Mais intenso e menos criativo – ANÁLISE TÁTICA DE AVAÍ 0 X 1 VASCO

Por Ricardo Leite

Pela Copa do Brasil, Vasco foi à Ressacada enfrentar o Avaí pelo jogo de volta. A partida em São Januário, terminou com a vantagem de 3 x 2 pra equipe cruzmaltina, e com isso, o Gigante da Colina tinha a vantagem do empate. Alberto Valentim teve que armar o time com as ausências de Castán e Rossi, lesionados. Ricardo Graça, como esperado, assumiu a dupla com Werley na zaga. Mas do meio pra frente duas surpresas: Valentim adaptou o time de acordo com a estratégia e entrou com Pikachu e Lucas Santos, no lugar dos prováveis titulares Yan Sasse e Bruno César. Além do retorno de Raul, que já tinha entrado.

As alterações foram pontuais e bem pensadas, mas não deram o retorno esperado. Até os 20 minutos iniciais, o Vasco conseguiu equilibrar o jogo e mostrar a intensidade desejada por seu treinador. Sem a bola era bem mais agressivo (resultado das entradas de Raul e Lucas Santos) e tinha velocidade na transição. Mas toda essa verticalidade acabava atrapalhando, pois o Vasco começou a perder a bola muito rapidamente, sem conseguir reter a bola no ataque. A distância e a falta de associação entre o quarteto ofensivo também foram prejudiciais.

Após esse início equilibrado, o Avaí colocou a bola no chão e buscou triangulações pelo lado de Danilo Barcelos, conseguindo êxito em muitos ataques. Marrony até o apoiava bastante, mas a equipe catarinense conseguia gerar superioridade 3×2 e criar por ali. A bola aérea também foi um fato positivo pra equipe mandante, apesar do bom posicionamento da defesa vascaína. Os destaques vascaínos no 1º tempo ficaram com Fernando Miguel, Ricardo Graça e Raul. No ataque após os 15 minutos de controle do Avaí, o Vasco teve algumas oportunidades de contra ataque, mas foram desperdiçadas pelo erro na tomada de decisão ou execução de Lucas Santos principalmente. O resumo do 1º tempo foi um jogo fraco tecnicamente do Vasco e com ineficiência ofensiva, mas defensivamente funcionou a maior parte do tempo, marcando prioritariamente no 4-1-4-1 com Raul fazendo o elo defesa/meio. Por vezes, o Vasco se alternava no habitual 4-4-2, com Lucas Santos e Tiago Reis à frente.

Para a segunda etapa nenhuma substituição na equipe vascaína, mas Valentim ajustou alguns detalhes no vestiário. Mais objetivo, com posse mais inteligente e jogadores da frente um pouco mais associativos. Pikachu e Lucas Santos se invertiam de posição por vários momentos e isso acabou aumentando a dinâmica da equipe. Mas ainda faltava algo: Valentim então chamou Yan Sasse e Maxi para o jogo e substituíram Lucas Santos e Tiago Reis, respectivamente. Além da mudança de peças, o treinador fixou Pikachu centralizado. Yan Sasse entrou pela ponta direita e por característica buscava sempre o meio, o que melhorou o diálogo entre o ataque vascaíno, além de abrir corredor para Cáceres. Máxi entrou e teve a função de ser mais participativo, principalmente fora da área. E foi assim que saiu o gol. Após lateral do campo de defesa, Maxi recebe na faixa central do campo e inicia a jogada do gol (veja o vídeo abaixo).

Yan Sasse além de participar do gol, melhorou o volume ofensivo do ataque, dando velocidade e poder de fogo. No lance abaixo, ele aparece procurando Marrony e se posicionando como um meia:

Como resposta, Geninho colocou Julinho e tentou retomar o controle da partida, mas voltou a explorar muitas bolas longas e cruzamentos sem reparação da jogada. E apesar da pressão, o volume efetivo foi baixo. Vasco teve ainda algumas opções no contra ataque, mas preferiu utilizar a experiência de Maxi e Pikachu para baixar o ritmo, coisa que não foi feita no primeiro tempo. O Vasco mais uma vez se apresenta com ideias, mas com oscilação e precipitação na hora de coloca-las em prática. Teve bons pontos, mas a fragilidade do lado esquerdo defensivo, é algo que preocupa. Danilo tem recebido apoio de Marrony, mas tem sido necessário muitas vezes o deslocamento do zagueiro (Ricardo Graça) para cobri-los, isso se deve a ineficiência dos volantes nesta função. Valentim tem usado os volantes como protetores da faixa central, e “esquecido” do apoio ao lateral. E não é uma crítica individual ao Lucas Mineiro, pois Raul também caiu por ali muitas vezes na partida. É preciso fortalecer este aspecto, visando a temporada e a final diante do Flamengo, que utiliza muito bem os flancos.

@analisevasco

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