Defesa que ninguém passa – ANÁLISE TÁTICA JÚNIOR BARRANQUILLA 0 x 2 PALMEIRAS

Por Breno Barbosa

Na estréia pela Libertadores 2019, o Palmeiras foi até a Colômbia e venceu o Júnior Barranquilla por 2 X 0, gols de Gustavo Scarpa e Marcos Rocha, alcançando a liderança do grupo F. Apesar do placar, o Alviverde sofreu com o grande volume adversário e contou com uma ótima partida do seu sistema defensivo para garantir o triunfo logo na estréia.

Diferente dos últimos jogos, o técnico Felipão optou por mudar o esquema tático, buscando dar mais liberdade para Ricardo Goulart e menos obrigações defensivas para o camisa 11. O time costuma atuar no 4-2-3-1, entretanto foi a campo no 4-4-2 (Weverton; Marcos Rocha; Antônio Carlos e Gustavo Gómez; Víctor Luís; Felipe Melo, Bruno Henrique, Gustavo Scarpa e Dudu; Ricardo Goulart e Miguel Borja). Com essa nova formação, os dois extremos (Scarpa e Dudu), foram sacrificados na marcação e impossibilitou que o verdão tivesse velocidade e força nos contragolpes pelos lados do campo.

WhatsApp Image 2019-03-08 at 13.49.43Palmeiras em um 4-4-2, com compensações dos extremos na recomposição, enquanto Goulart e Borja não recuam tanto.

Nos quinze minutos iniciais, o verdão foi intenso e agressivo, com um pressing alto, infiltrações e trocas de passes rápidas, o Palmeiras soube envolver a defesa dos mandantes e abriu o placar com Scarpa. Os jogadores do setor ofensivo tem liberdade para flutuarem nas faixas do campo e abrirem espaços para seus companheiros explorarem. Desta forma, Gustavo Scarpa, o ponta-amador, teve liberdade para cair na faixa central do campoe infiltrar-se nas costas dos defensores,recebendo belo passe de Scarpa e abrindo o placar na Colômbia.

Gustavo Scarpa foi inteligente e atacou o espaço, o camisa 14 recebeu na medida de Dudu e teve qualidade na conclusão.

Após o gol, o Palmeiras recuou seus blocos no campo de defesa e passou a ser reativo, esperando que o Barranquilla tivesse às ações do jogo e pensando em explorar os contra-ataques. Entretanto, o verdão não conseguia trocar passes e perdia rapidamente a posse, sendo encurralado pelos colombianos, que tiveram 67% da posse de bola e dezesseis finalizações, porém apenas quatro no alvo, todas pararam no goleiro Weverton, um dos destaques em campo. O Palmeiras defendia até num 4-5-1, com apenas Borja mais a frente, todos próximos e impedindo que o Júnior tivesse espaços. Mesmo dando campo para o oponente, o clube Paulista manteve uma marcação encaixada e bem sucedida durante toda a partida.

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Os pontas acompanhando às investidas dos laterais e sendo obedientes taticamente. Isso possibilitou que os volantes fizessem uma marcação ainda mais forte para proteger o funil e impedir que os colombianos entrassem na defesa Alviverde.

Por mais que tenha conseguido algumas associações, o Barranquilla esbarrou na forte marcação palmeirense e no sistema sólido, isso frustrou os mandantes que foi perdendo ímpeto ofensivo na segunda etapa. O time de Scolari manteve-se leal ao plano de jogo, e mesmo com as mudanças, entraram Moisés, Hyoran e Thiago Santos nos lugares de Ricardo Goulart, Dudu e Bruno Henrique, o Palmeiras não sofreu tantos sustos e foi administrando a partida.

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O Palmeiras atraiu o Barranquilla para seu campo defensivo, porém não cedeu brechas para o adversário construir suas jogadas. A forma que todos os atletas se doaram na marcação, foi um dos diferenciais do verdão em campo.

O colombiano Borja foi importantíssimo para incomodar os zagueiros adversários e realizar a primeira pressão. O camisa 9 ainda deu uma assistência para o segundo gol, anotado por Marcos Rocha, após finalmente acontecer o tão esperado contragolpe. Rocha foi coroado com o gol aos 47 do segundo tempo, pois foi decisivo no setor defensivo, tendo 4 desarmes, 3 interceptações e acertando 28 passes, liderando esses três quesitos pelo lado palmeirense.

Marcos Rocha rouba a bola já acionando Borja, o centroavante teve paciência após arrancar em velocidade e serviu Rocha, que com qualidade e frieza no arremate, decretou a vitória da equipe brasileira.

No geral, a exibição Palestrina não foi de empolgar os telespectadores e torcedores, porém a estratégia foi ótima e cumprida a risca, fazendo com que o Palmeiras conquistasse três valiosos pontos fora de casa. Por mais que receba críticas, o estilo de Felipão foi eficaz e bem aplicado, pois conseguiu neutralizar o bom time do Júnior Barranquilla e sem grandes sustos. O Palmeiras estreou demonstrando a força da sua defesa e podendo apresentar um futebol mais vistoso nos próximos compromissos.

@12brenobarbosa

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