Athletico supera a retranca do Tolima – ANÁLISE TÁTICA DE ATHLETICO 1 X 0 TOLIMA

Por Henrique Mathias

Depois de uma noite mágica na Arena da Baixada, onde venceu o Boca por 3-0, o Athletico voltou a campo na capital paranaense, para um desafio diferente. O Deportes Tolima não viria com a postura do gigante argentino, de tentar jogar de igual para igual e oferecer espaço para as transições do Furacão.

O Athletico começou o jogo com intensidade, controlando totalmente a posse de bola e buscando mais uma vez utilizar a movimentação de suas peças para chegar ao gol. Foi muito legal acompanhar outra vez a mutação dessa equipe do momento defensivo para o momento ofensivo.

O Athletico variou mais uma vez entre o momento defensivo em 4-1-4-1 para o momento ofensivo em 3-4-3. Dessa vez Renan Lodi esteve ainda mais profundo do que contra o Boca e nos primeiros 15 minutos de partida, Marco Ruben ficou posicionado aberto pela direita para atacar a diagonal da defesa do Tolima

Athletico realizando a transição defensiva, saindo do 3-4-3, passando pelo 4-4-2 com Marco Ruben e Roni pressionando a saída do Tolima, para finalmente retornar para o 4-1-4-1.

Mesmo com toda amplitude que o time Brasileiro consegue criar e toda a troca constante de posição entre as peças, faltou penetração no terço final. Roni esteve muito bem marcado e Renan Lodi, apesar de muito profundo, não foi efetivo no 1×1.

Leo Pereira e Bruno Guimarães foram os melhores do Athletico no primeiro tempo. Leo Pereira é um defensor incrível, seja construindo com seus passes e condução, seja ajustando linhas e cobrindo as subidas do Lodi. Bruno Guimarães atuou aberto pela esquerda até os 25 minutos, funcionando como um criador desde a zona lateral e limitando as subidas do lateral direito do Tolima, Castrillon. Depois retornou a zona central para oferecer sua qualidade de drible e condução facilitando a saída de bola do time.

O Tolima de Alberto Gamero esteve perfeito defensivamente, com seus 4 defensores bem próximos e com os pontas, Cariaco e Castro retornando pelas beiradas para cumprir uma função quase de segundo lateral. Com isso por muitas vezes o desenho do time foi o 6-3-1 para defender. Vazquez e Carrascal foram os homens que tentaram organizar as ações ofensivas do time no primeiro tempo, no pouco tempo que tiveram a posse de bola. Já Gordillo foi fundamental pressionando, roubando bolas e fechando espaços.

O time colombiano jamais conseguiu ser efetivo quando teve a bola. Marco Perez esteve abaixo do que pode, pouco ativo nos duelos pelo alto, dificultando a segunda bola e a subida de seus companheiros.

Tivemos um segundo tempo de diferentes fases em Curitiba. Até os 20 minutos funcionou bem a troca de Tiago Nunes, com a saída de Lucho e a entrada de Tomás Andrade. O time ficou ainda mais dinâmico, utilizou bastante a saída de bola em 2+3 com Camacho centralizado e Tomas Andrade pela direita e Bruno Guimarães na esquerda e criou duas chances claras de gol.

O Tolima permaneceu jogando recuado, formando uma linha de 6 em muitos momentos e sem conseguir somar saídas, seja em ligação direta ou subida dos laterais.
Após os 20 o jogo entrou em uma faixa mais complicada para o Furacão. O time ficou ansioso e precipitou lances importantes, facilitando a vida dos zagueiros rivais, muito potentes fisicamente.
Tiago Nunes trocou Nikão por Cirino, buscando a o peso de Cirino na grande área.

Apesar de colocar em campo outra vez mecanismos ofensivos bem trabalhados, movimentar suas peças e trabalhar bem a bola, o Athlético não conseguiu tanta produtividade no terço final, com Marco Ruben não recebendo nenhuma bola em boas condições.

O que prevaleceu para que o 1×0 finalmente fosse marcado foi a qualidade individual de Bruno Guimarães e sua capacidade de insistir mesmo quando parecia que não iria dar. Finalizou de longe, contou com desvio e explodiu seu torcedor.

Importante ressaltar essas características em um jogador como Bruno. É um protótipo do meio-campista moderno, que é tão valorizado na Europa e passou a ser sonho de consumo por aqui. Contudo ele também é muito brasileiro, sul-americano, latino, no que diz respeito a assumir o peso do jogo quando tudo parece que não vai funcionar. Ele insiste mesmo quando está em dificuldade e por isso marcou o gol da vitória.

@riquemathias

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