O que esperar de Cuca?

Por Pedro Galante

Cuca comandou o primeiro treino oficial nessa segunda (1). Vamos fazer um balanço sobre a passagem de Mancini, detalhar o estilo de Cuca e projetar o São Paulo sob o comando do técnico. É preciso lembrar que Cuca já atuava internamente a algum tempo.

Apesar de resultados relativamente positivos é preciso recordar que esse entrave Jardine-Mancini-Cuca é uma vergonha administrativa e sintoma da incompetência da direção do clube.

Mancini assumiu a equipe e fez alterações precisas, corrigindo os principais problemas da equipe com Jardine. Buscou utilizar Hernanes mais próximo do gol e deu mais mobilidade ao time no meio campo, trocando os medalhões ultrapassados pelos enérgicos garotos de Cotia. E é esse o maior legado de Mancini. Se no início da temporada, depois de Hernanes, citava-se jogadores como Nenê e Diego Souza, hoje fala-se de Liziero, Luan e Antony. No aspecto geral, Vagner Mancini foi um bom interino, classificou o time as semifinais, e competiu de igual para igual contra o Palmeiras na partida de ida.

Falemos agora do estilo de Cuca. As duas palavras que melhor definem o treinador são intensidade e intuição. Suas equipes são marcadas pela intensidade, com e sem a bola. A intuição diz respeito à forma como o treinador trabalha, sempre com muito “tato” para compreender os jogadores e onde é melhor encaixá-los; e ao que ele quer que seus jogadores manifestem em campo, principalmente com a bola no pé.

Cuca é adepto a marcação por encaixes, sistema onde cada jogador faz uma marcação individual no adversário que ocupa o seu setor. Não há obrigação em se manter no setor, a referência principal é o adversário, no entanto as perseguições são médias, de modo que um lateral esquerdo, por exemplo, pode aparecer para marcar por dentro, mas nunca irá até o outro lado do campo acompanhando o adversário.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 20.30.06Marcação por encaixes do Santos de Cuca na temporada passada. (Foto: Charlton Junior).

Outra característica marcante é a liberdade e mobilidade no ataque. As estruturas de ataque são flexíveis, permitindo que os jogadores se movimentem de acordo com sua intuição, ocupando os melhores espaços para desenvolver as jogadas.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 20.30.15Mobilidade no Santo de Cuca: Gabriel (centroavante) saindo da área, Sánchez (meia) aparecendo a frente e o lateral Dodô dando apoio por dentro. (Foto: Charlton Junior).

Com as recentes chegadas de Alexandre Pato e TchêTchê, Cuca deve ter uma boa dor de cabeça para encaixar o time. São diversas possibilidades. Destaque para duas questões principais: o papel de Pablo e o balanço defensivo.

Pablo é excelente centroavante, mas não é o tipo de centroavante que o torcedor está acostumado. Pablo não gera jogo a partir de talento próprio, sua melhor contribuição surge quando se movimenta, por vezes saindo da referência, para abrir espaço para seus companheiros. É muito inteligente nesse sentido. Se Cuca souber combinar as movimentações de Pablo com infiltrações de Hernanes, ou diagonais de Pato, pode conseguir um poderoso argumento ofensivo.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 20.30.28A alternativa mais interessante, segundo o autor. (Créditos na foto).

O balanço defensivo são mecanismos da equipe para se defender de contra-ataques. Há muito talento disponível no ataque (Hernanes, Pato, Pablo, Antony, Everton, Igor Gomes, Helinho) e na tentativa de encaixar todos – ou a maioria – deles, o balanço defensivo pode ser comprometido. Hudson tem atuado como um lateral mais defensivo, e pode ser uma tentativa de equilibrar essa equação.

No mais, fica a boa expectativa para o trabalho de Cuca, que tem bons jogadores em mãos. Um título paulista – que é difícil – daria muito crédito ao treinador. De qualquer forma, o São Paulo tem potencial para formar uma boa equipe e incomodar no âmbito nacional – ainda mais se manter seus garotos.

@pedro17galante

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