Allegri planeja, Cristiano executa -ANÁLISE TÁTICA JUVENTUS 3 x 0 ATLÉTICO MADRID

Por Vinícius Lodi e Pedro Galante

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Depois da partida monumental do Atlético de Madri, no Wanda Metropolitano, Juventus e Atlético se encontraram, dessa vem em Turin. Os italianos teriam de reverter uma vantagem de 2 a 0. O fizeram de forma magistral.

As suspensões de Diego Costa e Thomas Partey foram ressentidas no time colchonero. Sem o atacante espanhol, o Atleti não teria a mesma capacidade de ganhar duelos físicos contra os defensores. Já o meio-campista ganês provê a condição de pressionar com mais firmeza o momento de construção de jogadas do time. Simeone perdeu seus jogadores mais agressivos.

É preciso destacar o grande acerto de Allegri. O treinador definiu uma estrutura, mapeou as fraquezas do adversário, criou uma estratégia e foi insistente nela. Desde os primeiros minutos Juventus se mostrou disposta a se impor e buscar a remontada.

A estratégia do técnico italiano foi a seguinte: O que sem a bola era um 4-3-3, virava um 3-4-3 com ela. Can recuava e fazia a função de zagueiro pela direita, com isso os laterais podiam avançar e dar amplitude ao ataque, dando liberdade posicional aos pontas Cristiano e Bernardeschi.

54385193_1796478627119414_5460671125790916608_nCan como zagueiro pela direita. Ronaldo e Bernardeschi soltos por dentro. Juventus ofensiva desde o princípio. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

A ViecchaSignora apostava muito nas jogadas pelos lados, com seu laterais, e cruzamentos para a área aproveitando a estatura de Ronaldo e Mandzukic.Os colchonerosficaram acuados, sofriam com a amplitude dos laterais e as suas associações com os meias. Se o Atleti era forte na contenção de jogadas pelo meio, a Juve soube aproveitar os flancos para encontrar espaços.Foram ao todo 36 cruzamentos feitos para a área, cincoescanteios, 11 finalizações de dentro da área.

54114901_1796478727119404_4939994667153358848_nCristiano atrai o lateral e deixa o corredor aberto para Spinazzola. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

E foi justamente da ligação Bernardeschi-Cristiano que surgiu o primeiro gol. O italiano fez um ótimo cruzamento para o português que entrou nas costas da defesa e cabeceou no segundo pau.

53654693_1796478433786100_7565768454511263744_nRonaldo infiltrando nas costas da defesa. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

No início do segundo tempo, Cristiano marcou de novo, outra vez de cabeça. Faltando 40 minutos para o fim da partida, a Juve já tinha o placar que garantia a prorrogação. Mesmo assim, a postura de imposição foi mantida – até pela falta de resposta por parte do adversário.

Dybala entrou no lugar de Spinazzola, jovem lateral, que fez sua estreia em Champions League e se saiu muito bem. Bernardeschi foi deslocado para a ala esquerda.

No meio campo espanhol, a alternativa de conter o avanço adversário era manter a posse de bola e trocar passes com calma. Saúl atuou centralizado junto a Rodri, enquanto que Lemar e Koke pelas pontas. A intensidade, marca registrada do time dirigido por Simeone, não foi encontrada em campo.O Atleti trocou quase a metade de passes que a Juve, com aproveitamento de 72%, e acertou apenas 25 dos 65 passes longos tentados, ou seja, 38%. Devido à forte pressão, houve a tentativa de apenas 14 dribles, sendo nove executados.

O Atlético mal conseguia reagir, e quando ensaiava algum contra-ataque, parava na excelente pressão pós-perda comandada por Chiellini e Can. Os dois quase não perderam duelos.53803562_1796478890452721_4406133071233941504_nChiellini e Can davam sustentação ao ataque, sempre prontos para a pressão pós-perda. (Foto: Instat/ Pedro Galante).

Com a entrada de Correa, no lugar de Lemar, a equipe tinha um condutor e quem tentasse na velocidade e no drible passar pela marcação. No entanto, a defesa adversário sempre esteve bem postada, e o impacto da mudança não foi sentido. Outra substituição promovida pelo técnico argentino foi a entrada de Vitolo no lugar de Árias. Juanfran voltou para a direita e Saúl foi recuado para a lateral-esquerda.

Não havia argumento ofensivo, os mecanismos para se chegar ao ataque e causar perigo de gol pouco funcionaram. Nenhuma finalização na direção do gol. Apenas uma vinda de dentro da área, quando Morata cabeceou para fora com liberdade, a melhor chance de marcar um gol. Foi o único cruzamento acertado.  O leão Simeone foi domado pelo estrategista Allegri e o decisivo Cristiano Ronaldo.

Faltando quatro minutos para o apito final, Bernardeschi foi derrubado na área, o juiz marcou penalidade máxima e Cristiano Ronaldo converteu. O gajo brilhou de forma incrível em mais uma noite de ChampionsLeague.

A Juventus segue na competição como uma das favoritas ao título. O time de Allegri é muito intenso, adaptável e competitivo. E não podemos esquecer, sempre haverá Cristiano Ronaldo, que conhece bem todos os atalhos até a orelhuda.

@pedro17galante e @ViniciusLodi_

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