Uma noite mágica em Curitiba – ANÁLISE TÁTICA ATHLÉTICO 3 x 0 BOCA JUNIORS

Por Henrique Mathias

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Muito marcada pela atmosfera dos estádios em suas partidas e pelo estereotipo da competição da garra e da raça, nesta terça-feira, 02 de abril de 2019, a Copa Libertadores nos presenteou com um jogo muito bem jogado entre Athletico Paranaense e Boca Jrs.

Num duelo de duas equipes que tem muitos detalhes de um jogo posicional e mecanismos semelhantes, prevaleceu o jogo do time brasileiro, que tem maior continuidade, coordenação maior entre as peças e uma fluidez ofensiva impressionante.

O diferencial maior de um Athletico de trabalha muito bem a bola e tem um grande volume de jogo, se dá pela movimentação constante de suas peças e pelo trabalho efetivo dos seus mecanismos de saída de bola, transição defensiva e o modo como estabelece o lado esquerdo como lado de força, através de Renan Lodi e Roni, para depois trabalhar com Nikão no lado contrário.

O Athletico entrou em campo escalado no 4-1-4-1, mais uma vez com Camacho–Bruno Guimarães–Lucho Gonzales formando o trio central e Roni titular na ponta esquerda, com Cirino esperando no banco.

Já o Boca Jrs foi a campo escalado no 4-4-2, esquema que seu treinador Gustavo Alfaro vem trabalhando desde que assumiu, com Villa e Reynoso titulares nas pontas e Tevez titular no ataque, deixando Pavon e Zarate no banco.

O jogo começou com um ritmo bastante intenso, com o Boca buscando colocar em prática conceitos de um jogo posicional bastante pautado nas figuras de Ivan Marcone e BebeloReynoso. Marcone é o homem que afunda entre os zagueiros para trabalhar a saída em 3 e liberar a subida dos laterais. Já Reynoso é um criador desde a ponta e trabalha muito por dentro, criando espaço para a progressão de Emanuel Más pela esquerda.

Desta maneira o time Argentino conseguiu ser superior nos momentos iniciais, deixando o Athletico um pouco acuado. Entretanto o conjunto da equipe brasileira e a variedade de mecanismos que possuem acabou por colocar as coisas em condição de igualdade após os 20 minutos e deixar a partida favorável após os 30.

Partindo dos ajustes que Camacho realiza desde a zona central do campo e contando com uma coordenação incrível entre suas peças, o Furacão mostrou que pode sim ser considerado um dos melhores times do continente neste momento.

O primeiro gol do Athletico nasce do entendimento coletivo de Bruno Guimarães para controlar o ritmo da jogada, da explosão de Roni para criar o desequilíbrio e contando com a presença de área de Marco Ruben.

Essa é uma mudança fundamental entre o time que venceu a Sul-Americana 2018 para esse que joga a Libertadores 2019. Se com o trabalho de Pablo nos apoios e criando fora da área, Tiago Nunes contava com a capacidade de Marcelo Cirino de atacar o espaço e finalizar no gol. Com a chegada de Marco Ruben a ideia mudou. O centroavante argentino ajuda no pivô, em toques curtos e na presença de área. Com isso vem a opção pelo 1×1 de Roni e sua capacidade oferecer profundidade ao time.

Se precisasse descrever a equipe de Tiago Nunes em uma palavra, eu escolheria com toda certeza, movimento.

Dessa maneira o time criou o lance do segundo gol com Bruno Guimarães conduzindo, driblando e rolando para Marco Ruben finalizar.

Abaixo, vou detalhar alguns mecanismos importantes na partida de ontem, para o funcionamento coletivo das equipes.

Saída com os zagueiros: 

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  • O primeiro volante, Camacho, posicionado entre os zagueiros ou um pouco a frente como na imagem, sendo o ponto de ligação do triangulo que é formado na base das jogadas da equipe.
  • Laterais bem avançados e recebendo muitos passes curtos dos zagueiros que atuam pelo seu setor.
  • Bruno Guimarães e Lucho tentando acompanhar o fluxo da bola e oferecer sempre como opção para receber o passe.

Saída com Bruno Guimarães: 

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  • Thiago Heleno e Leo Pereira abrem o campo, Camacho recua para atrair um dos atacantes do rival e Bruno Guimarães aparece para receber a bola do goleiro Santos.
  • Ao receber a bola, Bruno tem Camacho como opção primária, podendo realizar o passe, mas também tem muita capacidade de drible em condução, para levar o time ao ataque com velocidade.

Quando avança com a bola e quebra a primeira linha de marcação, Bruno encontra uma equipe pronta para o passo seguinte:

  • Renan Lodi aparece bem avançado pelo lado esquerdo, quase como um segundo ponta.
  • Roni trabalha por dentro perto de Marco Ruben e Nikão–Jonathan ficam a espera na direita, com muito espaço disponível, devido a saída em velocidade do Athletico criarum lado forte pela esquerda.

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Toda a construção ofensiva desta equipe é pautada pelo dinamismo e entendimento coletivo dos seus jogadores, que trabalham muito bem os ajustes por setor.Como destaquei na primeira imagem, Camacho trabalha bastante entre os dois zagueiros para criar uma saída de 3, mas Tiago Nunes conseguiu chegar a uma maturidade coletiva tamanha que também utiliza Jonathan para acertar essa saída em 3, quando precisa de Renan Lodi bem avançado.

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Boca trabalha o “pressing” com Tevez e Benedetto, Leo Pereira é deslocado para cobrir o setor de Lodi, Jonathan é fixado pela direita e Camacho aparece como primeiro homem a frente da área, cuidando da entre linha do Athletico. Essa dinâmica entre Leo Pereira e Renan Lodi durou por quase toda a partida, com o zagueiro sempre cuidando das costas de Lodi, que é uma das principais armas ofensivas da equipe e precisa desse cuidado especial.

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Na imagem acima temos um lance onde o time Argentino recupera a posse de bola com Buffarini pelo setor de Lodi e avança em velocidade, contando com o apoio de Benedetto por dentro. Thiago Heleno fica com o centroavante do Boca e Leo Pereira realiza a compensação defensiva, levando Buffarini a indecisão e salvando o lance para sua equipe.

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O Boca também trabalhou bastante com a saída em 3+1, com o lateral esquerdo,Emanuel Más trabalhando como terceiro zagueiro e com Marcone posicionado a frente dos defensores para ativar em sequênciaNandez ou Reynoso.

O maior problema do time de Alfaro, foi a falta de dinâmica ofensiva para criar superioridade numérica em campo ofensivo, o que deixou a equipe muito dependente dos contra-ataques.

Num grande jogo de futebol, com bons mecanismos e individualidades de lado a lado, a capacidade de coordenação entre o momento ofensivo e momento defensivo, além de toda a fluidez e aproximação de peças do Furacão fez a diferença para o resultado final.

@riquemathias

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