Bem-vindos ao inferno! Versão uruguaia: ANÁLISE TÁTICA – INTERNACIONAL 2×0 ALIANZA LIMA

Por Luiz Martins

A reestreia do Beira-Rio em libertadores, não poderia ter apenas vindo com a conquista dos três pontos e a festa realizada pela torcida, que compareceu em peso ao estádio.
Ela também foi a melhor partida do time gaúcho na temporada 2019, coroada com uma bela exibição de vários jogadores, mas o destaque fica por conta do uruguaio Nico López, que marcou os dois gols do time colorado e foi coroado como o melhor da partida se consolidando como expoente técnico da equipe, algo que se espera dele devido a qualidade e técnica que possui.

Mas como ocorreu a vitória?

inter1Pressão com intensidade foi um dos pontos altos da estratégia colorada na partida (Fonte: Instat/Edição: Pedro Galante)

Desde o início do jogo a pressão com muita intensidade realizada pelos jogadores colorados, que tinha Patrick como um dos expoentes dessa ação, dificultava toda e qualquer ação ofensiva do Alianza, na tentativa de um erro de passe ou um desarme dentro de campo ofensivo. Quando conseguia se livrar da marcação inicial colorada e progredir dentro de campo, o time peruano era facilmente batido pelas interceptações e desarmes de Rodrigo Dourado e a forte marcação da dupla de zaga (Moledo e Cuesta).

Nitidamente o Inter entrou para o jogo com o espírito de competição que uma Libertadores pede, aguerrido, intenso, empurrando o adversário e sufocando todo e qualquer movimento pensado pelo adversário. Os jogadores do Alianza não conseguiam trocar três passes sem que um tivessem as ações dificultadas pelos jogadores colorados. Mesmo com estas dificuldades o time adversário conseguiu assustar o time colorado com um chute a queima roupa (único chute em gol da equipe ao longo dos noventa minutos), mas defendida com maestria por Marcelo Lomba.

Análise tática do primeiro gol de Nico López na partida (Fonte: Instat/Edição: Pedro Galante)

Com essa pressão para roubar a bola em campo ofensivo, recuperar a bola, partir com agressividade ao gol adversário, com Edenilson sendo o grande cérebro articulador de jogadas em velocidade, fez com que uma variação do sistema de jogo colorado se destacasse na partida. A utilização de Rafael Sobis como falso 9 (centroavante que buscar retornar até a linha de meias para troca de passes), fez com que a marcação da linha sustentada do Alianza Lima batesse cabeça e com isto Nico López aparecia sempre livre à frente da área, com suas movimentações de desmarque, desta forma ele recebeu duas vezes livre para marcar dois gols logo na primeira etapa da partida, demonstrando toda a força e imponência do Inter dentro de seus domínios em grandes noites de Libertadores.

inter2Movimentação de Nico e Sobis foi outra ação importante na obtenção dos gols da partida. No frame Sobis baixa para construir e faz um lançamento para Nico em profundidade atacando o espaço, para marcar o segundo gol. (Fonte: Instat/Edição: Pedro Galante)

Já com o placar resolvido, mesmo que o Alianza tenha aumentado seu volume ofensivo, mas não tendo forças para chutar bolas em gol, Odair Hellmann realizou uma alteração que melhorou a capacidade de controle e retenção de bola da equipe.

A entrada de Nonato no lugar de Patrick (saiu lesionado aos trinta minutos da primeira etapa), foi o norteador de todo o restante do jogo. O jovem jogador tomou conta da partida, recebia a bola dos companheiros dando continuidade as jogadas, buscava organizar o time desde a base da jogada e sempre se colocava como opção de passes, seja como passe de retorno para reinicio de construção, ou como um jogador à frente da linha da bola, como opção de continuidade de jogadas, fora sua ótima consistência defensiva, tendo realizado seis interceptações na partida. Com a mudança de apenas uma peça, o time colorado demonstrou melhora nas ações no meio-campo, tendo um casamento perfeito com as características de Edenilson, jogador de transições e infiltrações e Rodrigo Dourado, o pilar defensivo do setor, sendo efetivo em desarmes e interceptações. Desta forma o controle de toda a partida foi do Inter desde o apito inicial, mas de formas distintas. Se com Patrick o time controlava espaços e escolhia o momento exato de retomar a bola, pressionando o adversário a zonas mais fáceis para roubar a bola, com Nonato o time controlou a partida com a bola em seus domínios.

inter3Após sua entrada na partida, Nonato controlou as ações ofensivas do time. Já Dourado foi importantíssimo ao sustentar a pressão e defender à frente da área, sendo soberano nas ações defensivas (Fonte: Instat/Edição: Pedro Galante)

Pela forte pressão que fora feita na primeira etapa, no segundo tempo com cansaço, Sobis e Pottker deram lugar a Pedro Lucas e D´alessandro respectivamente, prevalecendo ainda mais o controle da bola e a garantia da conquista dos três pontos em uma grande noite, em que o Beira-Rio foi transformado em um inferno pelo time e torcedores. Uma noite pra ficar na história.

@ojunomartins

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