A vitória das ideias mais convictas – ANÁLISE TÁTICA VITÓRIA 1 x 0 SERRA

Por Juliano Rangel e Vinícius Lodi

Vitória e Serra duelaram pela 6ª rodada do Campeonato Capixaba, travando uma batalha de ideais de jogo, com a Alvianil levando a melhorar e apresentando mais convicções em sua maneira de atuar

O Vitória foi a campo com apenas uma modificação em relação a derrota para o Rio Branco, com Edmar assumindo a vaga na meta do lesionado Harrison. Com seu habitual 4-3-3, a saída de bola da equipe contava com Igor Pimentel se aproximando da dupla de zaga formada por Ferrugem e Léo Breno.

O Serra vinha de uma sequência irregular no Campeonato Capixaba, o que o deixou em uma posição próxima a dos times que estão na zona de rebaixamento. A vitória era importante no confronto contra o Vitória, que marcou o encontro dos representantes do Espírito Santo no Brasileirão Série D de 2019.

O técnico Cleiton Marcelino trocou Lessinho por Diego Alves, única mudança em relação a partida contra o Tupy, e manteve o esquema 4-2-3-1. Quando se defendia, a formação alternava para o 4-4-2, com os pontas fechando o meio.

Rael e Diego Noronha ou Diego Alves (revezavam dependendo da localização do campo onde o jogo se concentrava) eram os homens mais avançados que davam os primeiros combates.

Nas saídas de bola do Vitória, os lateraistrabalhavam bem abertos gerando amplitude, com Carlos Vitor, que atuava como meia, retornando para ajudar na construção por dentro. Igor Pimentel formava uma trinca com Thiago e Rodrigo César que, no papel, eram de volantes, mas com a bola rolando apresentavam muita liberdade de circulação. Thiago e Rodrigo também contribuíam na fase ofensiva.

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O Serra se defendeu em bloco médio. As duas primeiras linhas, compostas por quatro jogadores, permaneciam quase sempre atrás da bola.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.42.31Imagem: Torcida ES.

Com o adversário marcando em bloco médio a saída de bola do Vitória, a opção dos comandando de Wesley Martinelli era acelerar com passes verticais e em profundidade para os atacantes Jarles Baiano e Vitinho, que atuavam como pontas. A dupla, juntamente com Carlos Vitor, também pressionava a saída de bola do Serra.

As triangulações pelos lados eram as alternativas buscadas pelo Vitória. Nesses momentos, o lateral Cássio e Rodrigo César encostavam mais em Vitinho, na direita, enquanto que Thainler e Thiago faziam a mesma movimentação com Jarles Baianona esquerda. Carlos Vitor circulava bastante entre as linhas e pelos lados, enquanto que a dupla Thiago e Rodrigo César também arriscava com chutes de fora área.

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Quando perdia a bola, a equipe do Vitória já pressionava no campo de ataque, com o trio de meias se aproximando do trio de ataque, com o Alvianilchegando a colocar oito jogadores naquele campo com os laterais avançando para marcar. Nesses momentos, Igor Pimentel era o responsável por quebrar as transições do Serra pelo meio.

Nos momentos em que o Vitória pressionava em bloco alto, o Serra não conseguia trocar passes curtos e tentava lançamentos diretos. Neste quesito, o goleiro Walter não acertou bolas longas.

Nas transições defensivas, o Vitória se armava num 4-4-2, com Jarles fechando o lado esquerdo da linha de meio-campo e Carlos Vitor e Vitinho mais na frente, e até variava para um 4-5-1, com Vitinho fechando pelo lado esquerdo e só deixando Carlos Vitor mais na frente. Os laterais Cássio e Thainler acompanhavam os extremos do Serra nas transições ofensivas da equipe visitante.

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A equipe sofria mais perigo nas chegadas do Serra na faixa em frente a linha de defesa. Naquela região, a equipe visitante arriscava bastante com chutes de fora da área, sofria pouco combate e levava perigo ao goleiro Edmar.

Inicialmente Alves atuou pela direita e Pardal pela esquerda, porém, no decorrer do jogo, trocaram de posições. Abertos, davam amplitude e participavam da construção ofensiva desde o meio campo. O jogo era concentrado pelas laterais até chegar a linha de fundo. Diego Noronha no meio era quem rompia as linhas em avanços verticais e tinha o passe qualificado.

O Serra tentava começar suas jogadas desde a defesa. Caetano era importante, pois se juntava aos zagueiros, e em algumas ocasiões esteve posicionado no centro, formando uma linha de três. Darlan e Noronha se aproximavam para receber na saída e tentar ligar o jogo aos pontas e laterais, fazendo associações. Foram poucas as ocasiões em que os laterais deram amplitude.

