DECEPÇÃO – Análise tática de Santos 1x 1River Plate – URU

Por Rodrigo Costa

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Buscando a classificação para a segunda fase da Copa Sulamericana, o Santos enfrentou o River Plate do Uruguai no Pacaembu, com portões fechado, em virtude de punição na Libertadores do ano passado e alguns desfalques – Orinho expulso no último jogo, Cueva e Jean Lucas não foram inscritos e Rodrygo suspenso, portanto indo a campo para garantir o favoritismo com o time que começou os primeiros jogos da temporada – com Soteldo e Derlis no ataque – mas as coisas não ocorreram como se imaginava.

Se organizando no esquema mais usado na temporada até aqui – um 4-4-2 em losango – a equipe santista mais uma vez teve muita posse de bola (79% x 21%) e elevada quantidade de passes trocados (645 x 174). Como o River não pressionava a saída de bola, marcando em um bloco baixo e compacto num 4-5-1 (com oobjetivo de anular todas as ações ofensivas do Santos, preenchendo espaços, fechando linhas de passes e defendendo muito bem o funil), Sampaoli não optou pela saída Lavolpiana, pois não se fazia necessária.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04River Plate atuando em um espaço efetivo de jogo bem curto, anulando todas as jogadas santistas, bloqueando linhas de passe, ocupando bem os espaços. Olivera para puxada de contra-ataque (que aconteceu no segundo tempo, gol do River.) (Fonte: DAZN/YouTube. Edição: Rodrigo Costa).

Portanto, construindo com os dois zagueiros (Aguilar e Gustavo Henrique), o Peixe se organizava no campo adversário em um 2-4-4, com Victor Ferraz bem avançado e gerando amplitude; Copete mais preso na segunda linha, pela esquerda e Soteldo mais à frente na mesma faixa de campo, deixando Jean Mota como falso 9. Carlos Sánchez – além de trocar de posição com Ferraz – era o meia que tentava diversas infiltrações sem a bola, na tentativa de receber passes em boas condições, modificando assim esse 2-4-4 para um 2-3-5.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.042-4-4 com Sánchez na última linha, dos atacantes, e Ferraz na criação. Essa troca aconteceu constantemente na partida. Em alguns momentos com os dois na última linha 2-3-5. (Fonte: DAZN/YouTube. Edição: Rodrigo Costa).

A fase defensiva do Santos praticamente não foi exigida. Foram apenas 3 chutes do River. Jogaram por uma bola, e ela apareceu, onde eles foram eficientes, marcando o gol da classificação num contra-ataque. Mas, podemos dizer que o Santos se defendeu num 4-3-3, com Jean Mota pressionando junto com os atacantes com uma marcação alta e muita pressão pós perda. As falhas continuam nas transições defensivas – quando o time perde a bola – pois os laterais, tanto Copete como Ferraz não pressionam e recompõem de maneira lenta, vários gols sofridos na temporada até agora foram dessa maneira. Sampaoli precisa ajustar isso. Com Felipe Jonathan e Jorge (se confirmados), esse detalhe deve melhorar.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.044-3-3 defensivo do Santos. Não foi exigido nessa fase. (Fonte: DAZN/YouTube. Edição: Rodrigo Costa).

Apesar do grande volume de jogo, o time alvinegro não conseguia transformar esse domínio em chances claras de gol, pois, de acordo com o SofaScore, o Santos criou apenas uma grande oportunidade, apesar de ter chutado 16 vezes, sendo 10 de dentro da área.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Mais posse, mais chutes, mais passes, mas grandes chances iguais. O River jogou por uma bola, e essa bola aconteceu. (Fonte: SofaScore. Edição: Rodrigo Costa).

Pouquíssimo diante do nível técnico do adversário, bem inferior tecnicamente. E a tentativa de mudança se fez nas entradas de Yuri (Alison) e Felippe Cardoso (Pituca) logo após o gol sofrido – em mais uma falha de cobertura de Copete, na transição defensiva – mudando o esquema para um 4-3-3 com um centroavante, recuando Jean Mota para o meio, mas com Sánchez ainda se lançando bastante ao ataque buscando infiltrações na defesa adversária, com Jean Mota fazendo a função de armador – assim saiu o gol – explorando mais o 2-3-5 com a bola, e com o fim do jogo e o abafa, um 2-2-6, mas que mesmo assim não encontrava espaços na defesa cada vez mais fechada do time uruguaio.Cueva e Rodrygofizeram falta, não tinha mais nenhum jogador no banco que pudesse mudar a cara do jogo.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Santos mantendo o modelo de jogo, atacando num 2-3-5, com Copete mais aberto pela esquerda na segunda linha. Sánchez fazendo infiltrações constantes e Jean Mota armando as jogadas. (Fonte: DAZN/YouTube. Edição: Rodrigo Costa).

A eliminação é decepcionante. O futebol não é o esporte onde sempre o melhor vence. A torcida santista sonhava em conquistar a Sulamericana em 2019, mas a queda precoce, para um adversário modesto, religa o estado de alerta no time da Vila. Claramente falta um camisa 9, Felippe Cardoso apesar de esforçado, não pode ser titular; Copete (e Orinho) de lateral esquerdo foi mal mais uma vez. E, apesar do grande volume de jogo, boas movimentações, conceitos claros, as chances claras de gol não estão surgindo em alguns jogos, mas o modelo de jogo não é, e nem será abandonado por Sampaoli (e realmente não deve ser).Por fim, encerro com uma frase de Jorge Sampaoli após o jogo: “Temos que ratificar a ideia, sabemos que um estilo não vai acabar por uma eliminação”.

@costa_rodrigo95

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