A primeira de duas batalhas — ANÁLISE TÁTICA CORINTHIANS 2 x 1 SANTOS

Por Jhonata Souza e Rodrigo Costa

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Buscando vaga na final do Campeonato Paulista de 2019, Corinthians e Santos iniciaram a disputa por uma das vagas nesse domingo, dia 31, na Arena Corinthians. Para esse jogo, após os retornos dos convocados, Jorge Sampaoli escalou o Santos num 4-2-3-1, com Vanderlei (1); Victor Ferraz (4), Luiz Felipe (2), Felipe Aguilar (26) e Felipe Jonathan (36); Alison (5) e Diego Pituca (21); Carlos Sánchez (7), Cueva (8) e Derlis González (17); e Jean Mota (41). Já o Corinthians de Carille foi a campo com a seguinte escalação: Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Avelar; Ralf; Love, Urso, Sornoza e Clayson; Gustavo.

Na organização defensiva (quando a equipe não tem a bola), o Santos se postava num 4-1-4-1, com Cueva sendo o jogador do primeiro combate a defesa corintiana e Jean Mota fazia a recomposição da linha de 4 meio-campistas. Mas, como o modelo de jogo santista é de pressão intensa ao portador da bola, em muitos momentos podia-se observar esse desenho se modificando, com jogadores subindo suas linhas para pressionar mais à frente (foto abaixo).A bola parada defensiva segue sendo um problema santista (desde a temporada passada), e Sampaoli ainda não conseguiu corrigir as falhas, apesar de ter zagueiros altos – Manoel fez o gol sem ninguém na marcação, e assustou novamente aos 11 minutos. Falhas individuais comprometeram o resultado.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.49.49Sánchez, Jean Mota e Derlis subiam para pressionar os adversários. Podemos observar Ferraz fazendo o mesmo, saindo da última linha de marcação para pressionar Clayson. (Fonte: SporTV/Premiere. Edição : Rodrigo Costa).

Quando não tinha a bola o Corinthians se defendia num 4-1-4-1, mantendo o seu padrão. A ideia de Carille foi repetir a estratégia do primeiro clássico entre as duas equipes onde o Corinthians atuo numa intensidade alta, pressionando a saída de bola santista e bem postado na defesa sem dar espaços para o Santos trabalhar pelo meio. A estratégia deu certo, pois no primeiro tempo a equipe de Carille se defendeu muito bem. O Timão em diversos momentos subiu a marcação para pressionar a saída de bola, o que forçou alguns erros do Santos, mas quando o adversário superava a pressão o Corinthians tinha velocidade para se recompor. Quando estava postada na defesa o time se fechou bem e impediu o Santos de trabalhar entre as linhas de defesa do Timão.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.50.00Corinthians postado no 4-1-4-1 de forma compacta impedindo que o Santos conseguisse trabalhar a bola pelo meio. (Fonte: Premiere).

Em diversos momentos que o Corinthians estava postado no campo defesa o volante Júnior Urso se desprendia da linha de quatro para ir pressionar o portador da bola. Quando esse movimentação acontecia cabia a Ralf ocupar o espaço deixado pelo seu companheiro para impedir que o Santos pudesse se aproveitar disso. Essa estratégia rendeu algumas roubadas de bola e junto com a pressão na saída de bola foram estratégias importantes para que o Corinthians não deixasse o Santos trabalhar a bola com tranquilidade. O Corinthians levou muita vantagem no meio campo por ter jogadores de mais força física, caso de Ralf e Urso, o que dificultou ainda mais a vida santista quando tinha a posse de bola.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.50.071° imagem  mostra o Corinthians subindo a marcação para pressionar a saída de bola do Santos. A 2° imagem demonstra Urso se desprendendo da linha para pressionar e Ralf ocupando o seu espaço. (Fonte: Premiere).

Ofensivamente o Santos criou muito pouco, foram apenas três chutes no primeiro tempo, sendo que o gol saiu de uma falha bisonha de Cássio. A posse de bola santista foi inofensiva. Diferente do último clássico, o Santos não jogou com Alison entre os zagueiros na saída de bola, mesmo com a marcação alta corintiana. Mas Pituca acabava subindo bastante (imagem do SofaScore mostra bem), portanto sobrecarregando Alison que não tem tanta qualidade na construção das jogadas quanto ele. De modo geral, o Santos com a bola foi esquematizado num 2-4-4, visto que os laterais eram apenas apoiadores e estavam mais preocupados com Vágner Love e Clayson, portanto gerando pouca profundidade. Cueva (falso 9) e Jean Mota (armador) trocavam bastante de função.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.50.13Pituca muito à frente, saída de bola comprometida. No ataque, Sánchez pela direita, Derlis pela esquerda e Jean Mota e Cueva alternando funções. (Fonte: SporTV/Premiere. Edição: Rodrigo Costa).
WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.50.20Posicionamento médio dos jogadores em campo. Com a bola o Santos atacou num 2-4-4, sem os laterais gerar tanta profundidade, mais preocupados com Vágner Love e Clayson. (Fonte: SofaScore).

