Em noite de pouca produção ofensiva, Palmeiras perde do San Lorenzo na Argentina – ANÁLISE TÁTICA SAN LORENZO 1 x 0 PALMEIRAS

Por Breno Barbosa e Rique Mathias

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O Palmeiras teve alguns desfalques para enfrentar o San Lorenzo, fora de casa. Às duas principais baixas foram Gustavo Scarpa e Ricardo Goulart, jogadores que compõem o sistema de criação e ofensivo do verdão, fazendo com que os paulistas sentissem muita falta da dupla.

O Alviverde foi a campo no tradicional 4-2-3-1, com variações para um 4-4-2, tendo Moisés centralizado no meio e Felipe Pires na extrema direita. Outra surpresa, foi a escalação do volante Thiago Santos, na vaga de Felipe Melo, desta forma o Palmeiras rodou suas peças e até iniciou bem a partida. O técnico Felipão utilizou suas linhas de marcação na defesa e meio campo, com os extremos sendo sacrificados e acompanhando os laterais, além de buscar dobrar a marcação, isso inibiu que os argentinos tivessem grandes oportunidades.

WhatsApp Image 2019-04-04 at 19.58.14O 4-2-3-1 do Palmeiras.

Na zona ofensiva, Moisés tinha a missão de pisar na área, sendo elemento surpresa nas infiltrações e encontrar espaços para que o trio ofensivo conseguisse levantar vantagem no 1×1 e usassem a velocidade e dribles para quebrarem a marcação do oponente. Entretanto, o Palmeiras não teve muito êxito nessas tentativas. Às principais jogadas aconteceram com o centroavante Deyverson, no lançamento direto dos atletas defensivos. O centroavante movimentou-se muito e venceu diversas jogadas áreas, isso possibilitou que Moisés ocupasse o espaço vago no campo adversário, enquanto Dudu tinha a missão de se movimentar, deixando Felipe Pires fixo no lado direito, sendo a válvula de escape para os lances individuais.

Jogo direto com Deyverson aberto na direita:

Pires aberto na extrema, Deyverson móvel e sendo opção, enquanto Moisés infiltra-se e aparece para finalizar no espaço vazio:

Apesar de ter controlado as ações e os momentos do jogo na primeira etapa, o treinador Felipão optou por mexer na equipe, principalmente no meio-campo. Scolari trouxe a campo o volante Felipe Melo e o meia Lucas Lima, nos lugares dos pendurados Thiago Santos e Bruno Henrique, a ideia era dar mais vigor físico no meio, além de contar com alguém mais técnico para organizar as ações no ataque.

Entretanto, às mudanças acabaram prejudicando a proposta palmeirense e fez com que o Alviverde perdesse seu primeiro jogo na Libertadores 2019. O meio-campista Bruno Henrique é muito valorizado por ocupar várias faixas do campo, ter uma ótima leitura das jogadas e ocupar espaços, com a sua saída, o time ficou mais lento na recomposição, formando um buraco na entre as linhas defensivas, e o San Lorenzo aproveitou, marcando o gol da vitória justamente nesse espaço concedido pelo Palmeiras.

A importância da intensidade de Bruno Henrique:

O contra-ataque foi outra ação pouco utilizada, pois faltava velocidade pelos lados e aproximações dos meio-campistas, o time ficou espaçado e optando por bolas áreas, sem sucesso.

Nenhum time se sobressaiu em campo, porém o San Lorenzo aproveitou a oportunidade e o erro de Felipão, para garantir os três pontos e a liderança do grupo. Pelo lado palmeirense, ficou evidente a carência no momento de propor o jogo, de construir às ações e achar espaços em uma defesa compacta.

O verdão preferiu o jogo aéreo, entretanto é necessário ter mais repertório e pressionar com mais homens no campo ofensivo, diminuir o espaço do campo é fundamental. O momento é pensar no clássico contra o São Paulo e conquistar a classificação para a final do Paulistão 2019.

O San Lorenzo de Jorge Almiron entrou em campo pressionado pelo momento ruim que vive no Campeonato Argentino. Com o Nuevo Gasómetro recebendo grande público e pulsando, o Ciclón entrou em campo escalado no 4-1-4-1, com as tradicionais ideias posicionais de seu treinador. O time trabalha uma saída de bola com 3 + 2, o que consiste em contar com o primeiro volante, Raúl Loaiza, posicionado entre os zagueiros, avançar os laterais para a faixa central e posteriormente os dois meias centrais, Román Martinez e Gonzalo Castellani, retornam para serem opções de passe próximo aos 3 jogadores posicionados na primeira linha.

WhatsApp Image 2019-04-04 at 20.06.15Saída em 3 do San Lorenzo.

Almiron trabalha com essas ideias de saída de bola desde os tempos de Lanús, onde foi finalista da Libertadores. Contudo em seu trabalho no Atlético Nacional e nesse começo de trabalho no San Lorenzo, apesar das boas ideias, falta maior dinâmica ofensiva e capacidade de ser incisivo, com seus times tendo muita posse de bola, mas produzindo poucas chances de real perigo.

Diante de um Palmeiras bem recuado, com linhas próximas e Thiago Santos trabalhando fixo a frente da defesa, o San Lorenzo não fez um bom primeiro tempo, ficando bem dependente das jogadas individuais de Juan Salazar pelo lado direito. Román Martinez esteve apagado e Castellani foi o jogador mais ativo, aparecendo na entre linha e finalizando a única chance de perigo dos argentinos na primeira parte.

Com as mudanças de Felipão, o jogo ficou mais simples para os meias argentinos, com Felipe Melo e Moises como dupla mais recuada, o espaço na entre linha cresceu e a transição defensiva do Palmeiras foi lenta. Dessa maneira nasceu o gol da partida. Com o lateral Marcelo Herrera conduzindo a bola por muitos metros, sem contar com enfrentamento efetivo dos volantes do Palmeiras.

WhatsApp Image 2019-04-04 at 20.11.57Román Martinez trabalhando na entre linha do Palmeiras na segunda etapa.

O San Lorenzo está confortável no grupo, mas precisa apresentar maiores mecanismos ofensivos. Muito válido que trabalhe uma construção posicional, uma saída em 3+2 e que busque estabelecer a direita como lado forte com Salazar, mas sem ter dinâmica ofensiva, a posse de bola vira mais problema do que solução e o time acaba refém de suas próprias ideias. O jogo posicional do Almiron é bonito, mas ainda assim precisa criar vantagens e oferecer condições de desequilíbrio aos jogadores principais.

@12Brenobarbosa e @riquemathias

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