A RUPTURA QUE VIROU TRANSIÇÃO

Por Kleyton Sampaio

Roger Machado em seu primeiro treino no Bahia

Roger Machado chega ao Bahia após um começo de ano conturbado e frustrado por parte da torcida, onde o clube aspira o maior orçamento da história, fez contratações badaladas como Fernandão e Guilherme, porém foi eliminado precocemente da Copa do Nordeste e Sulamericana. Diante do exposto, não coube alternativas ao clube se não, demitir Enderson Moreira.

Enderson foi contratado com a intenção de fazer um trabalho a longo prazo. O plano era iniciar um processo de implantação de um modelo de jogo que estivesse de acordo com os contextos do clube.

Como o futebol não é uma ciência exata, o técnico foi demitido por conta da maus resultados, fraco desempenho contra times com baixo primor técnico e tático, por fim as eliminações nas principais competições do primeiro semestre.

Ramírez comemorando o gol do triunfo do Liverpool em plena Fonte Nova.

Vários técnicos foram ventilados e tudo indicava que uma nova linha de trabalho estava por vir. Felizmente o Bahia fez uma boa escolha na hora de nomear seu novo comandante.

“Ele é um cara estudioso, que joga para frente”. Palavras de Guilherme Bellintani, presidente do clube.

O Bahia queria dar continuidade e enraizar no clube um modelo que priorize a posse e ofensividade, acertou ao contratar Roger Machado.

Uma mudança de técnico em qualquer clube pode significar um grande reboliço, mas nem sempre isso se torna algo benéfico pensando a longo prazo.

O processo de remodelagem de uma equipe que já foi montada e planejada é bastante complicado. Nem todos os clubes tem estrutura suficiente para fazer este tipo de mudança com a temporada já em andamento. Mais um ponto que mostra a boa escolha do Bahia.

O que poderia significar um rompimento de uma linha de trabalho na verdade pode se tonar uma continuidade. No Grêmio, por exemplo, Roger também herdou um trabalho que foi iniciado por Enderson, situação que agora irá se repetir com o Bahia. Vale ressaltar que os dois treinadores fizeram parte de um processo de consolidação do modelo de jogo da equipe gaúcha e foram cruciais para deixar uma boa base montada, que seria usada e aprimorada por Renato Gaúcho, levando a equipe ao topo da América.

Enderson Moreira à beira do campo comandando o Grêmio.

Roger e Enderson tem mais semelhanças do que diferenças. Os dois treinadores tem como prioridade montar equipes bem estruturadas, compactas, que gostam de ter a bola para jogar.

O Bahia de Enderson era um time que buscava construir as suas jogadas desde o campo defensivo. Os volantes participavam ativamente no apoio aos defensores, afim de criar superioridades para uma saída com segurança até a zona de criação. Com Roger não é diferente, suas equipes também tem essa característica de saída com sustentação, como mostra a imagem abaixo:

Bahia iniciando a sua construção tendo os volantes próximos a linha de defensores.

Saída de bola do Atlético-MG tendo os volantes próximos aos zagueiros.

Palmeiras tendo a aproximação dos volantes para auxiliar os zagueiros no início da construção.

Também é possível ver a sinergia entre os volantes para alternar os apoios nas equipes de ambos os técnicos. Quando um se projeta para faixa central, o outro aparece para auxiliar o início da construção.

Bruno Henrique próximo aos zagueiros na saída de bola.

Elton próximo aos zagueiros para auxiliar a saída de bola do Bahia.

Maicon se deslocando para auxiliar a saída de bola do Grêmio.

No momento de construção era possível observar que o Bahia tentava executar triangulações pelos lados do campo. Próximos ao trio sempre tinha a chegada de um dos volantes como apoio a troca de corredores. O mesmo movimento é usado nas equipes do Roger Machado, porém com uma finalidade diferente. A aproximação dos volantes de Roger além de desafogo servem como apoio aos triângulos numa forma de facilitar o envolvimento ao adversário.

Douglas na base da jogada para servir de apoio a troca de corredores.

Adilson se aproximando ao setor da bola para gerar mais uma opção de passe.

Maicon se apresentando para gerar mais uma opção de passe a triangulação do Grêmio.

Outro ponto a ser destacado na construção de jogadas é a projeção de meias e atacantes para ocupar espaços entre linhas. Os dois treinadores estimulam seus atletas a aproveitar esse espaço as costas dos volantes adversários.

Arthur e Athur Caíke se projetando entre linhas .
Douglas e Luan se posicionando entre as linhas de marcação para receber o passe as costas da defesa.

Jogadores do Atlético se posicionando entre as linhas de marcação para receber o passe as costas da defesa.

Na transição defensiva existem alguns comportamentos semelhantes e outros distintos. Os dois treinadores gostam de usar o 4–4–2 como esquema base na recomposição, servindo como rito de passagem para executar as suas formas de combater e recuperar a posse.

Recomposição defensiva no 4–4–2 em boco médio/baixo.

Recomposição defensiva em bloco médio/baixo.

Recomposição defensiva em bloco médio/baixo.

Após a perda o Bahia buscava recompor rapidamente atrás da linha da bola, se posicionava em bloco médio e assim usava a indução seguida da pressão para recuperar a posse. Apenas esporadicamente a equipe tentava pressionar logo no último terço.

Bahia formando encaixes em bloco médio.

Bahia usando encaixes coletivos e individuais para bloquear a projeção do adversário no corredor esquerdo do campo.

Com Roger as equipes buscam usar uma pressão pós perda a fim de recuperar a bola ainda no último terço do campo.

Grêmio tentando executar a pressão após a perda da bola para conseguir a recuperação próximo ao gol adversário.

Jogadores do Palmeiras tentando pressionar o portador e fechar as linhas da passe para forçar o chutão do adversário.

Grêmio encaixando a marcação para forçar Alisson a usar bola longa.

Caso não obtenha êxito, o time recompõe em bloco médio/alto variando para médio/baixo buscando a indução seguida da pressão como forma de abordagem para com o adversário.

Extremo direito sendo liberado para pressionar no corredor direito.

Pedro Rocha preparando para deslocar-se ao local de saída da defesa adversária.

Dudu sendo liberado para pressionar, saído da linha de meias e se juntando aos dois atacantes para fechar os espaços no corredor esquerdo

Com isso podemos constatar que o Bahia não sofrerá mudanças drásticas no seu modelo de jogo, já que ambos os técnicos tem propostas parecidas. Isso poderá significar uma facilidade no entendimento das ideias do novo treinador, resultando em um ganho na execução dos princípios do jogo neste novo trabalho. Roger tentará trazer um pouco mais de dinamismo as ações do time, priorizar a retomada rápida da posse com uma abordagem mais agressiva e aumentar a quantidade de jogadores na busca por infiltrações.

O Bahia muda o técnico, mas mantém a mesma linha de trabalho. Se dará certo ou não é difícil saber, porém dentre as opções de mercado foi uma escolha acertada da diretoria tricolor.

Bem vindo, Mister!

@SampaioKleyton1

2 comentários sobre “A RUPTURA QUE VIROU TRANSIÇÃO

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