No lance registrado abaixo, o lançamento de Darlan foi longo demais, Gilmar Baiano não alcançou. Era uma boa oportunidade, já que havia mais jogadores no último terço para tentar a finalização ou a associação para encontrar espaços.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.43.04Imagem: Torcida ES.

Tem sido comum, no entanto, reparar o posicionamento distante entre os jogadores de ataque do Serra, o que não proporciona troca de passes, e sim o aumento no número de cruzamentos, porém com pouca presença ofensiva na área. Dificilmente a bola chega ao centroavante, como foi no caso abaixo.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.43.17Imagem: Torcida ES.

O atacante Rael permaneceu mais adiantado, como uma referência, e, além de ter sido visado para as bolas aéreas, também fez pivôs e até mesmo pelo lado buscou a linha de fundo, quando se deslocou do meio.

Com o Serra pressionando a saída de bola, os comandados de Wesley Martinelli também optavam pela bola longa, e foi em uma dessas tentativas que Vitinho conseguiu pegar a linha de defesa serrana descompactada, ter a bola sob seu domínio, tocar por cima e colocar Jarles Baiano em condições de abrir o placar, aos 35 minutos da primeira etapa.

O gol sofrido pelo Serra surgiu a partir do momento em que a equipe se abriu e teve lenta recuperação. Houve erro de tempo do zagueiro Alex na bola aérea. O atacante adversário estava entre dois defensores distantes.

Posteriormente aconteceu um lance semelhante. Carlos Vitor infiltrou, porém, Walter fechou o espaço. Alex tentou antecipar a jogada e o atacante Alvianil explorou o espaço deixado.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.43.25Imagem: Torcida ES.

O Serra voltou para o segundo tempo com Emílio no lugar de Rodrigo Pardal. A mudança visava melhorar a troca de passes e as associações no meio, além dar mais força física. Uma companhia para Noronha na criação, enquanto Rael e Alves ficavam mais adiantados. Peu e Gilmar tinham mais liberdade para chegar até a linha de fundo.

O Vitória manteve a escalação e asconfigurações de jogo foram as mesmas do primeiro tempo, com os laterais e meias trabalhando mais por dentro. Mais compacta, a equipe atuava em bloco médio/baixo e continuava acelerando nas transições ofensivas pelos lados. As triangulações também seguiam pelos lados, com destaque paraVitinho e Cássio na direita e Thiago com mais liberdade para chegar na área do Serra.

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A defesa do Serra teve dificuldade para neutralizar as triangulações que envolviam e aproximaram o clube do segundo gol. O time da capital capixaba perdeu boas oportunidades. No lance abaixo a inferioridade numérica ocasionou boa oportunidade para o Vitória na área.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.43.43Imagem: Torcida ES.

Com uma postura mais defensiva e saindo nos contra-ataques, o Vitória sofria mais perigo pelos lados, com as ultrapassagens dos laterais do Serra, que buscavam os cruzamentos em direção a área de Edmar.

Machucado, Thiago teve que ser substituído por Deivison, que se manteve mais próximo de Igor Pimentel e Rodrigo César nas fases defensivas.

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Pelo Serra, Igor entrou no lugar de Diego Noronha e efetivou Emílio pelo centro. O jogador atuou durante mais tempo pela direita e se aproximou mais de Rael.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.43.56Imagem: Torcida ES.

Na busca pelo gol, o técnico Cleiton Marcelino colocou Madison e tirou Darlan, que deu mais profundidade ofensiva ao ataque. Igor foi centralizado e jogou ao lado de Emílio. O Serra, neste contexto, tinha na organização ofensiva um 4-1-4-1 que variava para um 4-3-3.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.44.04Imagem: Torcida ES.

O poder de marcação foi diminuído, principalmente pelo meio. Marcelino assumiu o risco na tentativa do empate.

No Vitória, para ajudar nas transições ofensivas, Jarles Baiano deu lugar a Keverson, que passou a atuar mais centralizado e acelerando as descidas para o ataque, com Carlos Vitor na esquerda e Vitinho na direita.

WhatsApp Image 2019-03-10 at 21.44.11Imagem: Torcida ES.

Dessa forma, as equipes se comportaram até o apito final.

O triunfo trouxe o Vitória de volta a luta pelas primeiras posições e apresentou um Alvianil com boas ideias de jogo, baseadas na metodologia trabalhada desde a pré-temporada, tendo a posse de bola e a velocidade como aliadas fortes.

Já o Serra tem um padrão de jogo estabelecido, porém precisa encontrar uma forma de ser mais contundente no ataque. O gol da derrota surgiu de uma falha e esta deve ser corrigida. A classificação está encaminhada, mas uma sequência de vitórias cairia bem para se aproximar dos líderes.

@julianords e @ViniciusLodi_

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