A volta do futebol intenso – ANÁLISE TÁTICA DE LIVERPOOL 5 x 0 WATFORD

Por Daniel Klabunde

Valendo a liderança do campeonato, Liverpool foi à campo precisando da vitória já que o Manchester City jogava no mesmo horário, e em caso de vitória poderia ultrapassar os Reds e assumir a primeira colocação.

E pensando nesta possibilidade, os Reds foram à campo com a sua boa e velha intensidade, com marcação forte e alta, triangulações rápidas, velocidade pelas pontas e recuperação rápida da posse de bola no último terço do campo, não dando chances para o adversário organizar os contra-ataques.

O time de Watford foi à campo no seu 4-4-2 iniciando a partida com uma pressão alta tentando marcar a saída de bola pelo chão dos Reds, mas a marcação que o United executou tão bem na última partida, não se repetiu pelos zangões, dando liberdade para Fabinho trabalhar a bola no meio campo.

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Fabinho com total liberdade para receber a bola e sair jogando

Com Alexander Arnold iniciando a partida, Henderson deixou o time para Milner ocupar o meio-campo ao lado de Wijnaldum e Fabinho, com o brasileiro mais uma vez sendo um dos destaques da partida ganhando todos os desarmes que tentou, acertando todas as bolas longas e vencendo 5 duelos de 10 disputados, um monstro no meio campo, conquistando de vez o lugar de primeiro homem na base da jogada.

Com a trinca de meio formada e firme, Klopp precisava encontrar uma forma de ativar os seus atacantes, que já haviam passado as últimas duas partidas em branco, não conseguindo produzir o suficiente para abrir o placar das partidas. A solução foi uma mudança na movimentação de seus atacantes, com Origi ocupando o lugar de Firmino (fora por lesão), Klopp orientou para que Mané ocupasse a posição de “falso 9”, com Origi caindo pela esquerda.

Mas o diferencial foi a forma com que os avantes se posicionaram, com Robertson Origi e Wijnaldum formando uma trinca pelo lado esquerdo enquanto Salah, Mané e Arnold ficavam pela direita e Milner segurava na cobertura, suprindo as subidas de Arnold à linha de fundo.

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Jogo pelos lados do Liverpool, praticamente abdicando de atacar pelo meio

Com a ausência de Firmino, Klopp preferiu não executar o movimento de recuo do homem que ocupasse a função de 9, fazendo com que o time implantasse mais velocidade pelas pontas com Arnold e Robertson, apoiados pelos atacantes, tanto que os dois primeiros gols saíram de jogadas pelo lado direito em dois cruzamentos de Arnold.

Em um dos cruzamentos pudemos ver o efeito da movimentação entre Mané e Salah, o qual gerou o primeiro gol da partida, com Mané saindo da ponta direita e infiltrando pelo meio entre os zagueiros enquanto dois defensores saem para tentar dar o combate no egípcio, gerando espaço para o senegalês cabecear livre.

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Salah se desloca para a ponta direita puxando dois defensores, enquanto Mané infiltra pelo meio para marcar de cabeça

Van Dijk com dois gols e Arnold com três assistências, foram os grandes nomes dos Reds na partida, o defensor seguro como sempre, com desarmes precisos e vencendo todas as disputas pelo alto, enquanto o lateral tinha total liberdade para atacar enquanto Milner ficava na cobertura, podendo usufruir de sua velocidade e precisão nos cruzamentos, dos quais três terminaram em gols.

O jogo pelos lados do Liverpool foi uma ótima solução para a ausência de Firmino, já que o brasileiro parece ser o único que consegue executar o movimento de recuo para armar o ataque, sem ele a saída foi imprimir muita velocidade utilizando muito os laterais, que em alguns momentos chegavam a atacar ao mesmo tempo, e criando superioridade numérica em cima dos defensores com o apoio dos meias e atacantes.

Uma bela tática de Klopp para esta partida, tentando se livrar da marcação forte que havia sofrido no primeiro turno, onde só conseguiu abrir o placar na metade do segundo tempo.

@dktricolor

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