Choque sem choque – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 0 x 1 PALMEIRAS

Por Breno Barbosa e Pedro Galante

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Na tarde desse sábado (16), São Paulo e Palmeiras se enfrentaram pelo Campeonato Paulista. O jogo foi decidido no morno segundo tempo, a primeira etapa conseguiu ser ainda menos interessante.

Mancini armou o São Paulo em um 4-2-3-1, que se tornava 4-4-2 sem bola. A postura do time foi bem coerente: se defendia em bloco baixo, não permitia espaço ao talentoso trio de meio do Palmeiras, e quando tinha a bola, buscava atacar de forma vertical.

O Palmeiras foi a campo no 4-2-3-1, variando para um 4-4-2- no momento defensivo. Por obter um trio ofensivo móvel e de qualidade, o verdão realizava muitas trocas de posições, chegando a formar um 4-2-4 com a posse, para gerar profundidade e ganharespaços no campo ofensivo.

WhatsApp Image 2019-03-18 at 19.04.00O quarteto ofensivo bem próximo, com os extremos (Dudu e Scarpa) atuando no chamado half-space (corredor interno), abrindo espaços para os laterais subirem livres.

O desempenho do tricolor paulista não foi ruim no primeiro tempo. O time criou mais chances que o adversário. Houveram bons momentos com Hernanes conduzindo no meio campo e Antony no mano a mano pelo lado direito. No entanto, as boas jogadas se limitavam a ações individuais, Hernanes, Antony e Pablo não conseguiam se aproximar para desenvolver uma jogada.

WhatsApp Image 2019-03-18 at 19.04.21São Paulo na transição: Antony, Hernanes e Pablo distantes. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

O verdão não conseguiu levar muito perigo a baliza adversária, pois sofria no momento de achar espaços no último terço. O centroavante Borja, novamente, esteve em uma tarde infeliz e agregou pouquíssimo ao ataque palmeirese. Na fase de construção, Felipe Melo recuava a base e formava um trio com a dupla de zagueiros. O volante tem facilidade nos lançamentos e tentava achar algum companheiro desmarcado. O time tentou em alguns momentos, mas pouco efetivo. O Palmeiras até teve a posse (64%), porém pouco pregrediu.

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Trio ofensivo em diagonal, com Dudu se projetando para receber a bola. Borja saí da referência, dando a possibilidade para Goulart se infiltrar. Victor Luís (lateral-esquerdo) atuou bem aberto, gerando amplitude.

É preciso destacar mais uma consistente partida do jovem volante Luan. O camisa 13 protegeu muito bem a entrada da área e permitiu que Hudson pudesse subir no campo para pressionar a saída de bola adversária.

A equipe visitante optou por uma marcação mista (individual/zonal), com perseguições longas. O principal feito de Felipão é seu sistema defensivo, a forma que seu time faz a basculação(movimentação das linhas) e diminui os espaços/opções de passe do portador da bola. Com uma marcação bem encaixada e sólida.

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O Palestra é eficiente sem a posse, com entrega máximo dos jogadores em suas obrigações defensivas e os blocos próximos.

Todo os jogadores comportaram-se muito bem e cumpriram seus papéis no momento defensivo. Entretanto, gostaria de destacar o zagueiro Gustavo Gómez, um dos pilares do Alviverde e componente fundamental no time de Felipão. O paraguaiodeu setenta passes (89,9% de precisão),venceu sete disputas áreas, realizou três desarmes e seis interceptações, além de incríveis vinte recuperadas de bola.

WhatsApp Image 2019-03-18 at 19.04.47Créditos na foto: @analiseverdao. Confira o mapa com todas às vinte recuperações de bola do zagueiro.

Na volta do segundo tempo, o Palmeiras voltou mais disposto a atacar. O São Paulo também tentava ser mais ofensivo, principalmente com as subidas de Hudson ao ataque. De qualquer forma, o time continuava sem finalizar com qualidade.

Scolari optou por soltar mais seu time e dar ainda mais mobilidade. O técnico tirou Borja e colocou Carlos Eduardo, mudando às características do seu ataque. Com Cadu em campo, Ricardo Goulart passou a atuar mais avançado, entretanto com trocas constantes e confundindo a marcação do rival. Outro fator a ponderar, foi o pressing alto realizado em alguns momentos.

 

O Alviverde com encaixes individuais e pressionando o portador da bola, até forçar o adversário ao erro. Rapidamente, Felipe Melo aciona Dudu em velocidade, o camisa 7 quase abriu o placar. O Palmeiras é vertical e veloz, ideias bem definidas.

Melhor no segundo tempo, o verdão teve dez finalizações, tinha sido apenas uma nos 45 minutos iniciais. O volume cresceu, principalmente quando acelerava às ações ofensivas.

Aos 26, Hernanes saiu, aparentemente esgotado fisicamente para a entrada de Brenner. O São Paulo perdeu seu principal e melhor jogador e viu o Palmeiras crescer.

De qualquer forma, se defendia bem. No seu campo, com encaixes individuais. No entanto, o sistema de encaixes ainda não está totalmente implantado – longe disso na verdade. Faltam os detalhes que decidem – e decidiram.

Dudu apareceu na entrelinha e confundiu Hudson e Arboleda. Com um brilhante toque de letra, colocou Carlos Eduardo em posição de chute, que marcou um golaço.

Carlos Eduardo, que tinha trocado de função com Dudu (passou a atuar na extrema esquerda, enquanto o “Baixola” tornou-se o organizado do time), fez um golaço no choque-rei.

Com o placar favorável, Felipão recuou suas linhas e passou a reagir às ações do adversário (jogo reativo), colocando Bruno Henrique e Jean, nas vagas de Moisés e Dudu, formando um 4-5-1.No restante do duelo, o Palmeiras apenas administrou o resultado e conquistou a primeira vitória em clássicos na temporada, além de garantir classificação antecipada ao mata-mata do Paulistão 2019.

O torcedor precisa entender que enquanto o São Paulo não começar a desenvolver um modelo de jogo, os resultados serão esses. Mancini tem feito escalações e escolhido propostas de jogo coerentes com partidas, as execuções não têm sido ruins, mas falta acertar os detalhes, que por menores que sejam, são fundamentais. Esses ajustes só acontecem com tempo, muito trabalho e consciência do comportamento que se quer produzir em campo; o São Paulo parece não ter nenhuma dessas questões bem resolvidas.

@12brenobarbosa@pedro17galante

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