A PAIXÃO E O EXTREMISMO NO FUTEBOL

Por  Pedro Morais

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Há um ditado popular que diz que futebol, política e religião não se discutem. São temas que sempre geram polêmicas por não serem uma verdade absoluta. Se não houvesse tantos contrastes, não seria tão apaixonante.O sentimento que o futebol provoca nas pessoas é a combustão para formação de opinião que para defendermos aquilo que amamos, acreditamos ter a verdade absoluta ao ponto de nos cegar, nos impedindo der viver ainda mais experiências incríveis. Muitas vezes com temas irrelevantes onde não há sentido até de existir.O debate faz com que haja a evolução e por isso ele é necessário, e para nós amantes do esporte que sempre exigimos a evolução, devemos considerar que a discussão é importantíssima.

Futebol é um mundo gigantesco, externa diversos assuntos e opiniões diferentes. Há uma frase do sábio professor e filósofo Leandro Karnal que diz: “A verdade nunca estará na ponta entre os debates, a verdade nunca estará nos extremos. A exaltação, o radical é sempre alguém que nega o debate e a razão e elimina a capacidade de conversa”.O futebol tem espaço para todo tipo de público, e nos debatesonde cada um, em seu íntimo, irá considerar o que é importante no mundo próprio. Portanto, tudo é válido, é necessário considerar que a opinião contrária não deve ser excluídaapenas porque é diferente.

Messi ou CR7? Posse de bola ou transições rápidas? O treinador tipo “boleiro cascudo” ou os estudiosos da nova geração?  Exemplos de questionamentos que a resposta será uma questão de opinião sempre, e a opinião será feita pela importância que cada umjulga ser importante para si próprio. Mas porquê que, na maioria das vezes, desprezam um para amar o outro?

Porque para alguns fãs do Messi, se tira os méritos da capacidade decisiva de Cristiano Ronaldo, e por que os de CR7 ignoram a genialidade do Argentino? Se o que ama o futebol, mesmo fã de uma das duas lendas, poderá também consumir dos momentos mágicos do outro. Não precisa odiar o argentino para amar o português e vice-versa, mas cada um tem o direito de ter algum como preferência.

Porque considerar ter a “posse” é o certo, se outras formas de pensar o jogo já ganharam tanto? Os próprios mentores do futebol não fazem isso. Telê afirmou para o Jornal Brasil, que a seleção de 82 tinha o mesmo toque de bola e o deslocamento da Holanda de 74, porém com a malícia e criatividade do brasileiro. A mesma referência que o símbolo do jogo de posição atual, Guardiola, que também já citou a mesma seleção de 82 como uma das que ele admirava. Pepjá disse também que aprende muito vendo times como os de Jürgen Klopp com um estilo alemão com ataques rápidos jogar. São apenas argumentos que comprovam, que os próprios mentores não descartam ideias que não são as mesmas das suas, para que evoluam o próprio jogo.

Isso ainda leva a outro ponto de discussão. Se o jogo de posição de Pep é considerado como um dos exemplos do “futebol moderno” foi devida a referências do passado que evoluiram o jogo. Porque o futebol europeu tem que ser a única referência para evoluir o nosso jogo? Os treinadores brasileiros poderiam unir o que fez parte da história do país, com sua cultura de jogar o jogo, contextualizado as referências vindas da Europa. Mais um exemplo de extremismo desnecessário que prejudica as experiências no futebol.

Porquê quando vemos sucesso de um treinador ‘cascudo’ significa que os treinadores da nova geração são incapacitados e vice-versa? O que o sucesso de um mostra a incapacidade do outro? Logo depois do 7×1, muitos treinadores renomados no futebol foram praticamente descartados pela imprensa e torcedores brasileiros os substituindo por treinadores de nova geração. E depois alguns insucessos dos novos, a mesma mídia e torcida os classificaram como “não preparados”. Na prática de fato, o sucesso de cada foi por pura competência independente da classificação dos treinadores. Tal discussão que não leva o futebol brasileiro evoluir em nada, apenas se iludir no desespero de se colocar de novo para o caminho certo.

O futebol é do povo, nunca deixou de ser e nunca deixará. O debate é essencial, seja para evolução do conhecimento ou lazer em conversas de bar. Apenas devemos ter cuidado com o tamanho da importância que damos para cada tópico e impedirmos nós mesmos de desfrutar do esporte que somos os fãs número 1.Independente da classe, idade ou área de atuação, todos temos algo a oferecer, cabe a nós sabermos absorver o que o outro tem para passar.

@CruyffTeam

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