Flamengo na altitude, com atitude – ANÁLISE TÁTICA SAN JOSE 0 x 1 FLAMENGO

Por Luan Silveira

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Após muita expectativa, o Flamengo entrou em campo pela Libertadores e, diferentemente das outras estreias fora de casa, venceu. Na altitude de Oruro, o gol solitário de Gabigol e a grande atuação de Diego Alves garantiram os três pontos.

Em um jogo bem pobre tática e tecnicamente, o Flamengo apresentou uma equipe bastante aguerrida, com bastante cara de Libertadores, como não se via em edições anteriores, porém escapou de sofrer o empate e até mesmo uma derrota por ineficiência adversária e por suas individualidades.

A começar pelo erro de estratégia, ao entregar em demasia a bola pro oponente em plena altitude, que obrigou a equipe a passar todo o primeiro tempo correndo atrás da bola, desordenadamente, gerando, portanto, desgaste físico desnecessário.

“Então quer dizer que era pra jogar bonito e com a posse naquele gramado horrível”

Não, diante das condições ninguém esperava que o time jogasse “bonito”, seja lá o que isso significa, mas manter a posse, como o que ocorreu em partes do segundo tempo, era o correto a se fazer para preservar o fôlego dos jogadores em uma condição tão adversa. O time foi muito pobre em associações, com jogadores bastante distantes uns dos outros, e isso facilitou demais a vida do San José.

Ainda que o correto fosse entregar a bola para o adversário, e partindo do pressuposto que essa era a ideia de Abel, nossa marcação em bloco baixo foi terrível. Primeiro, os pontas foram, aparentemente, desobrigados de recompor, ou apenas um voltava. Isso gerou inúmeras situações de 4-3 defensivos com Arão e Diego sendo esses interiores a frente de Cuéllar e tendo que pressionar os meias do San José no intuito de evitar os arremates de longa distância característicos do time boliviano, porém ambos os jogadores têm problemas sérios de marcação, com o camisa 5 sempre devendo em intensidade e posicionamento, e o 10 com péssima técnica de desarmes e muita afobação na marcação.

WhatsApp Image 2019-03-06 at 22.12.29 (1)Mesmo com superioridade numérica, o time concedia muitos espaços para a equipe de Oruro.

Um dos problemas notados no jogo de ontem foi a falta de intensidade no meio, mesmo se sabendo que os bolivianos arriscariam de longa distância. Os jogadores diversas vezes apenas ocupavam espaço na defesa, no melhor estilo Flamengo de Carpegiani e permitiam o arremate.

WhatsApp Image 2019-03-06 at 22.12.29Já com o “ônibus estacionado” na segunda etapa e mais espaço para chutar. Esse foi só um dos momentos.

Dito isto, se Abel pretendia liberar Arrascaeta e Bruno Henrique das responsabilidades defensivas, ou um de cada vez, além de Gabigol, e partir para o ataque com bolas longas, que entrasse com Piris-Cuéllar-Ronaldo no meio, ou Cuéllar-Ronaldo-Éverton Ribeiro para aproveitar a qualidade do 7 nas bolas longas, além de melhorar na marcação em relação à Diego. Que trocasse Arrascaeta, do lado que não gosta, por Vitinho para ganhar em fisicalidade na frente, ou até que entrasse com Hugo Moura de terceiro zagueiro para alongar a linha defesa e melhorar o balanço defensivo tão desgastante na altitude, botando Cuéllar e Piris/Ronaldo a frente. Por quê continuar com esse 4-1-2-3, se o time vai jogar atrás? Essa é uma das inúmeras questões que esse time do Flamengo proporciona nesse início de temporada.

“Mas pela segunda vez no ano não fomos vazados’’

Verdade, porém os problemas no funil continuam, e o técnico insiste nas mesmas peças e no mesmo esquema, pois os resultados em sua maioria são favoráveis. No dia que o desempenho e o resultado forem o mesmo de novo (como contra o Flu), talvez a necessidade de mudar a estrutura do time seja notada, tanto defensivamente como ofensivamente.

Individualmente falando, tivemos ótimas atuações de Bruno Henrique, Rodrigo Caio, Éverton Ribeiro e Diego Alves, principalmente, porém diante de um adversário com mais repertório essas individualidades não vão bastar, e seria bastante interessante corrigir erros enquanto se vence.

Pra concluir, quanto ao gol, ele ocorreu num raro momento que o time explorou o problemas dos encaixes longos da linha de defesa do San José, como observados em nossa análise pré-jogo

WhatsApp Image 2019-03-06 at 22.12.29 (2)Inteligência de Gabigol pra infiltrar no espaço deixado pelo defensor e facilitando a vida de Bruno Henrique.

@luansilveirap

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