Um burro sem sorte – ANÁLISE TÁTICA NACIONAL-URU 1 x 0 ATLÉTICO-MG

Por Pedro Morais

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Depois da estreia com derrota na fase de grupos da Copa Libertadores, Galo vinha pressionado pra tentar uma vitória fora de casa contra o Nacional do Uruguai. Muito criticado por não preferir Guga ao invés de Patric e pelos últimos dois jogos do campeonato por escalar três volantes e ter os dois piores desempenhos do ano com essas escalações no ano, Levir foi para o Uruguai com o mesmo pensamento, e o desempenho continuou muito abaixo do esperado. Onde antes se via defeitos defensivos, mas um ataque que era um dos melhores do país, hoje vimos um sistema ofensivo pobre e desorganizado, e uma defesa que mesmo um pouco mais segura, não foi consertada. Vamos entender o que fez esse ataque cair de produção nesse jogo contra o Uruguai e os erros que fez o Galo se ver em uma situação delicada na competição.

Em organização defensiva o Galo se portava em um 4-4-2. O combate começava no terço central do campo, Cazares e Ricardo Oliveira perseguiam, mas o objetivo era esperar o volante ou um dos zagueiros adversários tentam um passe nas entrelinhas e nesse momento a pressão realmente começava. Cada jogador era responsável por seu setor e perseguir o adversário que ali encontrava, e quando o mesmo estava prestes a receber a bola, o responsável pelo setor pressionava, e outro chegava para dobrar a marcação.

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Nas jogadas laterais era perceptível duas situações relacionadas com os meias e os laterais. Sempre um protegia a área mantendo a linha de defesa sustentada, ou seja, 4 jogadores responsáveis por proteger a área. Isso significa que se o Fábio Santos saía para fazer o combate na lateral, Elias deveria se posicionar como um lateral protegendo a área. A outra situação é quando o meio campista faz a pressão em quem está com a bola, e o lateral se posiciona para proteger a área, quando isso acontece um dos volantes tem que se aproximar para dobrar a marcação e para a proteção de possíveis jogadas centrais. São mecanismos que exigem muita inteligência tática e intensidade dos jogadores, pois um tem que cobrir o outro o tempo inteiro.

WhatsApp Image 2019-03-14 at 21.25.17Fabio Santos está postado junto aos zagueiros sustentando a linha, Elias persegue o jogador que está aberto e Zé Welison protege a passagem para o meio cercando o portador da bola.

O Nacional conseguia confundir esse sistema fazendo com que tinham mais jogadores que os do galo no setor da bola, principalmente pelo lado direito da defesa. Com inferioridade numérica, os atleticanos ficavam indecisos se perseguiam os jogadores próximos ou se cobriam o companheiro.

WhatsApp Image 2019-03-14 at 21.25.24Aqui, a linha defensiva está sustentada, mas o Galo está em inferioridade numérica no setor deixando os Uruguaios em vantagem para vencer o Luan.
WhatsApp Image 2019-03-14 at 21.25.31Nem Luan e nem Patric sustentam a linha defensiva pois há dois jogadores naquele setor atraindo-os e há um espaço entre o lateral e os zagueiros que é aproveitado por outro jogador do Nacional.

Ofensivamente o Galo foi um caos no pior dos sentidos, impossível identificar qualquer padrão que foi realmente efetivo na estratégia do Levir para esse jogo. Nas transições o objetivo era sempre ser rápido, mas avançar com passes curtos, por isso a ideia de ter muitos jogadores na construção. Mas pela má distribuição dos jogadores em campo e a dificuldade para prosseguir a jogada, muitas vezes o “chutão” foi o recurso utilizado.

Levir já usou essa estratégia antes e já deu certo, porém era uma situação onde a plataforma inicial era em um 4-2-3-1 e jogadores ficam próximos no campo defensivo para atrair o adversário e os atacantes aproveitarem os espaços nas costas dos zagueiros, como foi no primeiro tempo do jogo contra o Danúbio no Independência.

 Nesse caso o esquema inicial foi um 4-4-2 onde o problema foi a falta de profundidade, ou seja, são muitos jogadores para criar e poucos para receber e dar continuidade ou concluir a jogada. Luan, Jair, Zé Welison e Elias ficavam próximos para as opções de passe curto, e Cazares e Ricardo avançados. Com essa falta de opção nas profundidades, era difícil o Galo chegar ao gol adversário e Cazares e Ricardo Oliveira ficavam distantes do setor de meio-campo do time.

Outro ponto que chamou atenção foi o posicionamento de Cazares para esse jogo, diferente dos outros jogos do equatoriano com o Levir, ele foi quase que um atacante ao lado de Ricardo Oliveira, quase sempre se posicionando em profundidade máxima.

Quando o time já estava em fase de organização ofensiva tinham os mesmos problemas das transições, pouca profundidade e muitos jogadores na base como opção de passe curto. Na saída de bola o galo usava um 3-2, com Jair e Zé Welison sempre como primeiras opções de passe para os zagueiros, Luan também recuava para ser mais uma opção de passe. Nessa fase Elias estava sempre aberto pela esquerda para que Fábio Santos fosse mais um para atuar por dentro.

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Na fase de criação, Elias tinha mais liberdade para flutuar para o meio, assim como Luan pois Cazares ficava mais avançado, portanto os dois meias que eram responsáveis pela criação do time. Essas flutuações de Elias e Luan geraram uma desorganização tática do Atlético durante todo o jogo, os dois não conseguiram se comunicar para que pudessem revezar essa função e tinham momentos em que não havia ninguém nas entrelinhas para fazer essa ligação entre base da jogada e ataque.

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WhatsApp Image 2019-03-14 at 21.25.52Com a média de posicionamento dos jogadores observado acima, conseguimos ver como Cazares e Ricardo estavam isolados, o meio com excesso de opções, e a flutuação de Elias e Luan.

O que antes era motivo de empolgação e esperança hoje é decepção por decisões que até então não fazem sentidos e nem foram explicadas pelo treinador. Levir vem tomando atitudes em suas escalações e substituições bem incoerentes, e o pior é que não consegue justifica-las nas entrevistas mesmo acreditando estar certo. A questão não é apenas o desempenho em si, mas explicações e falta de coerência para os casos como o de Guga e a queda de desempenho após a mudança drástica nas escalações para que o torcedor possa acreditar que o Levir foi a escolha certa para o cargo em outubro do ano passado.

@CruyffTeam

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