador brasileiro que mais fez variações táticas nos últimos anos? Não sabia, então leia esse meu texto do ano passado: “O Grêmio de 2018 é mais parecido com o de 2016, por isso precisa mudar.”

Não ficou feliz, então leia esse meu ultimo texto, do jogo do Libertad, explicando porque o time dava certo nos jogos do campeonato gaúcho e não deu certo na Libertadores: “O 4213 do Grêmio que não deu certo”

Pois bem, Renato mudou, Renato tenta, Renato erra, Renato vence. E novamente está mudando e se ajustando… Esqueçam o Grêmio do 4231, organizado e compacto, com triangulações nas laterais, por enquanto… Hoje o Grêmio atua no 433! E essas mudanças passam nitidamente pelo centro do time, destaque dos últimos anos: LUAN. Com ele em sua melhor forma o 4231 deve ser mantido, com muita movimentação, criando espaços, aparecendo nos espaços, tabelando, dando e fazendo gols… Porém com ele em má fase técnica e física, como do início do ano, e com a alteração de Renato para três atacantes, sem os extremas, o time conta adversários mais fortes encontrou dificuldades, como escrevi no texto acima. Com a saída de Luan do time, Jean Pyerre o substitui, e o 4213 se transforma em um 433, pois o garoto Jean Pyerre ajuda os volantes na marcação e preenchimento do meio campo defensivamente. Além dele, a entrada de Matheus Henrique deu outra dinâmica no time nos jogos contra Rosario e Inter, que veremos abaixo, onde explicarei as quatro fases do jogo (DEFESA, TRANSIÇÃO OFENSIVA, ATAQUE E TRANSIÇÃO DEFENSIVA).

DEFESA

Começando com Paulo Victor que vem em evolução. Contra o Rosario pouco exigido, mas contra o Inter foi bem quando necessitado. A dupla de zaga é a melhor da América do Sul, e aqui o primeiro ponto de atenção para a mudança de esquema tático. Renato confia tanto em Geromel e Kannemann, que ambos ficam muito expostos, e ao longo do jogo possuem vários confrontos 1×1. Mas por que dessa exposição, além da segurança de Renato? Com a mudança de extremas para atacantes, estes não fazem recomposição e cobertura dos laterais. Consequentemente os laterais devem fixar mais posição na linha defensiva, para ajuda da dupla e zaga. Kannemann e Cortez já tem seu entrosamento de três anos, o que demonstra maios segurança de Kannemann em comparação a Geromel este ano. Já esse ano, com Leonardo de titular, ainda falta o entrosamento, além da falta de posicionamento do mesmo (por vezes fica muito dentro da área, por outra não recompoe rapidamente, como veremos na transição defensiva).

Sequencia de Tweets que mostram Leonardo bem no ataque finalizando (abaixo falo mais), mas com problemas na defesa.

Outro ponto muito reclamado é a compactação. Não vemos mais duas linhas de quatro defensores. Novamente a questão dos extremas se tornarem atacantes faz com que nossa defesa tenha menos jogadores, com apenas os três meias. É algo difícil de se conseguir, pois sabemos que o jogo se define pelo meio campo, e o adversário tendo superioridade numérica, terá vantagens. Talvez mude com o retorno de Luan e a mudança de percepção de Renato, mas ele aposta no time muito ofensivo.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Aqui o destaque vai para Matheus Henrique. Achar espaços vazios, ter controle do jogo, dar opção de espaço e dinâmica do jogo. Matheus é titular indiscutível para o restante da temporada. Com ele, Maicon e Jean Pyerre o time tem qualidade na saída de bola, faltando ainda mais velocidade e intensidade. Como a temos agora três atacantes, essa transição deve ser mais rápida possível, pensando mais e executando mais. Aproveitar a velocidade de Everton, Tardelli e Alisson pelos lados, mesmo aproveitamento feito com Marinho em um nível de competitividade menor no campeonato Gaúcho, mas que grandes confrontos não é suficiente. Nessa transição os laterais tem mais equilíbrio, pois precisam resguardar a defesa, tendo os atacantes ocupando o espaço na frente. O trabalho dos laterais deve se dar mais na construção das jogadas no meio campo e na espera por algum rebote ou contra ataque, mas claro que possuem funções ofensivas como veremos a seguir.

