Quando a derrota vem antes do gol de empate – ANÁLISE TÁTICA VASCO 1 x 1 FLAMENGO

Por Ricardo Leite

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Vasco e Flamengo se enfrentaram neste domingo, pela final da Taça Rio no Maracanã. O Vasco vinha de desempenhos bem contestados por sua torcida e com time quase completo, apenas com a ausência de Máxi Lopez, que ainda sofre com uma lombalgia. Mas longe de ser um problema, visto que Tiago Reis está de namoro com a torcida: 3 jogos como titular e 3 gols. O Flamengo por sua vez, vinha de um jogo nervoso diante do Fluminense, onde conseguiu a vitória no fim. Mas pelos compromissos da Libertadores, os rubro-negros á tinham definido e anunciado que viriam com uma equipe mista. Equipe esta, que contava com muita qualidade no setor de meio e ataque, mas fragilidades defensivas.

O Vasco tinha a receita para a vitória e para o título. Na verdade os seus erros e forças estão bem visíveis, e enfrentar um time misto, embora de qualidade, deveria ter dado ainda mais confiança e capacidade de resolução. É óbvio que não existe fórmula, ou receita para vitória, mas o que quero dizer é que com boa leitura do próprio jogo e buscando traçar boas estratégias, você fica bem mais perto do sucesso. A equipe do Flamengo tinha pontos fortes, como laterais ofensivos, Vitinho como ponta construtor, time buscando superioridade pelos lados e boa capacidade de finalização. E o Vasco tinha problemas, com apoio defensivo aos laterais, marcação dos adversários em suas entrelinhas, dificuldade de transformar um contra taque com potencial em perigo real ao adversário. E talvez o mais preocupante, a oscilação de ritmo, controle e posse que acontece de forma muito brusca, e que deixa a equipe vulnerável e “na lona”.

A verdade é que em nenhum momento o Vasco foi pleno na partida. Teve posse, mas pouca construção, tinha o controle, pois tinha a posse, ocupava até o campo rubro-negro, e não sofria com muitos contra ataques, mas como tem sido recorrente, quando enfrenta uma defesa postada, precisa de muitas tentativas para criar. O cruzmaltino gosta de criar usando seus laterais abertos, pontas por dentro e meias (e volantes ocupando setor central, mas com os laterais (mesmo com características ofensivas) do rival presos e com dois volantes auxiliando na cobertura, o Vasco pouco criava espaço e superioridade pelos flancos.

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A criação então ficou encarregada do camisa 10, Bruno César, que realmente não fez boa partida, longe disso, mas muito atrapalhado pela fato de seus colegas não encontrarem espaço para progredir.

E apesar de tomar poucos sustos, o Flamengo sabia qual era o caminho e forçou o jogo pelo lados, e era pelo lado esquerdo com Vitinho, que jogava buscando o centro do campo, seja para criar, finalizar ou abrir espaço para um jogadar em amplitude/profundidade, que o Flamengo conseguia ser mais perigoso. Ao passar dos minutos, foi encontrando a facilidade de criar, ao ocupar as entrelinhas de marcação do Vasco, que mesmo quando marcava no 4-1-4-1, que protege mais esse tipo de jogada, o Vasco continuou demonstrando esse tipo de deficiência. Mas isso era agravado, quando se postava no 4-4-2.

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Valentim, foi prejudicado pelas lesões de Castán e Bruno Silva, e acabou queimando duas substituições no 1º tempo, limitando o poder de reação/mudança. Bruno César que não vinha bem e demonstrou cansaço também precisou sair e com mais um gol do menino que tem jeito de Rei(s) dentro da área, de cabeça, o Vasco achou um gol, através da bola parada, e por mais que o Flamengo tenha dado muitos espaços, o Gigante da Colina não conseguiu aproveitar os contra ataques, se retraiu, marcou em zona e sem pressionar o portador da bola, como de costume, e viu o adversário aumentar a posse de bola, ocupar o seu campo de defesa, ocupar sua entrelinha sem ser incomodado e apesar de não criar grandes chances, aumentou aos poucos o volume.Além disso, o Fla subiu as linhas e prejudicou a saída de bola.

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Como castigo, sofreu gol no último minuto, em infiltração surpresa, após erros sequenciais do sistema defensivo.

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Nas cobranças de pênaltis o Vasco se viu prejudicado pela ausência de seus principais batedores, como Maxi, Pikachu e Bruno César, e viu Rossi, Tiago Reis e Werley desperdiçarem, enquanto apenas Rodinei errou para o Flamengo. O título da Taça Rio não veio, mas o campeonato está em aberto. Os principais problemas do Vasco não são tão difíceis de resolver, é preciso muita atenção e leitura para trabalha-los e buscar se tornar mais competitivo e menos dependente do “acaso”. Valentim ganha mais uma chance de dar os ajustes a um time que tem organização mas que peca nos detalhes, como cobertura, intensidade oscilante, recuo exacerbado e tomada de decisão equivocada no último terço.

@analisevasco

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