Mesmo tendo menos a posse de bola que o adversário, foi o Corinthians que criou os lances mais perigosos no primeiro tempo. O Timão apostou na ideia de recuperar a bola e tentar sair em velocidade com Love e Clayson. Quando tinha a bola no pé a equipe de Carille ia em direção ao gol sem trabalhar muito a bola, de forma direta e usando bastante a capacidade de Gustavo de ganhar jogadas aéreas para se estabelecer no campo de ataque fugindo da pressão da marcação santista. Mas, o grande destaque individual do Corinthians ficou com Clayson. O ponta teve a liberdade para circular pelo campo ajudando na criação das jogadas e com a bola foi incisivo. Ele deu bastante trabalho para a defesa do Santos com a sua velocidade e o seus dribles. O gol da vitória surgiu após uma jogada individual de Clayson que levou a melhor no duelo contra Victor Ferraz e finalizou sem chances para Vanderlei. Ter um jogador com as características de Clayson foi uma grande vantagem de Timão conta o Santos, já que o adversário não tinha ninguém que fizesse o que o ponta fez na partida.

O Santos voltou do intervalo com Rodrygo no lugar de Cueva, modificando o esquema para o 4-3-3, com Sánchez recompondo o meio e a linha ofensiva com Derlis (esquerda), Jean Mota (falso 9) e Rodrygo (direita). O Santos continuou sem apresentar ameaças para a equipe corintiana, o time não conseguia acionar Derlis e, principalmente, Rodrygo em boas condições para o 1×1, tomava decisões equivocadas, além da construção das jogadas continuar apenas com Alison. Sánchez procurava espaço mais à frente, entrelinhas, próximo aos atacantes, mas sem sucesso, apagado no jogo acabou sendo substituído por Soteldo.Defensivamente o Peixe continuou se organizando no 4-1-4-1, fechando espaços e tentando subir a marcação para pressionar mais à frente. De maneira geral, no segundo tempo, não sofreu sustos.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.50.27Organização defensiva santista. (Fonte: SporTV/Premiere. Edição: Rodrigo Costa).

No segundo tempo o Corinthians conseguiu ter mais a bola e passou a controlar a partida com e sem a bola. O Santos pouco conseguiu ameaçar o Timão e a equipe de Carille continuou muito bem postada impedindo o Santos de fazer o seu jogo. A mudança em comparação ao primeiro foi que o Timão passou a ter mais a posse de bola, com isso o Corinthians continuou a ser o time que mais ameaçava o gol adversário. O lado direito foi onde o Corinthians foi mais forte com a presença de Fagner que participou mais do jogo na parte ofensiva no segundo tempo. Ao todo o Corinthians controlou boa parte do segundo tempo e ficou com aquela sensação que poderia ter matado o confronto em Itaquera.

Com a entrada de Soteldo, o Santos retornou para o 4-2-3-1, com Jean Mota de armador e Soteldo de falso 9. Sem sucesso. Diversas vezes, no jogo todo, foi nítida a falta de um centroavante, problema esse que fica mais claro contra times bem fechados como o Corinthians de Carille. O abafa no fim, sem perigo, foi apenas em bolas paradas. Destaco a má utilização, mais uma vez, de Rodrygo. O garoto costuma atuar pela esquerda, mas Sampaoli vem utilizando-o ultimamente pela direita. A mobilidade e capacidade de jogar em vários lugares dos atacantes santistas pode viabilizar muito bem a utilização correta. Um centroavante iria potencializar bastante o jogo do Rayo pela esquerda.

WhatsApp Image 2019-04-01 at 19.50.37A falta de um centroavante dificultava bastante a finalização das jogadas santistas. Esse lance resume um pouco isso. As jogadas pelos lados não podiam ser concluídas por falta de um jogador fixo na área. (Fonte: SporTV/Premiere. Edição: Jhonata Souza).

O principal erro de Carille na partida foi na hora de realizar as mudanças. A entrada de Pedrinho no lugar de Love foi acertada, já que o artilheiro do amor não vinha fazendo uma grande partida. Porém as entradas de Vital e Richard nos lugares de Sornoza e Clayson acabaram trazendo o Santos para o campo de ataque na reta final do jogo e matando as opções de contra ataque do Corinthians, até porque era nítido que depois dos 25 minutos do segundo tempo o atacante Gustavo estava cansado e teria sido uma boa opção colocar Boselli em campo para manter a pegada.

Na segunda feira, dia 08 de abril, Sampaoli precisa tentar algo novo contra Carille, já foram três jogos contra o Corinthians na temporada (2E e 1D), mesmo todos sendo fora de casa. A vitória por 1×0 leva para os pênaltis, é preciso atacar com inteligência e jogar muito melhor do que jogou o primeiro jogo da semifinal. O Corinthians tem a vantagem do empate no jogo da volta e vai ter a oportunidade de jogar da maneira que se sente mais confortável que é se defendendo para buscar os contra ataques. Mas, é preciso tomar todo cuidado com a equipe de Sampaoli que provavelmente não vai atuar da mesma maneira que atuou até aqui nos clássicos contra o Corinthians. A primeira batalha teve o Corinthians como vencedor, no dia 8 de abril conheceremos qual equipe vai se sair vitoriosa da segunda e decisiva batalha em busca de uma vaga na final do Paulistão 2019.

@costa_rodrigo95 e @jhonny14souza

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