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Matheus Henrique centralizado, fazendo a nova movimentação de saída de bola do Grêmio

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ATAQUE

Para o esquema de 433 do Renato dar certo, o ataque deve funcionar como nunca antes. Como o time está mais exposto na defesa, há consequente maior liberdade dos atacantes de tentarem as jogadas individuais. Obvio que Renato está tentando ao máximo explorar a maior qualidade do Everton, com seus dribles e velocidade. Contra o Rosario foi muito participativo, dando assistência para o primeiro gol de Jean Pyerre, porém em vários outros momentos tomou decisões erradas. No Grenal foi igualmente participativo, explorando o lado fraco da defesa colorada, criando as principais jogadas. No Grenal também vimos uma maior participação de Cortez, passando pelo corredor deixado por Everton e indo na linha de fundo cruzar, porém sem qualidade.

Sequencia de dribles de Everton que quse resultam no gol contra Rosario.

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Everton conseguiu vários dribles no Grenal.

Do lado direito de ataque uma mudança, para melhor, do jogo contra o Rosario para o Grenal. A troca de Tardelli por Alisson foi muito efetiva. Alguns pontos para isso são: Tardelli já disse que prefere atuar na esquerda do ataque ou no meio, atras do centroavante; como Renato mesmo disse, Tardelli está se readaptando ao futebol brasileiro; Alisson tem maior entrosamento com o time (se não fosse a lesão no primeiro jogo do ano, seria o titular); o poder de recomposição de Alisson é muito maior. Acredito que aqui tenhamos Alisson como o velho novo titular pelo lado direito do ataque gremista.

Do mesmo lado direito, Leonardo tem características diferentes de Cortez. Não é um jogador que busca a linha de fundo, e sim centraliza para a grande área, onde através do seu bom chute de média distância tem feito gols e a presença de área, tem feito seus gols, como no jogo contra o Rosário. Já no jogo do Beira Rio, ele teve preocupações mais defensivas, com o lado forte do ataque colorado, com Iago e Nico Lopez, que pouco criaram.

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Leo Gomes centralizado quando ataca.

Como centroavante, quem parece ter adquirido a condição de titular é André. Contra o Rosario fez o melhor jogo coletivo dele, desde que chegou no Grêmio. Muito participativo, fazendo pivô, saindo da área para tabelamentos, puxando contra ataques. Já contra o Inter ficou mais entre os zagueiros e não participou tanto, mas está em evolução.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Aqui eu vejo o grande problema do Grêmio, e onde Renato deve ter mais cuidados. Primeiro ponto, os agora atacantes não retornam e não acompanham o adversário até a defesa. Maicon é um jogador lento na recomposição, ele mesmo disse no ano passado que tem que voltar correndo e marcando duas ou três vezes durante o jogo, pois o Grêmio que domina as ações. Hoje com essa exposição, Maicon tem que marcar mais e não tem conseguido. Outro ponto, e aqui novamente entra a questão física, é que os laterais devem voltar em alta velocidade quando estão no ataque. Novamente vemos certa lentidão nessa recomposição, por isso, como já falei acima, eles devem se reguardar mais no meio campo.

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Grêmio exposto na recomposição.

Estou com um sentimento que aquele Grêmio intenso e compacto só voltará quando tivermos Luan em forma, quando Alisson for o titular, Renato perceber a deficiência fisica de Maicon, quando ver a exposição da defesa e saber que Everton precisa também defender. A mudança que Renato fez esse ano é ousada, se der certo, só o tempo dirá.

@mwgremio

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