Assim Como em 99- ANÁLISE TÁTICA DE JUVENTUDE 2 x 1 BOTAFOGO

Por Nícolas Wagner e Guilherme Monteiro

Foi uma noite mágica para o torcedor Jaconero. 20 anos após a inesquecível conquista da Copa do Brasil sobre o Botafogo, o Ju voltou a superar o adversário em um Alfredo Jaconi pulsante, como nos velhos tempos que o Juventude era Juventude. E muito disso passa pelo dedo do técnico Marquinhos Santos.

O Ju manteve o 4-1-4-1 como plataforma tática. Mas a postura e a organização ofensiva foi outra. Com Rafael Jataí na primeira função, Moisés e Denner iniciaram mais uma vez como interiores, com o camisa 10 tendo liberdade posicional para ser o principal articulador da equipe. Na direita, John Lennon atuou como extrema bem espetado e próximo à linha lateral, com Vidal jogando por dentro na fase ofensiva. Já na esquerda, Eltinho e Dalberto repetiram a parceria de muita força e verticalidade. Sem Paulo Sérgio, expulso na partida de ida, Braian Rodríguez ganhou mais uma oportunidade como homem de referência para aproveitar os cruzamentos oriundos da força alviverde pelos lados.

Na etapa complementar o Ju se organizou sem a bola num 4-4-2, No entanto com a redonda, que esteve consigo durante 69% da etapa final, o alviverde se distribuiu numa espécie de 3-5-2. Moisés recuou para fazer a saída de 3; os laterais definitivamente passaram a jogar por dentro, junto à Denner; John Lennon e Breno abriram o campo como extremas bem próximos à linha lateral; Dalberto e Braian Rodriguez deram profundidade, prendendo os zagueiros do Botafogo.

O Botafogo foi à Caxias do Sul com algumas modificações em seu 11 iniciais, com a inserção de Gilson e Jean e as saídas de Jonathan e João Paulo, a planificação da equipe foi: Gatito, Marcinho, Marcelo Benevenuto, Gilson; Alex Santana; Jean, Cícero, Erik, Luiz Fernando e Diego Souza.

O controle das ações foi total do Papo, logo indica que o Botafogo mais se defendeu do que atacou, a equipe quase não tinha saídas de contra-ataque e seu gol no 1° tempo foi mais um daqueles lances fortuitos que acontecem dentro das partidas e que o Botafogo soube aproveitar bem. O alvinegro sem a bola se portou em boa parte do jogo em um 4-4-1, pois Alex Santana fora expulso no final do 1° tempo e sofreu bastante neste posicionamento, com os encaixes individuais com longas perseguições por parte de Erik e Luiz Fernando, fazendo com que a equipe alvinegra ficasse sem opções para puxar os contra-ataques.

Com a bola pouquíssima produtividade o que foi uma marca registrada do trabalho de Zé Ricardo, uma equipe espaçada, sempre laterais muito profundos em campo rival, pontas variando num jogo interno e externo, atuando bem próximos aos interiores da equipe alvinegra, contudo com pouca aproximação e mobilidade da equipe. Diego Souza poucas teve chances, mas a teve a principal da equipe no 2° tempo quando quis encobrir o goleiro Marcelo Carné pegou mal na bola e encobriu Marcelo e a baliza e jogando a chance do Botafogo ficar novamente à frente do placar no espaço. Zé com algumas modificações tentou modificar o cenário, no entanto, errou em todas elas, colocando em campo Igor Cássio, Pimpão e Rickson.

Disposição das equipes:

Após a expulsão de Alex Santana, a saída Rafael Jataí e até boa parte do 2° tempo esta foi a disposição das 2 equipes.

O expressivo resultado recupera a autoestima do torcedor, tão maltratado nos últimos anos, gera quase 2 milhões de reais aos cofres, e, a partir do sorteio desta sexta-feira, dá uma perspectiva que o Juventude vá ainda mais longe se passar por Bragantino (PA) ou Vila Nova (GO). Tão relevante quanto esses fatos foi o desempenho do time de Marquinhos Santos. Para muitos, o melhor treinador do Juventude no último 1 ano e meio. O fato é que, desde a saída de Antônio Carlos Zago, no início do ano passado, o Ju não tinha ideias de organização ofensivas tão claras. Algo que será fundamental durante a série C, em que a equipe precisará ter protagonismo nas partidas. A expectativa é que o jogo de anteontem possa ser um ponto de ruptura para um Juventude que saiba propor o jogo e que volte a fazer valer o histórico local no Jaconi.

Já no Botafogo com a demissão de Zé Ricardo, é esperada a contratação de um novo treinador para o seguimento da temporada, os nomes mais cotados são os de: Marcelo Oliveira e Jair Ventura, no entanto, ambos enfrentam séria resistência da torcida e isto é um fator importante na escolha, já que o grupo político que detém o poder no clube de General Severiano é muito criticado por suas escolhas. A próxima partida do Alvinegro será a estreia no Campeonato Brasileiro contra o São Paulo no Morumbi, partida esta que marca o início do Campeonato e provavelmente a estreia do novo comandante alvinegro.

@nicowagner e @guizaomb19

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