O 4213 do Grêmio que não deu certo – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 0 X 1 LIBERTAD

Por Maurício Wiklicky

O Grêmio começou um ano com uma grande variação tática. Com as saídas de Ramiro e a lesão de Alisson no início da temporada, Marinho foi o escolhido para ocupar a extrema direita do tricolor. Com características totalmente diferentes dos outros dois, Marinho é um atacante, um ponta, que consequentemente não tem a aptidão e noção tática de marcação. Vendo isso, Renato alterou mudou o esquema tático, saindo do tradicional 4231, e atuando no 4213. Podemos considerar um 433, porém Luan não tem função de marcação e recomposição no meio, sendo livre para jogar.

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O 4231 do Grêmio

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Posicionamento médio do Grêmio no 1o tempo, via SofaScore

Esse esquema dá certo nos jogos do campeonato, contra defesas e equipes fracas. O Grêmio tem volume de jogo, raramente precisa defender, é basicamente ataque. A diferença técnica, faz com que o drible e as movimentações sejam fáceis para chegar ao gol, por isso a incrível média e inúmeras goleadas. Porém quando o assunto é Libertadores a coisa muda. Tanto no jogo contra o Rosario Central, quanto contra o Libertad, tivemos graves problemas na marcação e na construção de jogadas. Abaixo explicarei as através das quatro fases do jogo (organização defensiva, transição ofensiva, organização ofensiva e transição defensiva):

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

Tendo dois pontas, e não dois extremas, não há a obrigação de recomposição e auxiliar o lateral na marcação. Além disso, o meio campo fica com dois marcadores, Michel e Maicon, que sabemos que não tem velocidade para recompor. Ou seja, contra jogadores de qualidade, a zaga fica exposta e jogadas mano a mano são recorrentes, seja com os laterais, seja com a dupla de zaga. Adicionalmente a isso existe um problema de orientação espacial, ou de orientação de posicionamento de Leo Gomes. Ele invariavelmente entra dentro da grande área junto aos zagueiros, deixando aberto a lateral aberta. Exemplos como esse são recorrentes durantes os jogos, e dois exemplos mais claros foram nos gols sofridos contra o Palmeiras no Brasileirão do ano passado e o gol sofrido contra o Rosario Central, como na imagem abaixo. Não considerarei o gol do Libertad, que apesar de ser pela direita, foi um contra ataque de escanteio.

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Frame feito pelo Twitter @gremioking

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Quando o o Grêmio busca o ataque, existe uma lentidão na transição. Primeiramente Maicon e Michel que são responsáveis pela primeira saída de bola não conseguem acelerar o jogo. Segundo, os adversários sabendo dessa construção a partir do campo de defesa gremista, uma das principais características desse Grêmio vencedor, estão colocam os dois atacantes para marcar essa saída de bola. Aconteceu em Rosario e contra o Libertad. A culpa não é só de Maicon e Michel, pois com dois pontas, quem tem que construir junto são os laterais, que sabemos que não tem uma grande qualidade técnica. Ou então Luan, que tem que voltar ao campo de defesa, e deixa um espaço vazio no meio, ficando fácil para o adversário marcar somente os corredores. Como vimos contra o Libertad, vários lançamentos (para não falar chutões) de PV e da dupla de zaga foram dados, pois não havia opção de jogo.

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Marcação do Libertad com dois ou três homens na saída de bola do Grêmio. Foto do autor.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Até o ano passado tínhamos um balanço no ataque. Ramiro sustentava o lado direito, fazendo que o lateral (Edilsom, Leo Moura), tivessem liberdade para passar e chegar a linha de fundo. Além disso ele dava equilíbrio ao meio campo, assim liberando o nosso lado mais forte, o esquerda, para fazer o ataque terminal e chegar ao gol, com Pedro Rocha, Fernandinho e Everton. Com a mudança de característica e consequentemente de tática, Marinho é quem vai até a linha de fundo, sendo que Leo Gomes sempre centraliza, entrando na área. No lado esquerdo Cortez é quem em liberdade de ir para a linha de fundo, e Everton centraliza.Perdemos com isso as associações e triangulações nas laterais. Everton não consegue fazer o facão (jogada em que entra em velocidade, pela diagonal), pois esta mais centralizado. Consequentemente há uma falta de organização junto ao organizador ofensivo, Luan, pois ficam muito próximos, e Maicon, que antes chegava mais a frente fica mais preso, pois deve se preocupar mais com a defesa.

