Audácia holandesa X pragmatismo italiano – ANÁLISE TÁTICA DE AJAX 1 X 1 JUVENTUS

Por Luiz Martins e Pedro Galante

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Desde os primeiros minutos de jogo, Ajax buscava realizar um perde-pressiona na saída da Juve, dificultando bastante a criação de jogadas, obrigando Szczesny a buscar chutões para que seus companheiros disputassem segundas bolas no meio-campo. Desta forma o Ajax tinha facilidade em recuperar a posse, e buscar agressividade em seus ataques, buscando ser um time bastante vertical.  Tádic saia muito da referência sempre trazendo consigo algum dos defensores centrais, principalmente Rugani que substituiu Chielinni (principal fiador de todo sistema defensivo juventino). Assim, ele buscava cair por um dos lados do campo, fazendo com que o ponta do lado oposto buscasse também se juntar ao setor da bola, para triangulações, dando espaços aos meias (Van de Beek foi o meia mais beneficiado aqui), ou ao ponta oposto, aparecerem nestas lacunas da defesa adversária.

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Marcação alta e encaixada do Ajax. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O principal lado de ataque se transformou no lado esquerdo, com a ótima qualidade de David Neres, que tinha facilidade para realizar dribles no corredor, ou buscando o centro do campo, fazendo trocas de posicionamento, quando o lateral Tagliafico aparecia no corredor.
Ziyech se aproveitava bastante destas movimentações, aparecendo sempre livre no lado direito, mesmo que fosse bem marcado. Quando fazia a inversão de lado, Bonucci era o alvo da vez, sendo retirado da área. Tem Haag parece ter buscado sempre realizar alternações dos lados para atacar.

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Mobilidade no ataque holandês. Jogadores se concentram de um lado, companheiro infiltra do outro. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

A Juventus realizava uma marcação em bloco médio (marcava com a última linha no meio-campo) e com as investidas do adversário, se compactava com suas 2 primeiras linhas, na tentativa de dificultar algumas ações ofensivas. Assim obrigava os holandeses a apostar em finalizações de fora da área. O interessante aqui é que Cristiano não retornava junto a Mandzukic, ficando sempre mais solto para o contra-ataque. Quando algum companheiro de linha recuperava a bola, ele era sempre o alvo a ser acionado. Ele retornava mais ao centro arrastando um adversário, retornava essa bola a algum companheiro em um dos lados, dando tempo da Juve se ajustar com sua transição ofensiva. Nestes momentos Bernardeschi e Matuidi, jogadores de maior pulmão da equipe eram os principais alvos, para conduzir a bola até a área adversária, sendo sempre apoiados pelo lateral de seu lado.

Aos poucos a Juve foi conseguindo entender a proposta defensiva do adversário e assim, começo a buscar suas tradicionais inversões de setor, uma característica comum da equipe. Só não contava com uma ótima partida até o momento de De Jong, que conseguia defender sua área, recuperando bolas e realizando uma saída limpa, buscando na maioria das situações seu companheiro Frenkie de Jong, que era o centro criativo da equipe. Dele saiam as principais jogadas do Ajax, sendo totalmente um ponto de desequilíbrio na partida. Sua leitura da partida era um ponto forte no momento ofensivo do Ajax, sabendo o momento de trocas de corredores, tirando a bola da pressão, ou o momento de forçar uma bola mais longa, na tentativa de quebrar linhas de marcação.

Já pela Juve, como Pjanic sentia dificuldades em gerar jogadas como faz costumeiramente, apostando mais em toques mais curtos a seus companheiros mais próximos, quem era um importante jogador nestas fases de jogo era Matuidi. O francês é quem mais recebia a bola em transição, realizando conduções em velocidade, buscando sempre acionar os homens de frente, que recebiam em condições boas para causar perigo ao adversário, mas eram bem desarmados. Ele se projetava à frente desde a base da jogada, até próximo à área.  Bentancur também teve sua importância após os trinta minutos, conseguindo receber essa bola mais limpa, entre volante e lateral (meio-espaço) e gerar jogadas de perigo, mas não teve uma efetividade em suas ações no primeiro tempo.

Mais próximo do final a Juve mudou sua postura e começou a pressionar o adversário, já na saída de bola e assim o panorama da partida se alterou, com os italianos recuperando mais bolas do que no início, mas ainda sofriam com a pressão holandesa e agressividade de atacar.

Com esta pressão, recuperou a bola e em um lance de inteligência, brilhou Cristiano. Ele recebe a bola no meio, aciona o lateral em transição e busca infiltração na área, recebendo belo cruzamento de Cancelo, colocando a bola no fundo das redes e abrindo o placar no final da primeira etapa.

852.pngGol da Juventus: infiltração de Ronaldo e ótimo cruzamento de Cancelo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

No segundo tempo, o domínio foi todo do Ajax. O empate veio logo no primeiro lance. Cancelo dominou mal uma bola lançada, Neres se aproveitou, dominou, conduziu e acertou um lindo chute de direita.

O restante da partida foi de imposição holandesa, forçando a Juventus a se defender inteiramente no seu próprio campo. Quando os italianos recuperavam a bola, eram sufocados. Bentacur era o único jogador que ensaiava momentos de escape da pressão. Allegri colocou Douglas Costas, para tentar criar perigo nas transições, mas o brasileiro mal foi acionado.

O Ajax teve muito volume de jogo, graças sua ótima circulação de bola. Aqui entra Frenkie De Jong, o garoto fez mais uma excelente partida, se movimentando por todo campo, criando superioridade e ditando o ritmo.896(Mais uma) Ótima partida de De Jong. (Foto: SofaScore)

O empate ficou barato para a Juventus e pode custar caro ao Ajax. Os destemidos jovens holandeses terão de suar para selar a classificação em Turim, que foi palco da reversão de um placar de 2 a 0 na última fase da competição.

@ojunomartins @pedro17galante

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