Fracasso sem derrota – ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 1 X 1 FLAMENGO

Por Ricardo Leite

O Vasco entrou em campo neste sábado fadado a ser criticado ou ter o valor de uma vitória diminuída. Isso porque desde que a informação que o Flamengo pouparia muitos titulares foi confirmada, o clima era de que uma vitória era obrigação e qualquer coisa fora disso seria fracasso.

Mas a verdade é que o Vasco fracassou. E não porque nao conseguiu vencer, ou porque não propôs jogo, até porque esse não é o modelo de jogo que Valentim vem buscando. Mas acredito que fracassou porque esta partida foi uma das únicas da temporada que o Vasco entrou sem saber exatamente a estratégia traçada, ou pelo menos não conseguiu executá-la.

Os 20 primeiros minutos, até foram intensos, mas mesmo neles, o Vasco não mostrou força nem objetividade nos seus contra ataques, capacidade de criação e praticamente não viu seus volantes participarem da construção do time. Com os volantes passivos e Galhardo sem conseguir articular e armar as jogadas, o Vasco até conseguiu criar, mas somente através da bola parada e em algumas pressões exercidas na saída de bola do rubro negro.

Defensivamente, o Vasco estava bem organizado, na já conhecida variação entre o 4-4-2 e o 4-1-4-1, mas apresentou algumas dificuldades de marcaçao individual, principalmente no Vitinho que levava a melhor nos duelos individuais.

Após a parada técnica, o Vasco foi perdendo a intensidade na marcação dos defensores flamenguistas, e viu a equipe de Abel se organizar e começar a “pensar o jogo”. Com isso, e com a dificuldade de fazer a transição entre defesa e ataque, o Vasco foi perdendo campo e confiança dentro da partida. Pikachu e Marrony não conseguiam achar espaços para criar jogadas e estavam em noite pouco inspiradas tecnicamente. Cáceres, até ia bem quando subia, mas por ter Vitinho em suas costas, foi mais tímido do que poderia.

Para piorar logo no início do 2T, de forma irônica, o Vasco sofreu um contra ataque do Flamengo que terminou em ótima jogada de Vitinho e gol de Arrascaeta, onde ninguém marcou a infiltração do uruguaio. A partir daí, o Vasco se viu obrigado a tentar propor o jogo e continuou tendo muitas dificuldades para criar, e além disso, acabou perdendo a estabilidade defensiva, dando pelo menos 3 chances claras de contra ataque pra equipe de Abel Braga, que pecou na finalização ou no último passe.

Valentim apostou nas entradas de Rossi e Bruno César, mas não conseguiu volume ofensivo efetivo. O ponta até acrescentou em raça e velocidade, mas não conseguiu criar chances reais. Já Bruno César não demonstrou nem de perto o bom desempenho das últimas partidas. Valentim, que por um lado não conseguiu ser eficiente nas estratégias traçadas, foi premiado pela ousadia e vontade de vencer. Ribamar entrou no lugar de Raul e o cruzmaltino ficou apenas com Lucas Mineiro como volante. E no último lance do jogo, em raspada de Ribamar, Marrony infiltrou e sofreu pênalti, convertido por Maxi Lopez para empatar o clássico e manter a invencibilidade da equipe no ano.

O jogo liga sinal de alerta no Gigante da Colina, principalmente porque os principais destaques do ano, foram mal e Maxi Lopez não consegue demonstrar evolução ao passar das partidas. Um dilema que em breve Valentim deve viver é como manter a instenidade de uma equipe que tem se destacado por ser operaria, com os “estelares” e pouco intensos Bruno Cesar e Maxi Lopez?

@analisevasco

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