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Frame do Twitter @joszef_bozsik com posicionamento do ataque tricolor

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Quando perde a bola, alguns pontos citados acima serão repetidos. Primeiramente como Leo Gomes centraliza na área, ele deixa espaço pela direita, haja visto que Marinho não é marcador. Além disso há clara intenção de Renato de marcar a saída de bola do adversário, porém muitas vezes Leo Gomes tem errado nessa marcação, ou então marca aleatoriamente, deixando buracos em suas costas. Outro ponto citado é que Maicon e Michel ficam mais fixos no meio, e em especial Maicon não sobem tanto. Eles também dão esse bote na marcação, pois sabem que perderão na velocidade. Mas quando o bote é errado, voltamos a fase defensiva comentada no primeiro item da jogada mano a mano e exposição total da defesa.

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Frame do Twitter @joszef_bozsik com posicionamento da recomposição tricolor

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Ataque do Libertad onde os hoje pontas não recompõe e há igualdade numérica na defesa. Um drible ou uma jogada combinada do adversário deixa o Grêmio em apuros. Foto do autor.

O QUE MUDAR

Serei simples, sem muitas teorias. Temos que voltar com o esquema dos últimos anos. Para isso Montoya ou até mesmo um teste com Matheus Henrique seria o mais indicado para ocupar a faixa da direita, tendo novamente o equilíbrio do time.

Sobre demais possibilidades como Tadelli, Jean Pyerre, Matheus Henrique, eu analiso em outro post.

@mwgremio

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13 comentários sobre “O 4213 do Grêmio que não deu certo – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 0 X 1 LIBERTAD

      1. O marinho é o principal problema do grêmio, além da questão tática da troca de sistema(bem analisada no texto), ele chama todas as jogadas e define elas, é o tradicional fominha, não permite ao Grêmio controlar o jogo e valorizar a posse e nem acionar o everton ofensivamente porque sempre define a jogada rápido demais. Além disso me parece fundamental mais mobilidade na linha dos volantes (michel e maicon são muito pesados) porém sem perder a qualidade no passe (não considero Matheusinho uma opção para substituir o maicon porque ele apesar da boa qualidade, não tem o passe inteligente de um organizador, me parece essencialmente um box to box tentando ser adaptado a organização) gostaria de ver o jean pierre no lugar do maicon(como jogava na base), porque esse sim possuí inteligência no passe o que seria muito melhor pars carreira dele também, uma vez que esse 10 Clásico que o Grêmio tenta transforma-lo não tem muito espaço no futebol atual

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  1. Primeira análise mais lúcida que leio desde o início da Libertadores. Marinho pode até estar rendendo melhor individualmente, mas coletivamente não deu certo. O gremio fica com o meio-campo muito vulnerável e perde a compactação na hora de defender. Outra coisa, o jeito que o gremio joga não favorece o centroavante fixo e sim os jogadores de velocidade, de infiltração, que vem de trás. Nem Vizeu nem André darão certo, a não ser que coloquem um jogador de mobilidade – que pode ser o Tardelli ou o Luan de falso 9.

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  2. Excelente análise, complemento, ainda, que neste jogo o Luan estava espetado mais do que o normal entre as linhas defensivas do Libertad, porém, como eles estavam compactos não havia o espaço para ele transitar e armar. Faltou solução a esse nó tático que levamos, pela segunda vez já na temporada. Nem sempre a qualidade vai gerar um gol e fazer o adversário se abrir, naturalmente. Por isso, o Renato vai ter que pensar em criar um equilíbrio nesse esquema, com o Tardelli na MD, teremos maiores combinações de jogadas e volume de jogo, abdicando ainda da marcação, mas tendo um grande incremento no jogo coletivo. Além disso, Luan tem que jogar um pouco mais recuado ou a troca de posições dele com o Vizeu tem que ser mais acionada para movimentar essa marcação e sairmos dessa armadilha. Além disso, Leonardo se mostrou muito mal taticamente, fechando muito dentro da área para finalizar e não dando opção pelo lado.

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