Preparação física nas categorias de base -ENTREVISTA COM PAULO DAUBIAN-NOSÉ

Por Breno Barbosa

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Nas categorias de base estão os futuros craques do futebol e precisamos saber como eles são formados para tornarem-se profissionais. A preparação física é fundamental, levando em conta que além da habilidade, o condicionamento de um atleta é extremamente importante no esporte de alto rendimento.

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Pensando nisso, convidei Paulo Daubian-Nosé, preparador físico das categorias de base do E.C. Santo André para falar um pouco sobre suas funções, dando ênfase ao trabalho desenvolvido nas categorias de base. Paulo Daubian-Nosé é graduado em Educação Física pela FMU, tem mestrado em Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo pela UNICAMP e atualmente desenvolve seu projeto de doutorado em Psicobiologia pela UNIFESP. Dentro do futebol, Paulo fez estágio no Rio Claro F.C e atuou como preparador físico no Nacional A.C. até chegar ao E.C. Santo André.

MW: Por causa de diversos fatores hormonais, alguns atletas se desenvolvem mais rápido do que outros, como trabalhar para manter um equilíbrio?

Paulo Daubian-Nosé: No caso das categorias de base (em especial a categoria sub-15 aonde se tem o maior gap pré – pós púbere) o processo maturacional varia muito de jogador para jogador. Sendo assim, para os jogadores mais maturados pode-se inserir uma carga de treinamento maior, com um pouco mais de intensidade, levando em consideração que mesmo estes ainda estão em processo de crescimento e desenvolvimento. Quanto ao sub-17 já se tem uma homogeneidade maior da amostra, então iguala-se de maneira geral as cargas de treinamento, mas obviamente tentando individualizar ao máximo e realizar sessões específicas de acordo com a posição e as características de jogo de cada um dos atletas.

MW: O preparador físico faz planejamento de treinos específicos de acordo com a categoria. Qual a principal diferença entre trabalhar com uma categoria sub-11 e o sub-20?

Paulo Daubian-Nosé: Existem claras diferenças entre as categorias (de forma mais simples, trata-se de crianças vs adultos). No caso do sub-11 temos o ciclo de iniciação, desta forma deve-se dar bastante ênfase ao aumento e fixação do repertório motor. Utilizamos muitos trabalhos coordenativos, procuramos desenvolver a lateralidade, o tempo de reação e a iniciação à força (priorizando o peso do próprio corpo). Isso tudo sem abrir mão dos trabalhos de flexibilidade, agilidade e principalmente deixar a critério dos treinadores o desenvolvimento de todas essas valências físicas (aptidão física) dentro da parte técnica e tática para que se entenda as premissas do jogo propriamente dito. Tratando da categoria sub-20, temos o último ciclo antes do futebol profissional (especialização). Procura-se potencializar o trabalho dentro das manifestações de força, unindo aos estímulos das capacidades/potências anaeróbias e aeróbias utilizando a periodização de acordo com o calendário competitivo. Deixando claro mais uma vez a critério dos treinadores o desenvolvimento dessas valências físicas dentro da parte técnica e tática do jogo.

MW: Como deve ser a relação entre o preparador físico e o técnico da equipe?

Paulo Daubian-Nosé: A relação é direta e de fundamental importância para o planejamento, desenvolvimento e resultado do trabalho. Nos dias de hoje, utiliza-se do treinamento das valências físicas dentro das ideias e do modelo de jogo que são propostos pelo treinador e seus auxiliares.

MW: Quais fatores influenciam no condicionamento físico de um atleta?

Paulo Daubian-Nosé: O atleta deve se cuidar dentro e fora dos períodos de treino, afinal de contas o seu corpo é o próprio instrumento de trabalho. Ressalvas para os níveis de estresse, ansiedade, depressão, recuperação, sono e dieta em combinação com o treinamento. Caso todas essas variáveis estejam bem equilibradas, aumenta-se as chances de se obter o máximo de rendimento durante as partidas.

MW: Como é o desenvolvimento para um jogador da categoria de base ser aproveitado no time profissional?

Paulo Daubian-Nosé: A comissão técnica observa uma série de parâmetros, sendo eles: técnicos, táticos, físicos e psicológicos/comportamentais ao longo de todos os anos em que o jogador permanece no clube. O atleta está sempre sendo monitorado, para que quando promovido ao time principal, tenha condições de contribuir com o máximo de eficiência dentro de suas respectivas virtudes.

MW: Como algumas atividades recreativas (futevôlei, futemesa entre outras) auxiliam na preparação física do atleta?

Paulo Dubian-Nosé: Hoje em dia é bem comum os times de futebol trabalharem com esportes e ou atividades paralelas ao jogo propriamente dito, atrelando assim as cargas de treinamento e tentando promover o bem estar físico e mental ao jogador. Desde que bem orientadas e monitoradas, estas atividades tendem a beneficiar o rendimento dos atletas dentro do calendário competitivo.

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Gostaria de agradecer o preparador físico Paulo Daubian-Nosé, pois aceitou meu convite, esclareceu diversas perguntas e foi atencioso durante a entrevista. Um profissional eficiente, comprometido e muito inteligente, tenho certeza que tem um grande caminho pela frente no mundo do futebol. Caso tenha interesse por mais informações, visite a página @daubian_nose no instagram.

@12brenobarbosa

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