Aos fracos a derrota derruba, aos fortes ensina a crescer – ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO1 x 1 FLUMINENSE

Por Jorge Coutinho

No último sábado, o Fluminense enfrentou o Flamengo pela quarta vez nesse ano, partida esta que valia a vaga na decisão do Campeonato Carioca em 2019. Por ter sido Campeão da Taça Rio a equipe da Gávea tinha vantagem do empate.

Diniz não contava com Digão, Mascarenhas e Airton lesionados, Ganso suspenso e Pedro ainda em recuperação da cirurgia realizada no ano passado. E assim nosso treinador mandou o time a campo:

WhatsApp Image 2019-04-08 at 20.19.21Formação inicial do Fluminense, semifinal do Campeonato Carioca.

O modelo de jogo do Diniz até essa partida tinha traços fortes: a importância da saída de bola de 3 (La Volpiana), a altura da linha defensiva – marcada por diversas vezes pela posição da bola, tornando-a média-alta e com duascaracterísticas básicas: ir atrás do rival com o trio da frente e posteriormente cobrir o companheiro; abusca de superioridades (numéricas ou posicionais) na linha média; o passe como instrumento para desorganizar o adversário. O Fluminense a maneira do Diniz tomava a iniciativa e controlava o jogo.

Este padrão, infelizmente, não foi repetido nesse jogo de sábado. O Fluminense entrou na partida assustado e foi sufocado. Os primeiros 20 minutos de jogo foram realizados com ações do Flamengo no seu campo defensivo. Abel orientou seus jogadores de frente a marcarem e pressionarem a saída de bola, somado a essa orientação a falta de atitude dos jogadores Danielzinho e Dodi, em fixar e abrir opções de passe,   resultaram em muitos erros de passes e consequência quebra da posse de bola e jogabilidade no terço final.

WhatsApp Image 2019-04-08 at 20.19.33Mapa de passes nos 20 minutos iniciais da partida – Fluminense x Flamengo.

A imagem acima mostra claramente a dificuldade da troca de passes da equipe do Fluminense, foram oitenta (80) passes com quase 50% de erros forçados ( 41 passes certos, 39 passes errados). Observa-se também a inexistência de troca de passes no terço final da equipe das Laranjeiras. Já o Flamengo teve o mesmo número de passes, oitenta (80), entretanto dezenove (19) passes no terço final. Embora esse volume e controle de jogo fosse visível, todo esse esforço resultou em apenas 1 (uma) finalização que veio após uma roubada de bola do Arão , destacado abaixo.

Após a parada técnica, o time voltou menos assustado e abriu mão de não dar passes longos, com isso conseguiu entrar no jogo e diminuir o volume de jogo do adversário. Caio Henrique e Everaldo entraram no jogo, concentrando o jogo do lado esquerdo. Mesmo pressionado e não tendo o controle do jogo, o Fluminense conseguiu sair na frente no primeiro tempo. Everaldo fez boa jogada, balançou o corpo e abriu para Caio Henrique que cruza na cabeça de Gilberto.

WhatsApp Image 2019-04-08 at 20.19.41Mapa de passes e finalizações, nos 20 minutos iniciais da segunda etapa.

Abel foi forçado a tirar Uribe por contusão, para colocar Gabigol. Essa alteração tirou um 9 fixo, por um atacante mais leve e com mais movimentação. Os primeiros vinte minutos da segunda etapa foi a repetição do que foi visto no início do primeiro tempo. Resultando em mais um domínio da equipe Rubro-Negra, registrando 162 passes certos com 51 deles no terço final. Já o Fluminense teve 119 passes e apenas 9 no terço final. Diferentemente do primeiro tempo, esse controle do jogo resultou em 10 finalizações contra 4 do Fluminense.

Aos 28 minutos da etapa final erros do lado Fluminense e acertos do lado da Flamengo, resultaram no gol de Gabriel que garantiria a vaga para a decisão do Campeonato Estadual.

Pelo lado Rubro Negro o acerto no balanceamento da jogada – começa na direita e termina na esquerda.Renêposicionado no meio de campo, recebeu a bola vindo da direita e conseguiu dar um passe chave, encontrando Gabriel na esquerda em condições de dominar, posicionar o corpo e finalizar. Chute forte, no canto, de quem sabe finalizar.

Pelo lado do Fluminense, um erro coletivo: concentração de jogadores no lado esquerdo de defesa, deixando o lado oposto (direito) com poucos jogadores na cobertura. Nino e Gilberto que poderiam estar na jogada estavam mal posicionados dando espaço para o atacante adversário. O erro individual do goleiro Rodolfo não chega a ser gritante, mas o chute passa muito próximo ao seu corpo, poderia ter defendido.

WhatsApp Image 2019-04-08 at 20.19.47Sete jogadores do Fluminense na zona esquerda defensiva.
WhatsApp Image 2019-04-08 at 20.19.54Bola passa entre o goleiro Rodolfo e a baliza.

No desespero por tornar a equipe mais ofensiva, Diniz colocou Calazans e João Pedro no lugar de Dodi e Nino. Os 20 minutos finais a bola ficou mais nos pés da equipe tricolor, trocando 83 passes contra 42 do Flamengo, entretanto a equipe não teve controle do jogo e não finalizou sequer uma vez após tomar o gol de empate.

Diniz, os jogadores e a torcida do Fluminense precisam virar a chave. A equipe tricolor encara o Luverdense, no Maracanã, amanhã às 19h15, pela 3 ª fase da Copa do Brasil. O primeiro duelo terminou empatado, qualquer empate leva a disputa de pênaltis e quem vencer se classifica.

Diniz precisa enxergar e aprender com as derrotas pois elas estão nos mostrando a dificuldade para iniciar as jogadas quando pressionados, de termos poucos jogadores que consigam ser mais agudos em passes de rupturas como também ter jogadores no meio de campo que consigam imprimir o controle de jogo. Airton e Ganso fizeram muita falta, mas a temporada é longa e não dá pra contar com um time na conta do chá.

O Fluminense precisa se reencontrar e assumir o jogo com personalidade do seu treinador. Tomar a iniciativa, dominar e atacar. O repertório de jogadas e sua ideologia de futebol foram amplamente elogiadas, mas em parte abdicada nesse Fla-Flu.

Bola pra frente, Fluminense.

@JorginhoFFC

Um comentário sobre “Aos fracos a derrota derruba, aos fortes ensina a crescer – ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO1 x 1 FLUMINENSE

  1. Parabéns pela explanação clara e concisa !
    Ficou nítida a necessidade de jogadores com melhor toque e domínio de bola para executar o que o técnico Diniz propõe .
    Sem melhora e confiança do passe teremos sempre problemas quando pressionados pelos adversários no seu próprio campo .
    Saudações Tricolores !!!!

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